31 maio, 2006

 

O Ufanismo está em todos os canais!


 

No último domingo, como em todo último domingo de Maio desde 1909 (exceto Guerras Mundiais), aconteceu nos Estados Unidos o evento mais tradicional do automobilismo mundial, as 500 Milhas de Indianápolis. Claro, quem só assiste a Rede Globo, mesmo que seja aficcionado por automobilismo, jamais ficaria sabendo, já que para a Globo os eventos esportivos cujos direitos de transmissão pertencem a outras emissoras não existem. Fórmula Indy na Globo só é notícia se morrer alguém.

Bem, ficar livre da Globo até que não é um mau negócio, já que pelo menos ficamos livres pelo menos por um tempo de Galvão Bueno e suas ufanices. Mas do outro lado está o veterano Luciano do Vale. Sair do Galvão pro Luciano é sair da frigideira pra cair no fogo.

Pra ser sincero, o Luciano não incomodou muito durante as quase 3 horas de duração da corrida de 500 milhas (ou 805 km). Só no finalzinho da corrida é que veio a patascada ufanista: enquanto na pista os americanos Sam Hornish Jr. e Marco Andretti - filho do veterano Michael (que também correu) e neto de Mario, campeão mundial de Fórmula 1 em 1978 - travavam um pega emocionante pela vitória, com Hornish batendo o jovem Andretti por 5 centésimos de segundo com uma ultrapassagem na reta final, na última volta (algo nunca visto em 90 anos da corrida), nosso obeso narrador se lamuriava pelo fato de um brasileiro (o Tony Kanaan) não ter vencido. Quem ouvia a narração e não via a imagem achava que não estava acontecendo nada demais.

Pra se ter uma idéia, a foto-chave que decidiu as 500 depois de quase 3 horas de corrida:



Esse carro parecendo um pacote de Marlboro estava atrás do carro azul na hora que eles entraram na reta. Na última reta, da última volta. E o que o do Valle me diz, depois de narrar burocraticamente a chegada da corrida: "Que pena, não deu pro Kanaan..."

Pena que a Itatiaia não trasmite as 500 Milhas, senão abaixava o volume da TV pra ouvir o Willy Gonser berrando as amígdalas pra fora...

 

 

 

 

27 maio, 2006

 

A Soma de Todos os Medos


 

O Chorão da banda Charlie Brown Júnior vai dirigir um filme. E já existe uma promoção na Rádio JP (Jabá Pan) pra escolher um dos atores do tal filme entre os ouvintes da rádio.

Graças à Lei de Incentivo a Cultura, existe uma chance boa da película de Chorão ser financiada indiretamente com dinheiro público, já que as empresas que incentivam "projetos culturais" como este podem deduzir a despesa dos impostos que pagam. É essa Lei, aliás, que viabiliza boa parte das obras de arte do nosso cinema, tais como "Gatão de Meia Idade" e "Xuxa e os Duendes XVIII - O Retorno do Gnomo".

ANCINAV? Criação de imposto sobre blockbuster estrangeiro para financiamento do cinema nacional? Controle social para o financiamento público? Não pode. O Jabor e o Cacá Diegues disseram que isso é "estalinismo".

 

 

 

 

25 maio, 2006

 

"Mas ainda há que se falar na hipótese da reeleição do Lula?"


 

Eis aqui o autor da brilhante frase acima, numa edição do "Primeiro Jornal" da Band, em Julho do ano passado.



Fernando Vieira de Mello, apresentador do "Primeiro Jornal". Quem o vê assim, com esse olhar confiante (quase satânico) no meio de duas modelos-jornalistas (a morena do lado direito está com cara de prisão-de-ventre), poderia até levar a sério suas elaboradas profecias políticas. "Ninguém agüenta tantas manchetes e capas de Veja", pensou ele e tantos outros na mídia gorda.

A grande imprensa brasileira fez seu próprio julgamento em questão de dias após a "bomba" de Roberto Jéfferson, e condenou Lula e o PT, muito antes que qualquer tribunal razoavelmente sério do mundo pudesse chegar a alguma conclusão. Direito de defesa? Apresentação de evidências? Pra quê? Para os donos da mídia, estes são meros "detalhes burocráticos" para protelar o veredicto "óbvio": Lula e o PT "roubaram" (termo coloquial genérico para designar desvios de conduta completamente diferentes entre si), por isso devem ser escorraçados para o esquecimento (como Collor), devolvendo a rapadura para os seus "legítimos donos". Se, porventura, o Congresso ou o Poder Judiciário chegar a uma conclusão diferente da mídia, a explicação está na ponta da língua: "pizza". A meia-dúzia de famílias donas da mídia brasileira - que preferem ser chamadas de "opinião pública" - nunca erra em seus julgamentos.

