30 outubro, 2005

 

Cuba ou Itaú?


 

A capa da Veja desta semana causou um grande alvoroço entre os velhotes de sempre da direita brasileira, que cogitam agora, além de impeachment do Presidente, em cassar o registro do PT, na prática impedindo a candidatura de todos os petistas a qualquer cargo político em 2006.

Fica no ar, contudo, a seguinte questão: receber dinheiro de Estado estrangeiros é pior do que receber dinheiro de grandes bancos e empresas privadas?

O Itaú, Bradesco, Unibanco e outros bancos privados do País, que contribuiram para as campanhas eleitorais dos dois principais candidatos à Presidência em 2002, têm muito a ganhar com esse "investimento". Coincidência ou não, o Meireles vem mantendo no Banco Central uma política de juros altos além do necessário - mas não igual à do governo FHC, diga-se de passagem, quando os juros chegaram a quase 50% ao ano - que ajuda a engordar os lucros dos grandes bancos. O mesmo se aplica à Monsanto, que está levando a melhor com a política vacilante do governo federal em relação aos trangênicos, para a contrariedade dos ambientalistas e do MST.

Mas o Fidel, o que tem a ganhar dando míseros 3 milhões de dólares pro Lula? Que eu saiba, Cuba não está ganhando petróleo subsidiado do Brasil, mas da Venezuela. O comércio entre Brasil e Cuba continua raquítico como sempre, e mesmo que tivesse aumentado, isso não seria ruim para a economia. Pelo contrário. Além do quê, o PT e o comunismo de Cuba sempre foram aliados históricos. Não vejo o que 3 milhões iam mudar nessa relação.

Os dólares que afrontam a soberania e a imparcialidade do governo brasileiro vêm aqui de dentro mesmo. E nem sempre de contribuições ilegais. A grande mídia não vai dizer nada disso porque quer manter seus anunciantes - e o mar não está pra peixe para os mega-conglomerados da mídia; vide a Globo.

Aliás, dizem que a NRA, a Associação Nacional do Rifle dos EUA, principal grupo lobbista da indústria armamentista americana, deu uma larga contribuição para a campanha do "Não" no último referendo. Claro que por baixo dos panos. Tudo bem que a campanha do referendo foi organizada por frentes supra-partidárias, mas o que acontece com os envolvidos, se for verdade? Se for pra criar imbróglio político, que seja para todos!

 

 

 

2006 será um novo 1964? *


 

Deixa eu ver se entendi:

A revista que publicou essa capa...



... é a mesma que publicou essa aqui embaixo, há uns meses atrás?



Ainda bem que a União Soviética não existe mais. Senão essa revista ia sair com uma capa "denunciando" que o PT, na verdade, está agindo "a soldo de Moscou".

O novo presidente do PT, Ricardo Berzoini, respondeu lembrando que a Veja até agora não provou a denúncia de que as Farc estariam doando dinheiro pro partido. E disse que a revista "virou panfleto de segunda linha do PSDB e do PFL".

Devo confessar que não sou fã desse Berzoini, um político que é a cara do "Campo Majoritário" invertebrado e "despetizado", que poderia muito bem estar em outro partido qualquer como o PMDB, o PPS ou o próprio PSDB. Entre outras coisas, pela sua desastrosa passagem pelo Ministério da Previdência (quando convocou os velhinhos de mais de 90 anos a comparecer nas super-lotadas agências do INSS para provar que estavam vivos), e por promover o irmão de uma gerência média no Banco do Brasil aqui em BH pra direção geral em Brasília (depois eu explico esse caso). Mas gosto da atitude dele de revidar às críticas, ao invés de simplesmente se esconder, como o PT vinha fazendo até sua eleição. Associar o Bornhausen à ditadura, por exemplo, foi algo que eu achava que só o Submundano aqui tinha coragem de fazer.

Enfim, quero ver o pau quebrar. E mantenho minha aposta de um engradado de cerveja na reeleição do Lula em 2006. Alguém vai encarar?

(*) - Milen dizia que "2002 seria um novo 1989" antes da eleição do Lula, no tempo do "Carol". Errou. Tomara que eu também esteja errado.

