09 outubro, 2006

 

Tensão Pré-Eleitoral


 

Pela mixaria de 1 milhão de votos, teremos que aguardar a decisão do Segundo Turno das eleições presidenciais para saber se o País continua uma porcaria, ou piora de vez.

A besta aqui que vos escreve já fez, há muito, sua opção, e ela é bastante óbvia. Tão óbvia quanto a opção da Veja, por exemplo, com a diferença que aquela se pretende imparcial e baseada apenas no "bom senso", jamais em inclinações político-ideológicas, afinal, ideologia é coisa de comunista.

O problema, para nosotros, não é fazer opções, e sim os riscos envolvidos. A perspectiva de uma vitória do candidato Geraldo - assim mesmo, sem sobrenome, que é como seus marketeiros recomendam - me deixa tenso, e desperta o que há de pior em mim.

Ontem estava vendo "Geraldo" chegando aos estúdios da Bandeirante para o debate, acompanhado de sua esposa, Lu. Não, ela não é chinesa, apenas prefere esse monossílabo que seu nome de batismo. Acho que o nome disso é "estilo". Olha ela aí embaixo, toda elegante:



Por alguma razão que só Freud (não o do PT) explica, ao ver a Sra. Lu acompanhado o marido presidenciável, senti um súbito impulso de retalhar seu rosto cuidadosamente maquiado com uma adaga medieval bem afiada, fazendo traços decididos e retilíneos de uma ponta à outra, como um Jedi faria com seu sabre de luz, com tal destreza e agilidade que, antes mesmo que os seguranças percebessem, sua carinha de socialite estaria transformada em uma tosca imitação da bandeira da Grã-Bretanha. Como toque final, enfiaria a adaga no meio do olho arrancando-o da cavidade craniana ainda com o nervo pendurado, como o cordão umbilical de um recém-nascido. Nem Ivo Pitangui daria jeito.

Nada pessoal contra Dona Lu, afinal, o capitalismo tende mesmo à acumulação de riquezas, trazendo como conseqüência desagradável as madames, seus poodles e os preços absurdos da comida japonesa. Minha birra é contra os eleitores do Alckmin no Orkut (imagino que também em outros lugares, felizmente tenho pouquíssimo convívio com eleitores do Alckmin na "vida real"), que mostram a "futura primeira-dama" como um troféu, uma "vantagem" comparativa do candidato tucano em relação à mulher meio-baranga do Lula. Tem até "trabalho social", de caridade, presidindo o chamado "Fundo Social de São Paulo" enquanto o marido era governador. E a Marisa do Lula, "pra que serve?", pergunta uma comunidade do Orkut.

Por que uma "primeira dama" precisa virar alguém importante, com visibilidade, algo mais do que simplesmente "esposa do Presidente"? Já não basta ter que eleger o Vice-Presidente junto com o Presidente, agora temos que engolir na mesma chapa uma "Primeira Dama" também?

Quem começou essa onda no Brasil foi a Rosane Collor, com sua Legião Brasileira de Assistência (LBA) cheia de furos contábeis. Depois veio Ruth Cardoso com seu "Comunidade Solidária". Não há nada de mau em ajudar os outros, mas acho muita cara de pau fazer isso só após ser alçada a uma posição destacada, como a de primeira-dama. Talvez Dona Ruth nem tanto, mas Rosane Collor dava a nítida sensação de artificialidade, de ter fundado a LBA só para se sentir útil e capitalizar de sua posição de "primeira-dama".

Pior que suas antecessoras, a hipocrisia da "preocupação social" de Lu Alckmin salta aos olhos por três razões básicas:

(1) Só se envolveu com a caridade depois que o marido já era governador e possível presidenciável (antes disso, estava ocupada demais com a "criação dos filhos", disse numa entrevista à IstoÉ Gente).

(2) Sobe favela ostentando vestidos de alta costura made by estilista dos Jardins, ou comprados na Daslu, que saem por até R$ 15 mil cada. Aliás, o estilista Rogério Figueiredo afirma ter doado alguns vestidos de sua autoria pra ex-primeira dama. Uns QUATROCENTOS, mais ou menos. O caso suscitou uma comparação com a filipina Imelda Marcos, publicada na Agência Carta Maior.

(3) Dá a mão aos pobres ao mesmo tempo em que posa como "vitrine feminina" do PSDB, partido que em 12 anos no governo de São Paulo e 8 no governo federal provocou um crescimento do desemprego e da criminalidade nunca antes visto na história brasileira, ao mesmo tempo em que enriqueceu minorias e deixou como legado cofres vazios e escolas de lata.

Ciro Gomes estava certo quando disse que a principal função de sua esposa - a bela Patrícia Pillar - na sua campanha presidencial de 2002 era "dormir com ele". Fui crucificado como machista. Nada contra a primeira-dama ter vida própria, mas sim contra transformá-la em celebridade ou santa, ou as duas coisas. Além do que, ser a confidente mais íntima do mandatário da Nação já é responsabilidade suficiente.

Agora, boa mesmo era a "primeira-dama" do Itamar. Hipocrisia zero, mostrou bem a que vinha.


 

 

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