16 setembro, 2006

 

Remoendo velharias


 



Construídas em 1972, as torres do World Trade Center desbancaram o Empire State Building de sua posição de prédio mais alto de Nova Iorque e do mundo, mas nunca foram vistas com a mesma veneração pelos locais.

Em parte, por complicar ainda mais o trânsito do sul de Manhattan com seu fluxo de quase 250 mil pessoas por dia. O historiador Lewis Mumford, especializado em tecnologia e urbanismo, descreveu o WTC como "exemplo do gigantismo sem propósito e exibicionismo tecnológico que estão se enviscerando no tecido vivo de toda grande cidade".

Outro motivo para a pouca popularidade das torres era sua monótona arquitetura. Os nova-iorquinos apresentavam o WTC aos visitantes brincando "o Empire State Building e a Chrysler Tower não foram exatamente construídos aqui: eles vieram dentro daquelas duas caixas."

 

 

 

 

04 setembro, 2006

 

A feliz família Kim


 

Achei esta foto no Wikipedia. Tirada em 1945, retrata uma família oriental pequena e feliz, como bilhões de outras, com uma pequena particularidade: pai e filho foram (e são) manda-chuvas de um dos regimes mais opressores e assassinos já conhecidos na História.



O pai é Kim Il-Sung, fundador do regime comunista da Coréia do Norte, venerado no lugar como um semi-deus e falecido em 1994. Ao longo do seu mandato (1948-1994), transformou um regime inicialmente leninista-marxista em algo mais focado no culto à personalidade e militarismo excessivo. Após sua morte, passou a ocupar o posto simbólico de "Presidente Eterno".

O menino no colo brincando com seu quepe é Kim Jong-Il, que o sucedeu e manda por lá até os dias correntes. Mantêm a insensatez de um regime em que todos os jovens em idade militar andam uniformizados, mas falta comida. O curioso da história é que, nas primeiras décadas após a separação das Coréias, o padrão de vida no lado socialista (Norte) era bem superior ao do lado Sul. Hoje, a coisa se inverteu drasticamente.

A Coréia do Norte faz parte do que o governo Bush chama de "Eixo do Mal". Considerando o que Bush fez com o mais fraco dos 3 integrantes originais do Eixo, até que não é uma má idéia continuar fabricando foguetes e bombas atômicas.

Já a muié da foto, com cara de mau humorada, é a menos conhecida da família mas nem por isso uma personagem menos interessante. Kim Jong-Suk era uma jovem revolucionária que ajudou a combater os japoneses, que ocuparam a península da Coréia entre 1910 até o fim da Segunda Guerra. Na guerrilha e nas andanças com os comunas, conheceu Kim Il-Sung, com quem se casaria mais tarde. O primeiro filho do seu casamento foi Kim Jong-Il, nascido em 1941. Em 1949, com apenas 32 anos de idade, morreu ao dar à luz um bebê natimorto. Recebeu postumamente o título de herói nacional.

 

 

 

 

03 setembro, 2006

 

Campanha de Resgate do Fliperama


 



Quando eu era criança pequena lá em Barbacena, quer dizer, Arcos, meu buteco preferido era um quase em frente à Igreja Matriz, na chamada "Praça da Matriz". Era bem longe de onde eu morava (Bairro Brasília, perto do "Cipó-Pau", hoje chamado de "Cipó-PUC" por sua vizinhança com a nova universidade), principalmente se levarmos em consideração que uma criança precisa dar uns 2 ou 3 passos para andar a mesma distância que um adulto com um passo. Íamos eu e meu irmão, às vezes acompanhados da mãe, mas depois de um tempo íamos sozinhos.

Calma, não éramos alcólatras-mirins não. Íamos atrás de guloseimas baratas e... FLIPERAMA!!!

O que havia de mais semelhante a um Fliperama em Arcos nos anos 80 era esse buteco perto da Matriz. Acho que haviam umas 3 máquinas lá, mais 2 pinballs. Os jogos disponíveis mudavam às vezes, mas lembro-me particularmente de um de corrida (o "Grand Prix", mais conhecido na versão "cabine", mas lá no boteco era jogado em pé mesmo) e o dificílimo "He-Man", onde eu não passava da segunda fase. Outra coisa que me chamava a atenção no buteco era a tabela de preços, com letras de plástico amarelas em um fundo preto, acompanhada ao lado de uma tabela semelhante, mas contendo apenas os nomes dos "mau pagadores" que haviam passado cheque sem fundo no dono.

Não é à tóa que as raras idas aos shoppings de BH eram aguardadas com grande ansiedade: os fliperamas do BH Shopping nos deixavam embriagados de excitação. Ficávamos elétricos em meio a tantas opções, e acabávamos gastando milhares e milhares de cruzeiros (ou o equivalente a 5 reais) em questão de minutos.