 

 

 

 

28 outubro, 2005

 

Herr Bornhausen


 



Foto: cortesia do site "Diário Vermelho", do PCdoB


Os pefelistas ficaram tiririca com esses cartazes espalhados por Brasília, sacanendo o abutre da ditadura Jorge Bornhausen. De acordo com o sindicalista petista Avel Alencar, responsável pelos cartazes - e que vai responder a processo por calúnia - a associação de Bornhausen com o nazismo foi inspirada em uma declaração do próprio, em uma palestra para empresários paulistas, dizendo que, com a crise petista, "vamos nos ver livre dessa raça durante pelo menos trinta anos”.

Em resposta aos cartazes - bancados, segundo o autor, com dinheiro próprio - lideranças passaram da conta: o próprio Bornhausen disse que o Ministro do Trabalho, Luís Marinho, e o governo federal estariam por trás da iniciativa. Talvez o abutre da ditadura não esteja familiarizado com o regime democrático, onde qualquer cidadão com 1.000 conto no bolso é capaz de expressar sua opinião imprimindo cartazes por aí, sem o apoio de grupelhos políticos ou grandes bancos.

Já o líder do PFL na Câmara, deputado Luís Carlos Aleluia, disse que o governo Lula é que tem perfil "nazi-facista", e associou o presidente a Hitler ou Stalin. "Não sei com quem ele se parece mais", disse.

Quer dizer, responderam a uma calúnia (bem elaborada, pensada e diagramada, diga-se de passagem) com outras calúnias, grosseiras e sem imaginação. É mesmo falta de costume com a democracia: no tempo em que o PFL (sob a roupagem da Arena) mandava no País, respondia-se a cartazes abusados com porão e pau-de-arara. Vide o Herzog, que foi "suicidado" por muito menos.

O Sérgio Motta previa que a supremacia tucana duraria 20 anos. Chegou a 8. Hitler falou em Reich de 1.000 anos e mal chegou a 10. O Bornhausen quer se livrar da "raça" esquerdista por 30 anos, mas nem os milicos chegaram a tanto. Essa "raça" é chegada em previsões megalômanas...

Detalhe: no cartaz, "Herr Bornhausen" está segurando uma Veja nas mãos, trazendo a manchete (inventada) "Juntos Contra o PT", sobre uma capa que já existia.

 

 

 

 

24 outubro, 2005

 

O Adeus à Minardi


 



A quarta equipe mais antiga da Fórmula 1 (depois das tradicionais Ferrari, McLaren e Williams) e uma das mais queridas entre os fãs do automobilismo vai deixar de existir a partir do ano que vem. O fim da escuderia italiana tem a cara de nossos dias: foi comprada pela multinacional de energéticos Red Bull, que já tem uma equipe na Fórmula 1, a Red Bull Racing, para ser utilizada como uma "equipe júnior" da principal, testando pilotos novatos patrocinados pela empresa - uma espécie de "jabaculê" do automobilismo. Ignorando o apelo de milhões de fãs pela internet afora, que assinaram uma petição para que a Red Bull mantivesse o nome da equipe, os marketeiros da bebida modernosa rebatizaram a escuderia como "Squadra Toro Rosso" - em italiano, "Equipe Touro Vermelho (Red Bull)".

A nova equipe deve utilizar, pelo menos a princípio, a mesma estrutura e pessoal da antiga Minardi, baseada em Faenza, Itália. Mas a Minardi como conhecemos - independente, romântica, quase amadora, movida mais pela paixão do que pelo dinheiro - morreu no último GP da China (última etapa da temporada 2005).


Fundada por Giancarlo Minardi (herdeiro de uma concessionária FIAT) em 1979 como uma equipe de Fórmula 2 (extinta categoria de acesso à Fórmula 1), a Minardi colecionou desde cedo muitos fracassos e raros triunfos, mas revelou, ainda na F-2, jovens talentos do automobilismo como Alessandro Nanini e Michele Alboreto. Alboreto, aliás, gravou seu nome na História como o único piloto a conseguir uma pole-position e vencer uma corrida pilotando uma Minardi - ambas as façanhas cometidas no campeonato europeu de Fórmula 2 de 1981. Ao final de uma bem sucedida carreira na Fórmula 1 (cujo ponto alto foi o vice-campeonato de 1985), Alboreto voltou à Minardi para correr sua última temporada, em 1994. Morreu em 2001, testando um esportivo Audi na Alemanha.



Michele Alboreto, vencedor da etapa de Misano do campeonato europeu de Fórmula 2 de 1981.

