21 junho, 2006

 

O Rei Está Nu: a História Bizarra das Monarquias


 

Nada como o Wikipedia para satisfazer minha sede diária de cultura inútil e detalhes históricos obscuros que minha professora de História da sétima série tinha preguiça de ensinar - estava contando os anos pra aposentar, a velha...

Quem acha que estudar História não tem graça é porque não foi apresentado aos seus verdadeiros dramas, comédias e bizarrices, em níveis que nenhum ficcionista conseguiria igualar. Liderar uma rebelião para matar o pai, por exemplo, é tema recorrente nas monarquias e impérios do passado. Guerra civil entre irmãos rivais, casamento de tios com sobrinhas, traição e tragédia são também alguns dos ingredientes de toda Casa real que se preze.

Exemplo:

O Príncipe herdeiro Pedro I de Portugal, que reinou lá pelos 1300 e qualquer coisa (não confundir com Dom Pedro I do Brasil) era casado com Constança de Castilha num matrimônio de conveniências, como era comum entre a nobreza. Mas sempre chifrou a muié legítima com uma tal Inês de Castro, com quem inclusive teve 4 filhos. O pai, rei Alfonso IV, não gostava nada das puladas de cerca do rapaz e da influência que a amante exercia sobre ele. A chifruda Constança morreu desiludida em 1345, deixando o príncipe Pedro I viúvo e teoricamente livre pra consumar o casamento com a amante. Mas o rei quer arranjar outro casamento de sangue azul pro filho, a essa altura já embriagado com o chá de perereca da Inês.

Pra pôr fim ao problema, o rei contrata uns capangas pra matar Inês de Castro, degolada em 1355. O filho Pedro, louco da vida, inicia uma guerra civil contra o pai, resolvida somente meses depois, pela intervenção da mãe, a rainha Brites - como numa briguinha em família, exceto claro por alguns mortos e vilarejos saqueados.

Pedro acabaria subindo ao trono 2 anos depois, com a morte do pai. Na cerimônia de coroação, revelou que havia se casado em segredo com Inês de Castro, sendo ela, portanto, rainha-póstuma. Reza a lenda que, para que sua amada fosse para sempre lembrada como rainha de Portugal, Pedro ordenou que ela fosse desenterrada e coroada, com cerimônia de beija-mão e tudo. A pena para o nobre que recusasse a beijar a mão da defunta, com seus 2 anos e pouco de putrefação, era a morte. Este episódio foi imortalizado em "Os Lusíadas", de Camões, e provavelmente é a origem da expressão popular "Inês é morta", ou "Inês tá morta".

Não satisfeito, Pedro ordenou a morte dos capangas contratados pelo pai que haviam degolado a rainha-defunta. Dois deles foram executados com requintes de crueldade: um teve o coração arrancado pelo peito, o outro, pelas costas. Depois do beija-mão, a defunta Inês foi enterrada num mosteiro, e Pedro ordenou que sua sepultura fosse construída de frente para a dela, para que, no Juízo Final, voltassem a se ver imediatamente à ressurreição...

 

 

 

Bussunda: Pena que desta vez é de verdade...


 

Lembram que o próprio Casseta & Planeta, respondendo a um boato do site Cocadaboa, fez piada sobre a "morte" do Bussunda em 2003?

Fizeram uma entrevista com o "morto", publicada no site deles, e até um quadro no programa da TV, onde Bussunda aparecia estendido inerte sobre uma mesa, com os seus companheiros do Casseta & Planeta fazendo as vezes de "ventríloquo de cadáver" para desmentir o boato. O "morto" Bussunda só ressucitou quando o chamaram de vascaíno - era flamenguista doente. Isso foi em 2003.

Taí o link pro Cocadaboa, onde está o vídeo, para não me fazer mentir.

Ele até posou para esta foto:



Os bons morrem jovens. Os ruins envelhecem e vão pra Zorra Total, ou pro SBT. Pensando bem, até que o Bussunda saiu no lucro...

 

 

 

 

16 junho, 2006

 

"Este nunca mais bagunça meu lixo!"


 

André Dahmer é foda!



Visita obrigatória de todos os dias no cyber espaço.

Aliás, se eu não fosse tão preguiçoso e vagabundo (devia me espelhar mais naquele candidato à presidência quase desconhecido, homem sério, trabalhador e Opus Dei que se chicoteia ao pôr-do-sol), iria bolar um roteiro para uma espécie de South Park ambientado ao Brasil, para explorar nosso imenso manancial de contradições midiáticas. Personagens é o que não faltam...

O problema é que o único cara que eu conheço que desenha bem e tem alguma noção de cinegrafia está em Londres, e não cobra cachê em libras esterlinas. Sem chance.

Se bem que, pra fazer coisa do nível de "South Park", não precisa exatamente desenhar bem... Alguém me empresta um pouco de cartolina aí?

 

 

 

 

15 junho, 2006

 

Se os fatos não se encaixam em sua versão, altere os fatos!


 



A Veja publicou essa foto aí em Agosto do ano passado, no auge do blitzkrieg anti-Lula promovido pela grande mídia (liderada pela própria revistona). Era uma manifestação da UNE contra a corrupção, mas preservando Lula. Nas páginas da Veja, virou uma manifestação anti-Lula. A versão completa da história está no site da UNE, no link acima.

A própria revista, depois, arrumou uma desculpa esfarrapada para o equívoco: a culpa seria da Agência que enviou a foto. Mas dá pra entender: tava tão difícil arranjar uma foto verdadeira de uma manifestação popular contra o Lula que tiveram que inventar uma.

