30 agosto, 2006

 

"Não somos racistas"? Não tenho tanta certeza...


 

Se fosse só mais um sociólogo comunista da Fafich por aí, ninguém dava bola, mas o cara é ninguém menos que o próprio "Diretor de Jornalismo da Globo", aí o assunto ganhou pauta nacional.



Ali Kamel conseguiu uma façanha: reunir (no caso, literalmente "re-unir") a esquerda dos movimentos sociais e do PT com os sociólogos da escola paulista liderados por Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso, contra ele. Basicamente (o livro tem 144 páginas, vai encarar?), trata-se de um estudo e manifesto contra a política de cotas raciais - ou ação afirmativa - nos vestibulares e onde mais sobrevier, sob o argumento de que o Brasil é um País miscigenado, e que a verdadeira desigualdade a ser atacada é a social, e não a racial. Mesmo porque, aponta Kamel, o conceito de "raça" na espécie humana já foi há muito desqualificado pela ciência moderna, já que um negro, um branco e um chinês têm todos 99,99... dízima períodica porcento de genes em comum, exceto os que determinam cor da pele e outras perfumarias desimportantes.

Kamel alerta que a política de cotas pode trazer, como reação, ódio social e rancor inter-raças (ou devo dizer, "inter-cores"?) dos que ficarem excluídos. As cotas poderiam assim dilapidar nossa identidade miscigenada e instituir a idéia de um Brasil "bicolor", com divisão de raças e sectarismo à la EUA.

Claro que tudo isso é um reducionismo cretino, já que eu não li nem vou ler o livro do Kamel - nada pessoal, só que há autores mais interessantes mofando na fila de espera da minha estante - e estou me baseando numa entrevista concedida por ele ao Estado de Minas.

De toda forma, o "Não Somos Racistas", assim à primeira vista, parece basear-se em algumas teses simplesmente furadas.

Primeiro que essa história de "país miscigenado" cola só até certo ponto. Não dá pra negar nosso passado escravocrata - e dentre os países que contam, fomos o que demoramos mais para libertar os negros. Apesar da relação sempre promíscua entre Casa Grande e Senzala, as estatísticas apontam que a população "enegrece" à medida em que se desce nas pirâmides sociais. Conta-se nos dedos os negros nos coquetéis da elite tupiniquim; em compensação, um brasileiro negro terá muito mais histórias de discriminação e abuso policial para contar do que um branco da mesma classe social. A miscigenação não exclui o preconceito; a genética pode ser mestiça, mas cor da pele conta muito na entrevista de emprego e nas blitz da polícia. Pergunte a um negro.

Já essa história de política de cotas gerar "ódio e rancor social" soa-me como puro embuste. Nas palavras do Kamel, "o maior perigo de surgir ódio racial é negar um direito a uma pessoa apenas pela cor da pele". O branco favelado que não tivesse acesso à cota racial ia ficar com raivinha do seu vizinho negro. Bom, se o problema for este, acho que o jornalista-sociólogo chegou com atraso: milhões de brasileiros vêem seus direitos constitucionais negados não pela cor da pele, mas por sua origem social. Isso já gera rancor suficiente, vide a crueza com que os jovens pobres se referem aos "playboys do asfalto", e vice-versa, a visão estigmatizada que a classe média faz do "favelado", da "gente feia". Desde que as cotas raciais não existam isoladamente - ou seja, que também os brancos pobres sejam assistidos, como já são, por programas semelhantes como o Pro-Uni, o financiamento estudantil e, futuramente, as cotas para estudantes de escolas públicas nas universidades federais - elas vão atuar justamente para diminuir esta tensão social, dando oportunidades a quem normalmente não teria.

Mal comparando, já que cor da pele não é deficiência: há algum tempo, os concursos públicos e seleções de emprego reservam um percentual de vagas para portadores de deficiências físicas - ou "necessidades especiais", em politicamente-corretês. O sujeito que anda de cadeira de rodas, mas é dotado de plena capacidade mental, e pode inclusive ser filho de família riquíssima, faz o concurso e passa mesmo com uma nota mais baixa que o concorrente que anda em duas pernas, e é pobre até o Bombril da antena. Já viu alguém ficar puto e empurrar deficiente com cadeira de rodas ladeira abaixo por causa disso? Aliás, quando você faz um concurso público ou vestibular e não passa, fica conjecturando sobre quem passou no seu lugar? Ou diz "foda-se" e tenta estudar pro próximo?

O pensamento de Kamel reflete o de boa parte da elite e classe média brasileira, só foi se preocupar com as "injustiças" do vestibular quando esta se virou contra eles. Quando estava a favor, ou seja, o pobre saído de uma escola pública arruinada competindo num vestibular contra o egresso de cursinhos e escolas pagas, não tinha problema nenhum. Chamavam de "igualdade de condições" até...

Quem tiver ânimo pra ler o livro e provar que eu estava errado, favor clicar no "Comments" aí embaixo.

 

 

 

 

29 agosto, 2006

 

Pra não dizerem que os eleitores do Alckmin são todos burros...


 



O poodle, por exemplo, é um animal bastante inteligente. Às vezes, até mais que a dona.