Em 1985, apesar dos minguados resultados obtidos na Fórmula 2, o teimoso Giancarlo Minardi resolveu tentar a sorte entre a elite do automobilismo, e inscreveu o carro de nº 29, pilotado pelo jovem italiano Pierluigi Martini, no GP do Brasil de Fórmula 1, em Jacarepaguá. O resultado não poderia ser mais a cara da Minardi: na qualificação, Martini foi o último colocado, marcando uma melhor volta 16 segundos mais lenta que a do pole-position e ex-revelação Michele Alboreto (agora pilotando uma Ferrari); na corrida, o motor quebrou pouco antes do fim, quando Martini já estava há quase 20 voltas dos líderes.



Apresentação da Minardi para a estréia na Fórmula 1; Martini ao volante

Equipada com um motor turbo pesadão e experimental, o Motori Moderni, a equipe se arrastou pelas 3 temporadas seguintes sem marcar um ponto sequer. Sem resultados, os patrocinadores fugiam; sem patrocinadores, faltava grana; sem grana, faltava desenvolvimento; sem desenvolvimento, nada de resultados. A Minardi cedo entrou no mesmo círculo vicioso que levava à bancarrota todas as equipes pequenas da Fórmula 1. Todas, menos ela.

O vento começou a virar para a Minardi no GP dos EUA de 1988. Ausente da Fórmula 1 desde a temporada inaugural de 1985, o pioneiro Pierluigi Martini estava de volta ao volante. Em uma corrida onde apenas 8 carros chegaram ao fim, Martini foi o sexto colocado, marcando o primeiro ponto da história da Minardi. Era o início de um dos mais longos e felizes casamentos da Fórmula 1. Martini também "desvirginaria" sua Minardi em outras duas ocasiões: no GP de Portugal de 1989, foi o primeiro (e único) piloto a liderar uma volta de um Grande Prêmio a bordo de uma Minardi; em Phoenix (EUA), no ano seguinte, foi o primeiro e único a colocar uma Minardi na primeira fila do grid de largada, ao lado da McLaren de Gerhard Berger.

Em boa parte graças ao talento de Martini, a equipe teve um ligeiro crescimento a partir de 88, passando a andar entre as equipes médias da época e não raro levando a melhor sobre competidoras bem mais endinheiradas e tradicionais. Isso só era possível, claro, em uma época em que equipes de Fórmula 1 eram empresas familiares, geridas por "bon-vivants" aficcionados, que muitas vezes bancavam as equipes do próprio bolso. Os carros eram mais ou menos projetados em pranchetas, não em laboratórios ultra-milionários como hoje.

A melhor temporada da Minardi foi a de 1991, ano em que obteve motores Ferrari (defasados em um ano) graças a uma parceria com a "prima rica". Naquele ano, a equipe ficou em 7º lugar, marcando 6 pontos, todos eles conquistados por (adivinha quem?) Pierluigi Martini (foto abaixo).



A partir daí, a Fórmula 1 começou a ficar mais cara, com o advento do câmbio semi-automático, controle de tração e outras veadagens tecnológicas. As equipes pequenas foram caindo aos poucos: em 1991 haviam 18 equipes disputando o Mundial, em 92, caíram para 16, em 93, para 13. A parceria com a Ferrari acabou depois de um ano, e os italianos foram caindo na pindaíba. Fizeram uma boa temporada em 1993, quando marcaram 7 pontos (recorde histórico), mas daí pra frente foi ladeira abaixo.

O trágico GP de San Marino de 1994, que custou a vida de Ayrton Senna e Roland Ratzenberger, forçou a Fórmula 1 a reforçar a preocupação com a segurança dos carros. Os custos envolvidos com as modificações - somados aos avanços da tecnologia - provaram-se pesados demais para as pequenas equipes, sem apoio de grandes patrocinadores ou montadoras. A partir de 1996 - e com Pierluigi Martini já aposentado - a Minardi entrou num jejum de quase 4 anos sem pontuar no campeonato. Mudando de donos, mas sempre sem dinheiro, a equipe logo se viu ocupando sozinha as últimas posições, como a "última dos moicanos" entre as equipes pequenas, transformando-se em uma espécie de Tabajara FC do automobilismo. Sem querer, Giancarlo Minardi e seus bambinos levaram ao extremo o lema "o importante é competir".

