23 fevereiro, 2007

 

Nota de Esclarecimento


 

Anda navegando pelas caixas de e-mail sertão afora um texto horroroso, mal escrito e falsamente assinado pela escritora Marilene Felinto, que escreve mensalmente na revista Caros Amigos. O texto atribui a culpa pela morte do menino João Hélio aos seus pais, por serem ricos, brancos e de olho azul (!), e diz que os assassinos são vítimas inocentes do sistema blá-blá-blá. Não se trata de um texto anônimo pegando carona num nome conhecido, como é o caso das já famosas crônicas atribuídos a Arnaldo Jabor ou Luís Fernando Veríssimo que vira-e-mexe aparecem em sua caixa de e-mail. Neste caso, trata-se de uma tentativa deliberada e criminosa de desmoralizar a escritora, como uma ridícula prova de que a moça "está dos lados dos bandidos".

A própria Caros Amigos, em sua página na internet, alerta sobre o artigo falso de sua colaboradora, que tem recebido uma enxurrada de e-mails espumando ódio por conta do artigo que não escreveu.

Há uma razão especial para quererem atribuir este texto à escritora: em 2003, ela escreveu o artigo "Morte de Menina Rica e Ódio de Classe", publicado na Caros Amigos, indo contra a corrente de "comoção nacional" provocada pela morte da adolescente Liana Friedenbach em Embu-Guaçu-SP (lembram?). Na ocasião, Marilene Felinto denunciou a hipocrisia da mídia, da polícia e autoridades, em tratar de forma tão diferente as tragédias de ricos e pobres; criticou o rabino Henry Sobel, que propôs a adoção da pena de morte ("o rabino deve ter achado que aqui é uma espécie de Israel – e que a esmagadora maioria dos brasileiros, da classe pobre, é uma espécie de Palestina a ser eliminada da face da terra!"); e apontou a desigualdade social como um motor da criminalidade.

A forma áspera de abordar o assunto e a audácia de ir contra o pensamento único imposto em momentos de "comoção nacional" (problema Tostines: a mídia capta a "comoção nacional" que emana das ruas ou as ruas captam a "comoção nacional" que emanam da mídia?) foram interpretados, por uma larga massa de imbecis que tiveram acesso ao texto, como "defesa dos bandidos" e "apologia ao crime". Principalmente por conta deste artigo, a escritora foi hostilizada através de e-mails e comentários deixados numa comunidade do Orkut aberta por seus admiradores (com a qual a própria escritora não tem qualquer envolvimento). Até a Desciclopédia, normalmente tolerante com as críticas e ofensas deixadas a "personalidades odiadas" precisou bloquear o artigo dedicado à escritora.

Este textozinho sobre o João Hélio é apenas a cereja no bolo de uma campanha covarde de difamação. Se você receber esta porcaria, não a repasse. Melhor ainda: devolva-o à pessoa que o encontrou, alertando-a para largar de ser idiota e não repassar qualquer porcaria que recebe para os outros.

 

 

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