Depois que nos mudamos para Valadares, e já mais crescidinhos, passamos a freqüentar os fliperamas locais - sendo nosso favorito o da Rua Barão do Rio Branco - bem superiores ao buteco de Arcos e que deixavam pouco a dever aos de Belo Horizonte. Estes fliperamas eram uma espécie de território anárquico juvenil, em que quase tudo era permitido, inclusive xingar, dar joelhadas na máquina quando engolia a ficha (sempre funcionava), roubar o boné do cara que tava jogando e arrotar alto - peidar já era demais. A única autoridade adulta no lugar era uma muié que ficava atrás de uma mesa vendendo fichas e contando as horas para "encerrar o expediente". Naquela época acho que não existia "juizado de menores" para nos proibir de freqüentar fliperamas desacompanhados dos pais ou mesmo vestindo uniforme de escola. O fliperama da Barão me ensinou cerca de 75% dos palavrões que conheço hoje, e me deu o mau hábito de chamar a Chun-Li do Street Fighter de "pirainha".

Pois bem. Hoje o meninão de 26 aninhos aqui ainda freqüenta esporadicamente os fliperamas dos shoppings de BH. Só que não existem mais fliperamas "per se" nos shoppings, e sim um emaranhado de lan-house com parque de diversões com piscina de bolinhas em que há, também, máquinas de fliperama. Normalmente, esses "emaranhados" pertencem a uma cadeia tipo "Hot-Zone", e as velhas fichas perderam lugar para cartões magnéticos retornáveis - até um tempo atrás, estes cartões não eram retornáveis, custavam 1 real e só podiam ser utilizados naquela loja determinada, mas felizmente acabaram com essa sacanagem.

Bem, tudo isso seria perfeitamente tolerável. Já não é de hoje que os fliperamas foram "invadidos" por outras formas de diversão. Mesmo no fliperama da Barão, em Valadares, já haviam uns Super-Nintendos e Mega-Drives de aluguel convivendo em harmonia com os "arcades". Os brinquedos para crianças também não chegam a incomodar. E a nostalgia das fichas diminui à medida em que nos lembramos de quando a máquina comia a ficha e o dono do lugar se recusava a acreditar na sua história.

Mas o que torna minhas idas ao Fliperama hoje um suplício é o maldito KARAOKÊ!



Se os karaokês de Fliperama estivessem sempre acompanhados de uma loiraça bunduda dessas, ninguém reclamava. O problema é que, via de regra, há sempre um adolescente barango cantando o último sucesso do Sowetto, Kelly Key ou o funk da moda para o andar inteiro do shopping ouvir. Como o karaokê é sempre disputado, os donos do lugar sempre diminuem os volumes das máquinas de fliperama, mas aumentam o do maldito karaokê, para que o desinfeliz possa ouvir sua própria voz.

No passado, você entrava no fliperama e escutava o "raiúguet" do Street Fighter, barulhinhos de porrada do Final Fight, o motor do carrinho do jogo de corrida, tudo compondo uma orquestra de sons digitalizados acompanhando os ruídos dos botões apertados com fúria e os xingamentos dos jogadores. Hoje, tudo o que você escuta ao entrar no fliperama é um desafinado cantando "Eu não sei paráááááá de te olháááá... Não sei pa-RÁÁÁÁÁ..." (o grito é tão forte que as janelas tremem, as crianças começam a chorar com dor de ouvido).

Não tenho nada contra Videokês. Já até cantei muito neles, devo admitir. Mas tem que haver um ambiente apopriado para eles, de preferência bem longe, num bunker com isolamento acústico à prova de catacombes nucleares. Não no meu, no seu, no nosso fliperama!

 

 

 

 

01 setembro, 2006

 

Superman: "dê um tapa na cara de um japa!"


 

Essa aí é a capa de um gibi do Superman editado durante a participação dos EE.UU. na Segunda Guerra, contra o Japão.



Só não entendi a parte dos "War Bonds" e "Stamps". Será que era alguma forma de financiamento das Forças Armadas deles, tipo "a renda arrecadada com a venda deste selo será revertida para o Projeto Manhattan"?

Achei no blog do Ferréz.

EDIT: Graças à contribuição do nosso prestimoso X-Kuéi, que pesquisou no Wikipedia no lugar do preguiçoso aqui, descobri que "War Bonds" e "War Stamps" eram isso mesmo: formas de financiamento das Forças Armadas americanas na II Guerra. Os "bonds" eram títulos, uma espécie de caderneta de poupança no valor de 25 dólares (que na época eram uma grana boa, equivalente hoje a mais de 300 doletas), resgatável em 10 anos.

Já os selos ("stamps") eram direcionados para as crianças (!), em valores menores (até 5 dólares), e também resgatáveis.

Além de financiar a indústria armamentista e a destruição do Japão, a compra destes títulos e selos ajudou a conter a inflação causada pelo crescimento da atividade econômica, tirando moeda de circulação.

 

 

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