O destino ainda reservaria pra Minardi alguns momentos "Davi versus Golias", e outros momentos... "Minardi" mesmo. No chuvoso e épico GP da Europa de 1999, os italianos tiveram um pouco de ambos: com uma dose de estratégia e sorte, as duas Minardis trocaram os pneus no momento certo e mantiveram-se na pista enquanto a concorrência batia cabeça. A poucas voltas do fim, Luca Badoer estava em 4º e seu companheiro Marc Gené em 5º, garantindo 5 pontos para a escuderia - a Minardi nunca havia marcado tantos pontos em uma só corrida. Mas Badoer era o próprio "Charlie Brown" da Fórmula 1: na hora de reduzir uma marcha, a caixa toda foi pro caralho.



Até esta data, Badoer permanece com a inglória marca de ser o piloto que participou de mais grandes-prêmios de Fórmula 1 sem ter marcado um único ponto. Isso que dá correr a maior parte da carreira pela Minardi...

Em compensação, o novato Gené conseguiu manter-se à frente da toda poderosa Ferrari de Eddie Irvine, que estava lutando pelo título, e terminar em 6º, marcando um pontinho salvador - o primeiro desde 1995.

Nas temporadas seguintes, a Minardi foi comprada por um empresário australiano falastrão, o Paul Stoddart. Mas já era muito difícil competir com as grandes montadoras, que passaram a dominar a categoria na virada do Século. O último momento "Davi versus Golias" da Minardi foi no GP da Austrália de 2002, quando o estreante Mark Webber, correndo em casa, conseguiu chegar em quinto, segurando a Toyota do Mika Salo que vinha bufando atrás dele com todo aquele orçamento de 300 milhão de dólar. Ao tentar fazer uma ultrapassagem, Mika Salo rodou, para delírio da torcida australiana.



A Minardi vai, mas fica o exemplo de superação e determinação, e a certeza de quem tenta demais e passa da conta só se fode, mas se diverte.



EDIT: Tive que mudar algumas fotos porque boa parte delas estava baseada no site oficial da Minardi, que também bateu as botas.

 

 

 

 

22 outubro, 2005

 

Trote do Cocadaboa pode influenciar resultado do referendo


 

Quando é que as pessoas vão aprender a não acreditar em tudo o que está escrito, gravado, filmado e, principalmente, distribuído por e-mail?

Quando é que as pessoas vão entender que qualquer adolescente mais ou menos articulado morando em Maringá pode escrever uma crônica horrorosa sobre mulheres, assinar como Arnaldo Jabor ou Luís Fernando Veríssimo e mandar por e-mail para sua lista de amigos, para ser repassado ad-infinitum e dar voltas pelo cyber-mundo?

Fomos instruídos, desde o advento da escrita, a acreditar no que líamos. Custava caro imprimir qualquer coisa, até um milhar de panfletos para distribuir na rua, portanto acreditávamos que ninguém fosse gastar uma grana preta se não por uma boa causa. A imprensa solidificava a verdade: se saísse no jornal que você foi visto num puteiro de madrugada, não adiantava nem argumentar com a patroa.

Esse "nariz de cera" todo é pra contar o seguinte: o site Cocadaboa (link acima) inventou uma notícia sobre um traficante carioca que estaria fazendo campanha pelo "Sim" no referendo de amanhã, já que o desarmamento da população civil seria do interesse de bandidos como ele. Uma jornalista da campanha do "Não" ligou pro Mr.Manson, criador e webmaster do Cocadaboa, pedindo o contato do repórter (!) responsável pela entrevista. Só pra zoar a muié, que não sacou que o Cocadaboa fosse um site de humor especializado em boatos, o Mr.Manson passou o telefone de um amigo, que se passou pelo "traficante fictício". A entrevista com o traficante que não existe ("Xaxim"), que comanda o comércio de drogas num morro inventado ("Morro do Dendê"), foi gravada e publicada na internet, e caiu no mundo. Não demorou para que o trote fosse repassado por e-mails como autêntico, servindo de argumento para muitos eleitores indecisos optarem pelo "Não". Muitos jornalistas "caíram" em mais essa armadilha do Cocadaboa e multiplicaram a mentira em suas colunas, blogues e o escambáu.

Como o próprio Mr. Manson explica no seu site, o boato ganhou vida própria. Por exemplo: o jornalista Moacir Japiassu, do site "Comunique-se" (não vou linkar porque precisa ser cadastrado, além do quê eles não merecem), bateu o pé e refutou as advertências dos internautas que entraram em seu blog advertindo que a entrevista era caô. Inventou uma outra mentira para justificar a mentira inicial.

