28 setembro, 2005

 

You are NOT the father!


 




Encontrado na comunidade "Anti Vídeo-Show" do Orkut.

Quadro "Exame de DNA", num programa do nível do "Ratinho" na TV americana (foi lá que esse tipo de coisa nasceu). O apresentador dá o veredicto: o sujeito não é o pai da criança. O negão faz aquela palhaçada típica que a gente espera de um Martin Lawrence no cinema, enquanto a vagaba da mãe chora.

Devo admitir: eu vibro a cada exame de DNA do Ratinho que dá "negativo" como se fosse um gol do Galo. É uma dupla humilhação para a muié: além de ter que assumir que deu prum vagabundo, ainda tem que admitir que deu pra tantos que nem sabe mais pra quem foi. Ao invés de ficar calada e dar ao "suspeito" o benefício da dúvida, cai na bobeira de levar o sujeito à TV, porque nem dinheiro pra pagar exame de DNA a monga tem. E o pior é que, pelo que consta das legendas do vídeo, o exame diz respeito ao segundo filho da muié; na certa o primeiro deve ter sido concebido em circunstâncias parecidas. Uma cagada até que vai, mas duas? Merecia uma rolha!

Dizem, porém, que esses "exames de DNA" são tudo armação. Mesmo assim, valem pelo entretenimento.

Exames de DNA me fazem lembrar um caso lá de Conceição do Mato Dentro: um parceiro de sinuca meu saiu com uma menina pobre e, alguns meses depois, ela apareceu grávida, dizendo que era dele. O sujeito virou motivo de chacota nas rodinhas do lugar. Eu mesmo cansei de dar uns tapinhas nas costas dele, chamando-o de "papai". Ele não queria assumir de forma alguma, usando o velho chauvinismo do "se for meu, é meu e de mais 20". A família dele bancou o exame de DNA. Fiquei sabendo do resultado tempos depois, quando já havia me mudado da cidade: não era dele coisa nenhuma. A mãe estava na dúvida, mas resolveu investir contra ele por ser o mais abastados dentre os "possíveis pais".

Depois dizem que homem é que não presta...

 

 

 

Greve lá e aqui


 

Coincidência ou não, houve paralisação no meu trabalho no mesmo dia em que os jogadores do Atlético se recusaram a treinar, por falta de pagamento.

Do meu lado, não tenho do que reclamar em relação à periodicidade dos meus erários, mas sim do montante e do anêmico percentual de reajuste proposto por meu empregador. Acreditem se quiser: o Banco do Brasil, assim como todos os grandes bancos, públicos e privados, congregados na FENABAN, está propondo um aumento de apenas 4% do valor dos salários dos bancários. QUATRO porcento. Não dá nem pra compensar a perda com a inflação anual. E essa proposta vem do oligopólio que mais tem lucrado nos últimos 10 anos neste País, graças às taxas de juros estuprantes cobradas de seus clientes.

No Brasil, os bancos pagam juros de 1% aos investidores em renda fixa, mas cobram 7%, 8% de quem recorre ao cheque especial. É o maior "spread" bancário que se tem notícia. O FMI já cantou a pedra: os juros bancários são altos porque não há concorrência no setor bancário. Todos os grandes bancos praticam mais ou menos a mesma taxa de juros, exceto aqueles criados pra fins específicos e restritos, tipo "Banco Popular" ou cooperativas de crédito para isso ou aquilo. Mesmo os bancos públicos (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) entram no jogo, garantindo assim uma lucratividade alta e contribuindo para o "superávit" do governo federal. Resultado: com juros altos, o consumo e a produção ficam coibidos, a economia não cresce - ou cresce pouco - não são gerados empregos suficientes, aumenta a criminalidade e a pobreza... e os bancos continuam lucrando horrores!

Lá no Galo, jogadores e funcionários estão sem receber há quase 3 meses. O presidente Ricardo Guimarães, numa coletiva, disse "estar perplexo com a posição tomada pelos jogadores".

Detalhe importante: Ricardo Guimarães é banqueiro.

