13 outubro, 2006

 

Copiaram minha idéia!


 

Acho que a cúpula do PT anda lendo este prestigioso SUBMUNDO.

Outro dia mesmo estava falando aqui sobre os vestidinhos de Dona Lu Alckmin. Aí o Valter Pomar, secretário de Relações Institucionais do PT, foi lá no site do partido e chamou o Alckmin de hipócrita e "moralista de ocasião", fazendo o seguinte comentário:

"Alckmin não deveria colocar o debate neste nível. Afinal, alguém poderia perguntar se ele sabia que sua filha é funcionária de uma empresa acusada de contrabando e se ele tinha conhecimento que sua esposa ganhou de presente 400 vestidinhos chiques."

A campanha do Lula logo mandou tirar o artigo do ar. Afinal, apesar de toda a fúria investida pelo candidato do PSDB contra a candidatura Lula, e vice-versa, impera entre os dois um "acordo de cavalheiros" pra um não falar da família do outro. Lula, diga-se de passagem, tem ojeriza à possível exploração eleitoral do suspeito investimento da Telemar na empresa de seu filho, a GameCorp.

Alckmin revidou reclamando de "sujeira" e "baixaria". No dos outros, é refresco, né Geraldo?

 

 

 

 

09 outubro, 2006

 

Tensão Pré-Eleitoral


 

Pela mixaria de 1 milhão de votos, teremos que aguardar a decisão do Segundo Turno das eleições presidenciais para saber se o País continua uma porcaria, ou piora de vez.

A besta aqui que vos escreve já fez, há muito, sua opção, e ela é bastante óbvia. Tão óbvia quanto a opção da Veja, por exemplo, com a diferença que aquela se pretende imparcial e baseada apenas no "bom senso", jamais em inclinações político-ideológicas, afinal, ideologia é coisa de comunista.

O problema, para nosotros, não é fazer opções, e sim os riscos envolvidos. A perspectiva de uma vitória do candidato Geraldo - assim mesmo, sem sobrenome, que é como seus marketeiros recomendam - me deixa tenso, e desperta o que há de pior em mim.

Ontem estava vendo "Geraldo" chegando aos estúdios da Bandeirante para o debate, acompanhado de sua esposa, Lu. Não, ela não é chinesa, apenas prefere esse monossílabo que seu nome de batismo. Acho que o nome disso é "estilo". Olha ela aí embaixo, toda elegante:



Por alguma razão que só Freud (não o do PT) explica, ao ver a Sra. Lu acompanhado o marido presidenciável, senti um súbito impulso de retalhar seu rosto cuidadosamente maquiado com uma adaga medieval bem afiada, fazendo traços decididos e retilíneos de uma ponta à outra, como um Jedi faria com seu sabre de luz, com tal destreza e agilidade que, antes mesmo que os seguranças percebessem, sua carinha de socialite estaria transformada em uma tosca imitação da bandeira da Grã-Bretanha. Como toque final, enfiaria a adaga no meio do olho arrancando-o da cavidade craniana ainda com o nervo pendurado, como o cordão umbilical de um recém-nascido. Nem Ivo Pitangui daria jeito.

Nada pessoal contra Dona Lu, afinal, o capitalismo tende mesmo à acumulação de riquezas, trazendo como conseqüência desagradável as madames, seus poodles e os preços absurdos da comida japonesa. Minha birra é contra os eleitores do Alckmin no Orkut (imagino que também em outros lugares, felizmente tenho pouquíssimo convívio com eleitores do Alckmin na "vida real"), que mostram a "futura primeira-dama" como um troféu, uma "vantagem" comparativa do candidato tucano em relação à mulher meio-baranga do Lula. Tem até "trabalho social", de caridade, presidindo o chamado "Fundo Social de São Paulo" enquanto o marido era governador. E a Marisa do Lula, "pra que serve?", pergunta uma comunidade do Orkut.

Por que uma "primeira dama" precisa virar alguém importante, com visibilidade, algo mais do que simplesmente "esposa do Presidente"? Já não basta ter que eleger o Vice-Presidente junto com o Presidente, agora temos que engolir na mesma chapa uma "Primeira Dama" também?

Quem começou essa onda no Brasil foi a Rosane Collor, com sua Legião Brasileira de Assistência (LBA) cheia de furos contábeis. Depois veio Ruth Cardoso com seu "Comunidade Solidária". Não há nada de mau em ajudar os outros, mas acho muita cara de pau fazer isso só após ser alçada a uma posição destacada, como a de primeira-dama. Talvez Dona Ruth nem tanto, mas Rosane Collor dava a nítida sensação de artificialidade, de ter fundado a LBA só para se sentir útil e capitalizar de sua posição de "primeira-dama".

Pior que suas antecessoras, a hipocrisia da "preocupação social" de Lu Alckmin salta aos olhos por três razões básicas:

(1) Só se envolveu com a caridade depois que o marido já era governador e possível presidenciável (antes disso, estava ocupada demais com a "criação dos filhos", disse numa entrevista à IstoÉ Gente).

(2) Sobe favela ostentando vestidos de alta costura made by estilista dos Jardins, ou comprados na Daslu, que saem por até R$ 15 mil cada. Aliás, o estilista Rogério Figueiredo afirma ter doado alguns vestidos de sua autoria pra ex-primeira dama. Uns QUATROCENTOS, mais ou menos. O caso suscitou uma comparação com a filipina Imelda Marcos, publicada na Agência Carta Maior.