Até um ex-professor meu, colunista do Estado de Minas até há pouco, opositor do desarmamento e eleitor do "Não", me ligou perguntando se eu sabia da entrevista do "traficante que advogava pelo desarmamento dos civis". Disse pra ele, com jeitinho, que achava que a entrevista fosse trote. Então ele disse que EU era o ingênuo da história. Lembrei dum certo Gobbels...

A ingenuidade dos internautas, a preguiça e o despreparo dos jornalistas em "checar as fontes", o dedo nervoso na tecla "Forward" dos e-mails, adicionado a uma dose de má fé, criaram, a partir uma brincadeira de dois cariocas de 20 e poucos anos, talvez o boato de maior proporção da história da internet brasileira. E de maior relevância, pois poderá decidir um dos raros referendos da história da República (se não me engano, o terceiro).

Bom, talvez as pessoas só acreditam mesmo no que querem acreditar. Verdade, pra quê?

 

 

 

Pesquisas dão vitória fácil ao NÃO


 

Ao que tudo indica, o referendo de amanhã vai dar vitória do NÃO, invertendo a tendência observada nas pesquisas antes do começo da campanha na TV e rádio. Isso quer dizer que meu sagrado direito de comprar um trabuco - do qual não faço a menor questão - será mantido.

Hmmm...







Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado e ode viva à hipocrisia humana.



Talvez o trabuco não seja assim uma má idéia...

 

 

 

 

18 outubro, 2005

 

"O Brasileiro não está preparado para ter armas"


 

O referendo está aí, e a besta aqui, em toda a sinceridade, não consegue pensar em quase nada de original para postar sobre o assunto. Deixo o trabalho para o Carlos Reiss, do Blog do Bean (link acima).

Esse atleticano está morando em Israel há mais ou menos um ano. Lá, quase todo mundo anda armado, os civis com uma pistola, os milicos com uma metranca, M-16 pra cima. E olha que israelense, diz ele, é um povo esquentado. Um estrangeiro que chega em Tel-Aviv e vê dois motoristas israelenses batendo boca no meio da rua, cada um com um revólver no bolso, acha que vai sair tiro a qualquer momento.

Acontece que todo cidadão israelense - muié inclusive - tem que passar pelo serviço militar na juventude. E não é só cantar o hino nacional, fazer um juramento fajuto e levar um "certificado de dispensa por excesso de contingente" pra casa: os israelenses são preparados para viver em um país historicamente ameaçado pelos seus vizinhos (que às vezes até têm razão, mas não vamos entrar nesse mérito aqui). Daí que eles têm uma cultura de segurança e auto-preservação bastante arraigada. Não vulgarizam o uso de armas para dar uma de gângster ou justiceiro.

Não há comparação com o Brasil. Já acho perigoso demais esse monte de policiais à paisana, completamente despreparados, andando armados por aí. Me lembro de uma vez que uma manifestação popular fechou uma rua num bairro fudido por aí - acho que foi em Goiás - depois que uma criança tinha sido atropelada e aí chegou um policial civil, à paisana, com um revólver na mão, querendo "furar" o bloqueio. O filho da puta nem estava à serviço, mas quando o líder da manifestação quis argumentar com ele, levou uma coronhada na cabeça. Um cinegrafista amador filmou tudo. Lógico que deixaram o covarde do policial furar o bloqueio.

Se querem tanto ter o "direito" de comprar armas, então proponho uma solução intermediária: a arma comprada na loja terá um registro vitalício em nome do sujeito que a comprou, e o comprador deverá assinar um termo de responsabilidade no qual se compromete a responder pelo crime de homicídio caso aquela arma, um dia, a qualquer tempo, venha a causar a morte de qualquer pessoa. Se a arma for roubada, vendida, ou "sumir", foda-se: o comprador colocou a vida de outras pessoas em risco, então tem que responder. O mesmo vale pra munição, que terá um número de série, gravado em código de barras, vinculado à arma. Duro, mas justo. Direito tem que vir acompanhado da responsabilidade.

(Estou aberto a argumentos, mas por favor, sejam originais. Já basta a propaganda da TV e revistonas...)