 

 

 

Mais links


 

Mau Humor, do cartunista Arnaldo Branco. Está de volta depois de vários meses desativado. Destaque para a tirinha "Mundinho Animal".

O site do Ed, mais conhecido por suas publicações no EstadiMinas, como o "Bad Pritt", Grudado na TV. Claro que a censura dos Associados barra seus melhores trabalhos, disponíveis apenas no site.

A auto-proclamada "Melhor Página do Universo", feita por um nerd americano. Apenas um sujeito que gosta de video-games de porrada, escrachar os mongos que lhe mandam e-mail, falar mal de muié e criticar as coisas que não prestam - grandes corporações, filmes do Tom Cruise, metrossexuais, adolescentes, enfim. Sonha dias e noites com um video-game ainda não inventado, em que poderá satisfazer seus desejos reprimidos de atirar em velhos e crianças e chutar poodles na calçada. Por algum motivo, me identifiquei muito com esse cara.

 

 

 

 

23 setembro, 2005

 

Só pra quem é mestre


 

Graças ao emulador de fliperama para computador - a invenção do século XXI, até agora - consegui zerar o Street Fighter II jogando somente com o soviético Zangief!

Isso, claro, depois de gastar umas 30 fichas virtuais. Se fosse de verdade, ia minha "mesada" embora...

E minha mãe não conseguia entender comé que 10 reais (ou o equivalente à época em cruzeiros/cruzados/cruzados novos/sei lá) acabavam tão depressa nas mãos de meu irmão e eu no fliperama, que voltávamos depois de 5 minutos para pedir mais.

Abaixo, a "polca" da vitória:



Zangief, Gorbachev e os sempre vigilantes capangas da KGB.

 

 

 

Que tal um Orkuticídio?


 

Tem coisas que ninguém explica: por que o Orkut é quase uma "sociedade secreta" mundo afora, mas explodiu no Brasil como uma epidemia de ebola?

Temos uns 3% da população mundial, mas no Orkut somos uns 75%! De acordo com dados do próprio Orkut, os EUA vêm em segundo lugar, com 6,5%, seguido de Irã (comé que os aiatolás deixam?), Paquistão e Índia. A minúscula Estônia tem quase o mesmo contingente de orkuteiros que a Grã-Bretanha - mostrando que a "onda" Orkut não segue critérios geo-políticos muito lógicos.

A conseqüência dessa epidemia de orkut acaba sendo perversa: o orkuteiro médio é jovem (apesar de o Orkut estabelecer uma idade mínima de 18 anos, esse limite na prática é letra morta), solteiro, e, óbvio, brasileiro. Daí encontramos comunidades inteiras onde se discutem os seguintes tópicos de grande interesse para a humanidade:

"JOGO: VC FICARIA COM A PESSOA ACIMA?"

ou então as variáveis mais agressivas:

"JOGO: BEIJA OU COSPE NA CARA??"

"FAZ BOCA-A-BOCA OU DEIXA MORRER?"

"JOGO: ATROPELA OU DÁ CARONA?"

sem falar nas manifestações de vanguarda neo-niilistas:

"BATA A KBÇA NO TECLADO E POSTE O QUE SAIR!"

"JOGO DO 'VAI SE FUDEEEEEEEEER'"

(Juro por Deus que não invento essas coisas!)

Para não falar da lastimável qualidade do proto-Português falado por essa garotada - a maioria, diga-se, de classe média e estudantes de escolas particulares. Sindicatos de Professores de Português de todo o Brasil divulgaram nota alertando os mestres a ficarem longe do tal "Orkut": acredita-se que o aumento da taxa de suicídio da categoria esteja associada à leitura dos tópicos ali existentes.