É por isso que as recentes pesquisas de opinião e a possibilidade cada vez maior de uma vitória maiúscula de Lula são tão representativas. Nem tanto pelo "conjunto da obra" da gestão Lula, que apesar de vários feitos notáveis e inéditos ainda não passa de uma grande decepção em relação às expectativas e possibilidades em jogo. Mas pela ruptura que ela evidencia, entre a opinião do público e a auto-proclamada "opinião pública"; entre os "formadores de opinião" e a opinião formada. Estaria a grande mídia brasileira perdendo seu monopólio de consciências para o livre fluxo da internet, o boca-a-boca, a pequena (mas por vezes mais confiável) mídia e, talvez principalmente, para a própria percepção individual das pessoas nas gôndolas de supermercados e contas bancárias, que às vezes refletem uma realidade bem mais rósea que aquela pintada nas manchetes?

Mais do que uma mera disputa política, está em jogo o verdadeiro poder da mídia. Uma vitória do Lula deixará os Jabores da vida completamente desmoralizados. Só isso já compensa todos os Marcos Valérios que possam aparecer no segundo mandato. Bom, talvez não seja para tanto...

 

 

 

Pesquisa CNT/Sensus: Lula leva no 1º turno em QUALQUER CENÁRIO!


 

Em meados de Junho/Julho do ano passado, quando só se falava em mensalão e Marcos Valério, a besta aqui lançou o desafio: um engradado de cerveja na reeleição do Lula. Me chamaram de maluco, mas ninguém foi macho pra casar a aposta.

Hoje, estou pensando em aumentar minha aposta, já que tudo indica que Lula leva a reeleição já no primeiro turno. Essa pesquisa da CNT/Sensus que saiu hoje dá vitória a Lula sem necessidade de segundo turno em todos os cenários realistas possíveis: com Garotinho, sem Garotinho, com Itamar, sem Itamar, com Enéas, sem Enéas. Acho que só mesmo um "retorno das cinzas" do José Serra poderia forçar um segundo turno, mas essa possibilidade aparentemente foi considerada muito remota pelo CNT/Sensus (muito embora, penso eu, alguns líderes tucanos e pefelês ainda tenham Serra como um "Plano B").

A pesquisa foi feita entre 18 e 21 de Maio, portanto já absorveu os efeitos eleitorais dos arranca-rabos da semana passada em Sampa. Agora que resolveu botar a cara no resto do País, Alckmin foi atingido em cheio pela repercussão negativa causada pela crise do PCC no Estado que governava até outro dia, perdendo a confortável posição de "outsider" desconhecido e ganhando uma rejeição de 40,6%, maior que a do bombardeado Lula, que é de 34,7%.

Alguns números:

Cenário 1 (Garotinho):

Lula: 40,5%
Alckmin: 18,7%
Garotinho: 11,4%
Heloísa Helena: 6,1%

Cenário 2 (Itamar no lugar do Garotinho):

Lula: 42,1%
Alckmin: 19,3%
Helô Helê: 8,7%
Itamar: 6%

Cenário 3 (PMDB sem candidato)
Lula: 42,1%
Alckmin: 20,8%
Helô Helê: 8,3%
José Alencar: 3,8%

Cenário 4 (lista completa)
Lula: 40,9%
Alckmin: 18,5%
Garotinho: 7,9%
Helô Helê: 6,8%
Enéas: 1,8%
Roberto Freire: 1,5%
Cristóvam Buarque e Eymael (um democrata cristão... lembram?): 0,5% cada

Engole isso, Diogo Mainardi!

 

 

 

 

23 maio, 2006

 

"Rola de emprestar cinqüentinha... BILHÕES?"


 

Putz, e eu que achava que o Brasil é que era a terra da hiperinflação...



Cédula editada em 1993 na antiga Iugoslávia, no singelo valor de 50 bilhões de dinares.

Acho que o máximo de valor nominal que chegamos a ter em uma cédula aqui foi 500 mil cruzeiros, naquela cédula verde do Villa Lobos (nas costas tinha uma vitória-régia). Sempre que chegávamos próximo à banalização do milhão, cortavam 3 zeros da economia.

Engraçado lembrar o tempo em que qualquer coisinha, às vezes até uma bala ou figurinha, era medido em "mil cruzeiro". Pra molecada de 1994 pra cá, que acha que o Real, telefone celular e micro-computador foram trazidos nas caravelas, falar em "mil cruzeiro" não faz mais sentido algum.

Lembrete: a Iugoslávia, que depois virou Sérvia e Montenegro, acabou de se separar num plesbiscito. Agora a Sérvia foi prum lado e Montenegro pro outro. Só falta agora separar o Monte do Negro pra completar a fragmentação da velha Iugoslávia de Tito.