 

 

 

 

09 outubro, 2005

 

As Revistonas e o Referendo


 



Na semana passada, a "Veja" saiu com uma capa tomando posição explícita sobre o referendo do desarmamento. Atitude até certo ponto louvável, um reconhecimento da impossibilidade da imparcialidade no jornalismo, principalmente quando o corpo editorial da publicação já tem uma decisão tomada. A Carta Capital, semanal de tiragem bem menor mas com grande prestígio entre círculos de "iluminados" (incluindo o submundano aqui), defendeu abertamente em 2002 a eleição do Lula como única maneira de salvar o País. Na Europa e nos EE.UU., é muito comum que determinado jornal ou revista assuma abertamente uma posição, principalmente em períodos eleitorais. É uma atitude mais honesta do que empurrar opinião subliminar sob a embalagem de "jornalismo imparcial", subterfúgio de que a própria "Veja" é especialista de longa data.

(Nota egocêntrica sem a menor relevância para o assunto: minha monografia de conclusão de curso superior teve como tema a cobertura da "Veja" sobre a campanha do Lula em 2002, e minha principal conclusão foi que a revista, por trás de uma aparente imparcialidade, transparecia em suas reportagens um viés claramente "pró-Serra", quebrando o tal "pacto" com o leitor. Quem se interessar, favor deixar o pedido nos comentários, logo abaixo).

O negócio é que a reportagem de "Veja" sobre o referendo, como sempre, falha em deixar claro ao leitor o que é "fato" e o que é simples opinião dos manda-chuvas da revista. Distorce aqui e ali estatísticas e argumentos, apresentando o referendo como uma tentativa do "Estado" de tirar o direito legítimo do cidadão de comprar armas. (Na verdade, se vencer o "Sim", quem vai tirar o direito de comprar as armas terá sido a maioria do eleitorado, não o "Estado". Por isso é necessário o referendo: para que o Estado não seja acusado, sozinho, de limitar o direito de seus cidadãos e contribuintes.) Ou seja: tudo com a marca registrada do jornalismo de "Veja" e da Editora Abril.

Na semana seguinte, a "IstoÉ", pretensa concorrente de "Veja" mas que não raro demonstra-se mais uma cópia empobrecida do que uma opositora à altura, reagiu com essa capa aí:



Provocação gratuita, mais mercadológica do que ideológica. Dentro da revista, auto-anúncio de página inteira, com os dizeres: "Nós não somos o centro do mundo. (Imagem da Capa da Revista) Você É." Os marketeiros da IstoÉ jogaram por terra, assim, séculos de estudos de astronomia e as teorias do geocentrismo e heliocentrismo, sendo que essa última quase valeu o pescoço de Galileu Galilei.

Muito barulho por nada, já que a reportagem é uma bosta, mesmo para os padrões pouco exigentes do Alzugaray. As tais "sete razões" de cada lado, com uma ou outra exceção (como a do Marcelo Yuka), sequer são razões que o valham, mas depoimentos de pessoas que perderam parente, ficaram inválidas ou só passaram um cagaço por causa de armas de fogo, acompanhandos de suas opiniões sem qualquer fundamento ou relevância. Perder filho ou ser baleado não te transforma em expert em legislação ou crime. Exemplo: a mãe do Felippe Caffé, jovem que foi assassinado em Embu (SP) com a namorada Liana Friedenbach num crime que foi vedete da mídia no final de 2003, disse a IstoÉ que "se o governo desarmar a população, estará armando os bandidos", e por isso é contra a proibição. Uma argumentação dessas, além de carecer de qualquer lógica, só poderia convencer um leitor que tenha passado por uma lobotomia recente.

As duas revistas perderam a chance de fazer um trabalho realmente decente, por exemplo pesquisando sobre a legislação sobre comércio e portes de armas no mundo, e os efeitos de referendos como este em outros países (as duas fizeram isso, mas de uma forma apressada e porca, como sempre), debatendo e aprofundando os argumentos citados por ambos os lados - ao invés de simplesmente repeti-los - ou simplesmente entrevistando o Michael Moore, que fez quase tudo isso no seu documentário "Tiros em Columbine" e não perde uma chance de aparecer.

 

 

 

 

08 outubro, 2005

 

Pôr-do-sol no Mar Negro, 1915


 



Fotografia tirada pelo russo Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii, um dos pioneiros da fotografia colorida. O link acima abre o verbete da Wikipedia sobre o fotógrafo (em inglês, sem legendas).

 

 

 

Terra de cabra macho!