(3) Dá a mão aos pobres ao mesmo tempo em que posa como "vitrine feminina" do PSDB, partido que em 12 anos no governo de São Paulo e 8 no governo federal provocou um crescimento do desemprego e da criminalidade nunca antes visto na história brasileira, ao mesmo tempo em que enriqueceu minorias e deixou como legado cofres vazios e escolas de lata.

Ciro Gomes estava certo quando disse que a principal função de sua esposa - a bela Patrícia Pillar - na sua campanha presidencial de 2002 era "dormir com ele". Fui crucificado como machista. Nada contra a primeira-dama ter vida própria, mas sim contra transformá-la em celebridade ou santa, ou as duas coisas. Além do que, ser a confidente mais íntima do mandatário da Nação já é responsabilidade suficiente.

Agora, boa mesmo era a "primeira-dama" do Itamar. Hipocrisia zero, mostrou bem a que vinha.


 

 

 

Concorrência desleal


 

Justamente no dia e hora em que a Bandeirantes exibia o debate entre os candidatos a Presidente, a Record resolveu exibir o filmaço abaixo:



Entre as aventuras de Michael J. Fox e os ataques de Geraldo Alckmin, confesso que fiquei balançado. Minha preocupação com o futuro da Nação foi em vários momentos vencida pela minha nostalgia por um ícone da chamada "década perdida".

Mesmo assim, a Band conseguiu 16 pontos de IBOPE, maior audiência desde as Olimpíadas de 2004.

Espero que a Record não apronte nos próximos debates exibindo o restante da trilogia. É muita sacanagem.

 

 

 

 

06 outubro, 2006

 

A sutil diferença entre um bandido e um malaco


 

Como sempre faço de vez em quando, resolvi dar uma caminhada, mais por falta do que fazer do que por cuidado com minhas coronárias gradualmente entupidas com gordura de bacon e biscoito recheado.

Na subida da Avenida José Cândido, um outro caminhante resolveu puxar conversa. Perguntou o que eu fazia, disse que "tinha o vírus" e estava precisando comprar remédio. Morro acima, disse também que estava armado, que era foragido da Justiça, e me convidou a ir num caixa automático pra tirar uma grana. Falou para eu não correr nem fazer nenhuma bobagem, afinal, "pra quê desperdiçar sua vida por tão pouco?"

Faltava um incisivo central na boca do sujeito, que trajava uma camisa do "Racionais MC's" preta maior que seu número, uma pochete - excelente para esconder celulares e jóias roubadas - e um óculos escuro. Tentava parecer amistoso, ao mesmo tempo em que ameaçava enfiar uma azeitona na minha testa.

Expliquei pra ele que não poderia sacar dinheiro, porque não tinha um tostão na minha conta (não estava mentindo). Ele perguntou sobre o celular no meu bolso, mas o convenci de que não valia a pena. Por fim, pediu minha aliança de noivado. A essa altura, obviamente, já sabia que tudo passava de um blefe. Falei que não poderia dar a aliança. Tinha valor sentimental.

Ele então se despediu, com um aperto de mão (!). Pediu pra eu "não comentar com ninguém". Resolvi não interromper minha caminhada por tão pouco. Na volta, achei um posto policial e dei a descrição do meliante. Possivelmente não vai dar em nada, mas pelo menos fico com a consciência limpa.

Não é a primeira vez que isso me acontece. No Centro, dois caras me pararam uma vez com uma conversa de "acabei de fugir da cadeia, me vê uma grana aí, xará". Acabaram me levando uns 20 contos. No dia seguinte (sem sacanagem), um cara veio com a mesma conversa, e eu neguei. Era um só, o dia estava claro, e ele francamente não me convenceu.

Em Valadares, já há vários anos, um pateta numa bicicleta enfiou a mão debaixo da camisa e veio pra cima de mim: "me vê esse relógio aí senão te dou um tiro!" Olhei estupefato e ele: "não vai dá não? Ó, eu vou contar até três! Um... dois... Vai me dá o relógio ou não?" Depois ele disse que estava só bricando.

Entre o mendingo na esquina expondo sua miséria a troco de algumas moedas, até o bandido que aborda o motorista no sinal enfiando um revólver na sua têmpora, há toda uma zona cinzenta de marginalizados que podemos classificar como "malacos". O malaco não se satisfaz com a simples mendicância, mas também não quer se arriscar com a incerta carreira de assaltante "per se". Assim, capitaliza em cima da crescente paranóia dos "classes médias", pedindo com tom de falsa ameaça. Passam do "uma ajuda, por favor" para um "me vê um trocado aí, senão..." Mas se você não demonstrar medo e não der, o malaco simplesmente vai atrás de outra vítima, alguém que prefira não arriscar.

Viver nas médias e grandes cidades brasileiras implica em, cedo ou tarde, esbarrar com um malaco numa esquina, e jogar pôquer com sua vida, em troca do seu celular, relógio ou dinheiro. Sempre dizem pra "não reagir", mas é do nosso instinto (do meu, pelo menos) não se render por muito pouco. Às vezes, o malaco pode estar a armado e cumprir sua ameaça. Mas viver é correr riscos.

 

 

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