 

 

 

 

12 junho, 2006

 

Veja: a culpa é dos "PT-bulls"


 

Falar da Veja é meio como chutar cachorro morto, além do quê já escrevi monografia de 100 páginas sobre a dita cuja e ainda não me recuperei bem do trauma.

Mas não consigo ficar incólume ao ver uma capa dessas numa banca de revistas.



Uns 3 milhões de classes-médias terão acesso às páginas repletas de veneno da edição desta semana, e muitos sairão convencidos que, sim, os "petistas" são animais inconseqüentes, e que o remédio certeiro para o "caos instalado" é o sério, ordeiro, trabalhador e Opus-Dei candidato do PSDB.

Chamar os debilóides que invadiram o Congresso semana passada de "braço armado do PT" só pode ser classificado como grosseira, e proposital, desinformação por parte do semanário da Abril. Para se ter uma idéia, nem o MST - o "Movimento dos Sem-Terra" propriamente dito - se posicionou favoravelmente à manifestação do MLST, e se apressou a explicar que aqueles "sem-terra" não eram os seus. O PSTU, aquele do "contra burguês, vote dezesseis", o partido mais à esquerda do espectro político brasileiro (talvez com a exceção do PCO de Taquinho Carteiro, "quem bate cartão não vota em patrão"), criticou a manifestação do MLST como "ultraesquerdista". Sim, o PSTU chamou os caras de "ULTRAESQUERDISTAS"! Tá duvidando? Então olha no site deles.

Se até o MST e o PSTU acharam que os arruaceiros passaram da conta, como é que podemos classificá-los como "PT-bulls"? Só por conta de um dirigente - já expulso do PT? Se for assim, o PT é cúmplice no quebra-quebra do Congresso do mesmo jeito que o PSDB tem culpa no assassinato de 2 fiscais do Ministério do Trabalho em Unaí (MG), ao que tudo indica a mando do atual prefeito da cidade, o latifundiário Antério Mânica, filiado ao partido e suspeito de empregar mão-de-obra escrava. Se uma maçã podre estraga o balaio todo, então o PFL também tem as mãos sujas de sangue de seu ex-filiado Hidelbrando Pascoal, o coronel que moto-serrava gente no Acre nos anos 90.

Aí a Veja vem dizer que os "sem-terra petistas" - nesta altura do campeonato, chamar um sem-terra do MLST de "petista" rende no mínimo uma foice no olho - são os inimigos da democracia. Sei. E aquele discurso do ACM, apavorado com medo de levar uma (merecida) sova no dia do tumulto, conclamando os "comandantes militares a agir antes que fosse tarde", para evitar que o Brasil virasse uma "ditadura sindical" nas mãos do "homem mais corrupto a chegar à presidência do Brasil"? Parece coisa de Abril de 1964, mas não, esse absurdo foi proferido e ouvido na semana passada, na Câmara dos Deputados. Taí o link, pra não me deixar mentir.

Cá entre nós, quem representa o maior perigo à democracia brasileira: um senador da República, com 4 concessões da Globo na Bahia, com trânsito livre entre as chefias de redação (a ponto de ver seus pontos-de-vista imediatamente transmutados em capas de Veja) e meios empresariais do País, viúva da ditadura e seus porões, proferindo discursos abertamente e desavergonhadamente golpistas, ou meia-dúzia de baderneiros juntados às pressas para quebrar vidraça?

Disse a Veja também que a reação do governo foi "pífia", apesar de centenas de invasores terem sido presos - havia inclusive crianças, sendo estas levadas ao Conselho Tutelar - e o líder da bagaça ter sido expulso do partido. Veja manifesta preocupação com a violação da "casa das leis" pelos "inimigos da democracia", ao mesmo tempo em que parece insatisfeita com a reação do governo, que foi o máximo que podia fazer dentro da lei - e ainda forçando um pouco a barra, já que os seguranças do Congresso não têm poder de polícia para prender ninguém nem fazer B.O., como na prática fizeram. Qual será a reação que Veja esperava? Certamente uma à altura dos "bastiões da democracia" do PFL e PSDB, ou seja, uma reação à la Eldorado dos Carajás.

Estes canalhas da política e da imprensa, que outro dia mesmo estavam pedindo ao PT para "respeitar a dor" dos paulistanos e não explorar o caos - este sim, perigoso e revelador de mil mazelas - instaurado pelo PCC e pela PM em São Paulo, agora querem se aproveitar de qualquer pretexto, qualquer aparente ameaça, para derrubar um governo apenas ligeiramente esquerdista e progressista, mas que desfruta de um amplo apoio popular. Vão perder em Outubro, mas continuarão aí, com a mesma conversa de maus perdedores.

Se eu tivesse 5 minutos daquela tribuna do Senado onde o ACM falou aquele monte de merda reacinária, ia dizer que ACM, Bornhausen e todo o PFL são umas viúvas da ditadura que tem as mãos manchadas do sangue de Vladimir Herzog e tantos outros que lutaram para libertar o Brasil da canalha que usurpuou o poder do povo em 1964, que são uns cínicos, corruptos e covardes que contratam pra matar porque não são homens para tanto, e antes que o ACM me desse um soco ainda ia gritar um "filho da puta" pra ser ouvido lá da ponta da Asa Norte.

Mas tudo bem, a Copa do Mundo taí, e para o bem do meu fígado o noticiário político deve cessar nos próximos dias.

 

 

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