 

Eu é que não ia querer partir pra uma guerra contra um país que tem no brasão de armas uma AK-47 e uma enxada:



O fuzil e a enxada, com o livro ao fundo (será o "Manifesto"?), estão também na bandeira de Moçambique. Na certa, devem simbolizar o trabalho e a luta, e o livro é o guia da nação.

É verdade que pega mal prum país que viveu uns 30 anos em guerra civil ter um fuzil automático na bandeira - aliás, é a única bandeira nacional com uma arma moderna. Mas quem somos nós pra falar mal da bandeira dos outros? "Ordem e Progresso"?

Li no Wikipedia que tá rolando um concurso em Moçambique pra escolher uma bandeira e um hino novo, mas que boa parte da população é contra a substituição. Porra, símbolo é símbolo e acabou-se. Veja o exemplo americano: acharam que uma estrela na bandeira por Estado eram uma boa idéia quando tinham só 13, mas mantiveram o "layout" mesmo depois que esse número aumentou pra 51 e a bandeira ficou parecendo uma lona de circo. Paciência...

 

 

 

 

07 outubro, 2005

 

O SUBMUNDO versão e-zine já está no ar - Versão remasterizada e digitalizada, conforme prometido


 

Não sei se à essa altura do campeonato - com jogos anulados e suspeitas sobre a legitimidade de tudo e de todos - alguém se interessa, mas o fato é que comecei a restaurar as edições completas do SUBMUNDO versão e-zine, que circulou entre Julho de 2003 e Maio de 2004. O número 0 ao VI já estão disponíveis neste próprio blog, nos arquivos de Julho a Agosto de 2003. Descobri que dá pra usar este blog como uma "máquina do tempo", mudando a data do post para o passado, ou para o futuro. Quer dizer: apesar deste blog submundano existir apenas desde Maio de 2004, os arquivos remetem a um tempo em que ele ainda não existia. Coisa bisonha...

As edições do SUBMUNDO são exibidas em sua forma original, mantendo-se inclusive os erros de digitação e asneiras factuais cometidas pelo seu criador - como por exemplo confundir Rousseau com Voltaire, e Vênus com Fênix. Há também, obviamente, o risco de parecer datado: os números V e VI, por exemplo, saíram à época da morte do Roberto Marinho, por isso há várias referências safadas de humor negro - como o William Bonner engasgando na hora de ler uma homenagem ao véio.

Pretendo "remasterizar" também as edições do SUPRAMUNDO do Milen que tenho em mãos. Isso porque as primeiras edições do SUBMUNDO são melhor contextualizadas se comparadas à nossa (falsa) nêmesis. Uma pena que o coiso tenha desistido tão rapidamente - ou será que sou eu que fui persistente demais?

Enfim, seguem os links das edições já disponíveis:

O SUBMUNDO DE NIKOLAS # 0 (esse quase ninguém tem)

O SUBMUNDO DE NIKOLAS # I

O SUBMUNDO DE NIKOLAS # II

O SUBMUNDO DE NIKOLAS # III

O SUBMUNDO DE NIKOLAS # IV

O SUBMUNDO DE NIKOLAS # V, que saiu na semana da morte do Dr. Roberto

O SUBMUNDO DE NIKOLAS # VI

Por enquanto é só.

 

 

 

 

06 outubro, 2005

 

Momento crise existencial


 

Saiu uma pesquisa da ONU aí dizendo que a idade média da população mundial é de 24 anos. Isso quer dizer que o autor dessas mal-traçadas já não pode mais ser considerado "jovem" com seus 25 anos, pois há mais gente mais nova do que mais velha do que eu neste mundo sem porteira.

E hoje de manhã estava lembrando uns casos de faculdade com uma ex-colega, pela internet, e de repente me dei conta que passei 5 anos na Fafich/UFMG sem usar drogas ilícitas, sem comer ninguém (da faculdade) e sem participar daquelas viagens de movimento estudantil - tipo ida-e-volta de busão pra Belém do Pará, ficando hospedado num alojamento fudido de escola pública, entre um mangue e o lixão.

Alguém me vê um Lexotan, por favor.

 

 

 

 

03 outubro, 2005

 

Fair and Balanced?


 



O link acima abre um vídeo em inglês (sem legendas), um trecho de um documentário feito sobre a rede de TV americana Fox News entitulado "Oufoxed - Rupert Murdoch's War on Journalism". O propósito do documentário é denunciar a evidente inclinação política do jornalismo da Fox News, que se auto-promove com o slogan "Fair and Balanced" ("Justa e Imparcial"). Aliás, se alguém souber de uma locadora em BH que tenha esse filme, por favor me informe.