 

 

 

 

20 maio, 2006

 

Ferréz: "Polícia está matando inocentes na periferia de São Paulo"


 

O escritor Ferréz, nascido e criado em Capão Redondo, periferia de São Paulo, está denunciando em seu blog, e nesta entrevista à Agência Carta Maior, que os policiais civis e militares estão aproveitando o "vale-tudo" na recente guerra aberta com o PCC para intensificar a política de extermínio nos bairros pobres da metrópole.


"Hoje os policiais estão desfilando aqui na rua com toca ninja e camisa Le Coq, que é um grupo de extermínio da polícia. (...) Acho que a máscara vai cair uma hora. Quando divulgarem os nomes, vão ver que muitas das pessoas não têm passagem, não têm nada a ver com a coisa. Isso se contarmos somente as mortes que foram assumidas, porque o IML falou que está cheio de cadáveres que não há como identificar."




Já o governador do Estado, Cláudio Lembo, do PFL, botou a mão no fogo pelos seus policiais. Não acredita na versão da matança. Acha que, cedo ou tarde, vão descobrir que todos os 107 mortos até agora pela polícia são de fato "bandidos". O que não for esclarecido será esquecido, presume-se.

Cento e sete mortos. Mais quatro, e o vice de Alckmin iguala a marca de Fleury no Carandiru. Com a diferença que os mortos no Carandiru eram pelo menos condenados pela Justiça, ou presos em flagrante aguardando julgamento (não que isso justifique alguma coisa, claro). Sobre os mortos de agora, não se pode dizer quase nada. Aliás, não se sabe nem quem são.

Mesmo assim, Lembo virou sensação entre alguns esquerdistas mais deslumbrados e assunto em mesa de boteco, por ter criticado a "elite branca" pela situação social da maior cidade do País, numa entrevista concedida à Folha repleta de lugares comuns avermelhados. Afinal de contas, não é todo dia que se vê um Pefelê criticando a "burguesia" - como se ele, Cláudio Lembo, andasse de Fusca e comesse feijão com farinha.

Esquerdismo de conveniências, isso sim. A mim esse aí não engana.

 

 

 

 

17 maio, 2006

 

Carta para um Inimigo


 



Aí em cima está o link para a íntegra da carta do Presidente do Irã, Mahmud Ahmadi Nejad, traduzida pra espanhol.

Pra quem não gosta da língua espanhola (que, como disse Chico Buarque, não passa de uma corruptela do português), o site oferece opções como francês, russo, persa e azari (língua falada no Azerbaijão e parte do Irã).

Mino Carta disse que, se tirar o ranço anti-Israel e as referências a Deus e Jesus Cristo, o documento fica até razoável. Só que aí vai metade da carta embora...

 

 

 

Podem me citar depois


 

Minha bola de cristal confirma o seguinte:

- A Petrobrás não vai quebrar nem ficar (muito) mais pobre por conta do tumé que vai levar com a nacionalização na Bolívia. O gás natural (não o de cozinha, que é outro, ô seus editores de IstoÉ burros!) vai encarecer, mas não vai ser nada para se lembrar depois de um mês. E o Evo e o Chávez não vão comer criancinha de madrugada (o Chávez gosta mesmo é dos churros da Dona Florinda).

- Sem Garotinho, Lula leva no primeiro turno, apesar de revistona publicando dossiês feitos por fonte aparentemente idônea e acima de qualquer suspeita, o Daniel Dantas, o "banqueiro bomba". Por sinal, a única coisa que vai "explodir" com a bomba de Dantas é o que resta da reputação da própria revista.

- Será institucionalizada uma nova categoria profissional no Brasil: os formadores de opinião que não formam opinião. Seu arauto será Arnaldo Jabor, acompanhado de perto por Alexandre Garcia, Regina Duarte, Cristiane Torloni, Diogo Mainardi, Joelmir Beting, Civitas, Frias e os derrotados da Band. Reunidos num sindicato, vão reinvidicar psicanálise de graça para dirimir as questões associadas ao paradoxo de suas existências.

- São Paulo não vai virar um lugar mais seguro enquanto os carcereiros não pararem de levar celular pra cadeia em troca de um cafezinho, e as dondocas de classe média continuarem caindo no velho trote do "a Luluzinha foi seqüestrada, o resgate são 500 créditos de celular".

 

 

 

 

13 maio, 2006

 

Curiosidade infantil


 

Não posso esperar pra ver a capa da Veja do "direito de resposta" do Garotinho.

Não que eu me simpatize com o sujeito, mas a atitude da Justiça neste caso foi mais que louvável. Tem que penalizar a mídia marrom onde mais dói - no que resta de sua reputação, e conseqüentemente no bolso.