Os anti-Lula organizaram manifestações em Curitiba, Porto Alegre e São Paulo, na Avenida Paulista, reunindo cerca de mil pessoas. Ao todo. E isso de acordo com os organizadores, que sempre puxam os números pra cima. Pra efeito de comparação, um jogo do América em Belo Horizonte pelo Brasileirão da Terceira Divisão costuma mobilizar mais adeptos que a campanha anti-Lula em 3 das maiores capitais do País.

Agora, ridículo é chamar o Alckmin de "Geraldo", como sugere o adesivo da campanha:



Repare que o sobrenome difícil e aparentemente importante aparece duas vezes menor do que o primeiro nome super-ordinário de "homem do povo".

O endereço do site oficial da campanha é "geraldo45.org.br", e não "alckmin45" ou mesmo "geraldoalckmin45".

O truque dos marketeiros é mostrar o ex-governador como um homem do povo, simples, trabalhador, sério. Um Geraldo como você, exceto pela muié super-chique consumidora de Daslu. Se pudessem, os marketeiros do Alckmin mudariam seu primeiro nome para "Severino".

Pelo menos a gente se diverte...

 

 

 

 

27 agosto, 2006

 

Um toque de poesia...


 

Música: Eu vou chutar tua cabeça

Autor: Zorak

"Eu vou chutar tua cabeça até te arrebentaaaar
Depois repito a mesma coisa até te esmagaaaar
Por que nunca aprende essa lição?
Abre a porta, idiota, é o Zorak
Eu vou te estraçalhaaaar

(aplausos)

Vocês são ridículos!
Eu odeio vocês."

Procurem no e-Mule ou muleta que o valha.

 

 

 

 

26 agosto, 2006

 

Cenas urbanas


 

Pequena família sentada numa mesa do Pizza Hut. O caçula, aparentando não mais que 2 anos, sentado à cabeceira, numa daquelas cadeirinhas elevadas para crianças. Os adultos e as crianças maiores conversam sobre um assunto qualquer, enquanto o caçula acompanha atento de seu posto privilegiado, olhando de um lado para o outro, sem entender bulhufas mas com um ingênuo e espontâneo sorriso de orelha a outra.

 

 

 

Foi bom enquanto durou


 

O tocador de CD do meu carro popular não-tão-popular-assim chegou ao final de sua vida útil. Em outras palavras, foi roubado.

Também levaram o estepe quase virgem. Felizmente descobri antes que precisasse.

Deixaram para trás os CDs do Cartola, Tchaikovski e Tim Maia Racional, que estavam no porta-luvas junto com o manual do carro, com suas revisões periódicas religiosamente anotadas (valoriza na hora da revenda, pelo que me disseram). O dito-cujo chegou a abrir o porta-luvas, mas aparentemente não se interessou em meu gosto musical nem no meu esmero como proprietário do carango.

Fiquei também com a parte da frente, destacável, do aparelho, restada inútil exceto nas mãos de um "robauto" desses, que operam à luz do dia nas redondezas da Dom Pedro II sem serem importunados pelas nossas mui honradas autoridades policiais e fiscais. Decerto, alguns policiais civis devem estar rodando por aí com carangos superequipados com o que há de melhor no mercado do som automotivo contrabandeado.

Lembrei-me que, quando comprei o aparelho, há uns 6 meses (até durou muito, considerando o cenário atual de BH), ainda estávamos no horário de verão. O horário de verão acabou e eu nunca consegui acertar o diacho do relógio digital no seu visor. Era um tocador de CD, literalmente, à frente de seu tempo.

Hoje tive que revirar meus entulhos domésticos em busca da pecinha que ficava no painel, para preencher o buraco que meu tocador de CD deixou. Uma reles peça de plástico, para tapar um buraco em meu coração...

 

 

 

 

21 agosto, 2006

 

IstoEca


 

Não bastasse o Alzugaray vender metade das páginas da "IstoÉ" pra informes publicitários da Petrobrás e encher lingüiça com reportagens da americana "Time" que parecem ter saído direto dum "Reader's Digest" da vida, a qualidade do que sobrou da revista caiu vertiginosamente nos últimos meses.

A edição dessa semana é um primor de ruindade. Reportagens sem imaginação sobre a corrida presidencial e sexualidade adolescente, além de um erro crasso de apuração que não passou despercebido aos olhos míopes da águia aqui.

Numa reportagem sobre o degelo provocado pelo efeito estufa no Ártico, o repórter Júlio Wiziack informa os incautos leitores da semanária que "a Groenlândia é a maior ilha do mundo e abriga cerca de 60 MILHÕES de habitantes." De acordo com o Wikipedia, a população da Groenlândia está mais próxima de 60 MIL almas. Na certa o nosso Júlio Wiziack, ou algum editor da casa, achou que 60 mil pessoas era mixaria pruma ilha daquele tamanhão todo, aí resolveram consertar.

Mil ou milhão? Parece que pra classe média empobrecida como eu que lê IstoÉ, não faz diferença.

(É, eu sei, estou virando pouco a pouco um velho ranzinza...)

 

 

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