Além da sua inclinação política, a Fox News é também acusada de manipular notícias, e uma das estrelas da emissora, o apresentador Bill O'Reilly, tem o costume de achincalhar os entrevistados de seu programa "The O'Reilly Factor" que não concordam com ele. A linha ideológica de O'Reilly é de extrema-direita (talvez "centro-direita" para os padrões bisonhos da América), e sua argumentação segue a linha mestra "se você não concorda comigo, é porque é idiota, ou então anti-americano."

No trecho aí em cima, Bill O'Reilly chama pro seu talk-show um pacifista cujo pai morreu nos ataques de 11/9. Logo ele começa a achincalhar o cara, dizendo estar "surpreso" que uma vítima indireta dos atentados terroristas se oponha à "Guerra ao Terrorismo", e diz que o pai dele não aprovaria sua atitude. Baixaria jornalística comparada à história da "filha bastarda do Lula" na campanha de 89.

Trecho:

O'Reilly: "Vocês (pacifistas) não apoiaram a campanha militar no Afeganistão para remover o Taliban, vocês foram contra."

Glick: "Por que eu iria querer uma brutalização ainda maior e a punição do povo afegão..."

O'Reilly: (gritando) "Que matou o seu pai!"

Glick: "O povo do Afeganistão não matou meu pai..."

O'Reilly: "Claro que mataram! O pessoal da Al Qaeda treinaram eles!"

Glick: "Mas foi a Al Qaeda, mas e o povo do Afeganistão? E o George Bush?"

O'Reilly: "O que tem o George Bush? Ele não tem nada a ver com isso!"

Glick: "Ele tem culpa direta por ter treinado milhares de Mujaheedins no Afeganistão..."

O'Reilly: "Espero que sua mãe esteja assistindo isso."

No final da entrevista, O'Reilly corta o microfone do entrevistado, e diz que vai encerrar a discussão em respeito ao pai dele, "que era um bom americano, morto desnecessariamente por bárbaros". Depois que entram os comerciais, ele ameaça o entrevistado a deixar seu estúdio imediatamente, senão o pau ia quebrar.

O pior é que esse O'Reilly, talvez pelo seu jeitão grosseiro, e por sua ideologia de fácil digestão, é um sujeito bastante popular nos EUA, e seu programa de TV conserva uma fiel e grande audiência.

Não recomendo esse vídeo para pessoas com estômago fraco ou que ainda tenham esperança na democracia - o que dá no mesmo.

 

 

 

 

02 outubro, 2005

 

Escândalo do Futebol: Eu Já Sabia!!!


 

O Supremo Tribunal de Justiça Desportiva decidiu, na manhã de hoje, anular os resultados das 11 partidas apitadas pelo árbitro Edílson Pereira de Carvalho, que foi preso por manipular estas partidas em favor de uma pequena máfia de apostadores.

As partidas deverão ser realizadas novamente, com portões abertos. Claro, a chiadeira vai ser geral entre os clubes e torcedores, com o risco iminente de ações judiciais e "viradas de mesa" para impedir o descenso de clubes tradicionais. A propósito, o Vasco do Eurico Miranda, com a anulação das partidas, está agora na zona de rebaixamento - no lugar que antes era do Atlético Mineiro.

O tempo passa, o tempo voa, e apesar das bravatas de "moralização" por parte dos cartolas da CBF, quase todo ano acontece alguma grande confusão no futebol brasileiro. Este corajoso escriba, no ano passado,
denunciava a roubalheira para favorecer os times cariocas
, com a penalização do São Caetano pela morte do zagueiro Serginho, se preciso fosse. Minhas conclusões sobre isso tudo permanecem as mesmas:

No fim das contas, acho que merecemos isso tudo. Se tivesse macho de verdade nesse meio futebolístico brasileiro, já tínhamos tirado a CBF e o STJD do Rio de Janeiro, o maior antro de vagabundos e safados do mundo* (com a possível exceção de Miami). Porra, se os times decidem participar de um campeonato cuja Comissão de Arbitragem é dirigida pela bicha nojenta do Armando Marques, do que adianta reclamar depois?

(*) - isso não pretende ser uma generalização, apenas uma contastação geográfica. Uns 90% da população carioca não tem nada a ver com isso.

 

 

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