O problema é que, se a Veja do "direito de resposta" vender bem nas bancas, é perigoso o semanário gostar (mais ainda) da idéia, e forçar uma capa com o "direito de resposta" do Lula, Itamar, Heloísa Helena e até do Chávez e Morales.

 

 

 

 

12 maio, 2006

 

O retorno triunfante dos desenhos de massinha da Tchecoslováquia


 

Abaixo, uma cena de "Pat & Mat", um dos famosos desenhos de massinha feitos no Leste Europeu, exibidos na TV Cultura e na TVE entre os anos 80 e 90:



O mais notável é a capacidade dos criadores em contornar planos qüinqüenais e economia planificada para darem vida a isso.

 

 

 

 

09 maio, 2006

 

O SUBMUNDO agora é internacional!


 

Para comprovar o prestígio e a fama além-fronteiras deste subestimado blog: um argentino (ou uma argentina, não sei bem), apareceu aqui dia desses e deixou um comentário bastante amistoso, comprovando a amizade entre nossos povos vizinhos, chamando este autor de "negro de mierda".

O link tá aí em cima. Além de racista, analfabeto e torcer pra um time com nome de cerveja barata, ele (ou ela) demonstrou ser um completo sem noção, fazendo comentário sobre um texto postado há mais de um ano! Pra qeum não é do ramo, isso é o equivalente em internetês a rir de uma piada com 15 minutos de atraso.

De toda forma, gracias, hermanito(a). Espero que o próximo argentino que apareça por aqui saiba xingar em bom espanhol, que - dizem - é a língua mais abrangente do mundo em termos de ofensas e palavrões. Ao invés de um simples "puta que pariu", os caras atacam de "me cago en la virgen e todos los santos". Muito mais legal.

 

 

 

 

08 maio, 2006

 

Cocadaboa não perde a piada


 

Depois de uns tempos sumidos, o Mr. Manson e seu "Cocadaboa" estão de volta com sua verve característica. Inventaram uma matéria da Ilze Scamparini (correspondente da Globo em Roma) que parece coisa de profissional (se bem que "profissional" em jornalismo brasileiro não quer dizer muita coisa):

Trecho:

"Muito preocupado com o estado de saúde do ex-governador, Bento XVI pediu para que tanto Garotinho quanto as Organizações Globo e a Revista Veja deixem de lado atitudes radicais e busquem uma via de entendimento. Segundo ele, ficar sem comer, exibir reportagens de Régis Roesing ou publicar as colunas do Diogo Mainardi são atitudes irracionais que não levam a lugar algum."

Sobre essa história toda, por incrível que pareça, acho que o Little Boy tem razão, pelo menos quanto à necessidade de monitoração internacional das eleições deste ano. Uma Fundação Jimmy Carter fiscalizando nosso processo eleitoral não ia doer nada. Se tiver como monitorar a cobertura da mídia sem ser tachado de "estalinista" (neguinho nunca deve ter visto um gulag pra ficar falando em estalinismo como se fosse uma simples apurrinhação passageira), melhor ainda. É bem verdade que eleição monitorada tem cheiro de república bananeira, mas se até nos EUA tá dando treta, quem somos nós para esnobar ajuda?

 

 

 

Trocadilho infame de fabricação própria


 

Estadão: o jornal de quem pensa ÃO...



... mas vota no AlckmINHO.

Aliás, estampar Fernanda Young e Luciano Huck como referência intelectual - gente que pensa "ão" - é de lascar. O único talento aparente da Young parece ser escrever sobre sexo e cocô com alguma autoridade. Pô, mas isso até eu faço! E olha que ao longo da minha vida caguei e transei menos do que ela - até por uma questão de idade.

 

 

 

 

05 maio, 2006

 

As Pérolas do Óbvio, por Gilberto Barros


 

A governadora Rosinha Matheus, muié do pré-candidato à Presidência Anthony Garotinho (que achou que teria uma melhor chance ao Planalto filiando-se a um partido notório por virar a casaca e deixar seus pretensos presidenciáveis a ver navios - vide Itamar Franco em 98), deu uma entrevista ontem ao conceituado programa de TV de Gilberto Barros, o Leão, refutando as acusações feitas contra o maridão esfomeado e criticando a Rede Globo (para o deleite da concorrência, obviamente). Disse também que Garotinho vai levar a greve de fome às "últimas conseqüências".

Aí interveio o sempre didático Gilberto Barros, com a seguinte pergunta:

"Mas a última conseqüência desta greve de fome... é a morte, governadora?"

Faltaram palavras pra governadora anã. Pra mim também.

 

 

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