Pra não dizer que eu estou mentindo: essa aí é a contribuição do jovem Glauco na comunidade "Já Desci Escada Pelo Corrimão", falando sobre o melhor corrimão em que já escorregou:



"o melhor hahaha...estádio do palmeiras(parque antartica)
...estava meu amigo my brother e eu todos felizes assistindo a um jogo do verdão..ai o palmeiras tomou um belo de um chocolate de 7 a 2 do vitória..eu não muito contente com a derrota...o iddiota aquidecidiu dar uma escorregada no corrimão...meu melhor corrimão fodasso mesmo...lisinho masssssssssss massssssss...todo gigante vai ao chão
e eu fui
ao chão
mais cai na escada e rolei alguns degrais...e todos viram e deram risad ahaha e eu me fudi"



Sinceramente, minha paciência com o Orkut está se esgotando. Aquela porcaria é anárquica demais para dar certo. E os idiotas se reproduzem rapidamente e tomam de assalto comunidades até então decentes. Como disse há alguns meses, não me admira que haja tantas comunidades "anti-brasileiros" no Orkut.

Vou praticar o Orkutcídio. Ainda não marquei o dia, mas não demora. Se alguém tiver um bom motivo para me convencer a continuar por lá, que fale agora ou cale-se para sempre.

 

 

 

 

22 setembro, 2005

 

A História do Baader Meinhof


 




Ultimamente tem me despertado curiosidade a trajetória desse grupo terrorista alemão de esquerda dos anos 60 e 70, formado basicamente por militantes estudantis que cansaram de levar bordoadas da polícia local. Os caras deitaram o pau contra as autoridades e o "establishment" da então Alemanha Ocidental, e chegaram a ter cerca de 20% do apoio da população jovem do país a seu favor.

Um jornalista alemão da época definiu a revolta do grupo Baader Meinhof como "uma guerra de seis contra 6 milhões".

Claro que essa história não tem final feliz: com o tempo, os jovens idealistas revelaram suas fraquezas e traíram seus princípios, como acontece em toda revolução. Em cinco anos, todos os 6 fundadores já estavam mortos; 3 deles suicidaram-se dentro da prisão, no mesmo dia, depois que um plano megalomaníaco para resgatá-los deu errado. Quiseram morrer antes de ficarem velhos, como manda o figurino.

Se alguém souber de algum livro sobre o tema (que não seja escrito em alemão), aceito recomendações. Por enquanto, vou me satisfazendo com o "site" acima.

P.S.: Curiosidade é diferente de admiração. Ainda acredito nas instituições, e na possibilidade de melhorar as coisas sem ter que seqüestrar avião ou montar carro-bomba. Mas não descarto essas possibilidades por completo, dependendo da situação. Como diria o nada saudoso Geisel: "esse troço de matar é uma barbaridade, mas eu acho que tem que ser".

 

 

 

 

20 setembro, 2005

 

O mundo misterioso do HTML


 

Abri o SUBMUNDO no serviço e as letras estavam em negrito.

Abri aqui, e deu tudo certo.

Lá no serviço, o contador de caracteres aparece (mas não sei se está contando mesmo).

Aqui em casa, nem sinal.

Culpa dessa nanotecnologia não confiável. Quando as coisas eram movidas a válvula, não davam esse tipo de problema...

 

 

 

 

19 setembro, 2005

 

SÉVÉRIIIIIIIIIIIIINOOOOO!!!


 




Sei que não é muito popular dizer isso, mas acho que a grande imprensa (principalmente a paulista) está aproveitando os infortúnios desse pobre diabo para descarregar o antigo e pouco disfarçado preconceito anti-nordestino.

O cara é ridicularizado desde que foi eleito Presidente da Câmara pelos votos secretos e envergonhados do PSDB e do PFL (depois dizem que PT é que é "oposição irresponsável"). O principal pecado dele nem é cobrar propina, empregar parente, ou receber mensalão. Pegam no pé dele mais pela forma do que pelo "conteúdo".

Severino é um político à moda antiga. Vira as costas ao mundo e compra uns votos no seu curral eleitoral. É avesso aos holofotes desnecessários, e não se importa em aparecer em público ao lado da muié baranga. Basta-lhe os votos das suas 20 e poucos mil vaquinhas de presépio de sempre, foda-se o que vão pensar no Rio ou em São Paulo.

Não que essa "espontaniedade" faça de Severino uma pessoa melhor. Ele é o tipo de gente que merece ser achincalhado, humilhado e extirpado do meio político para nunca mais voltar. Mas acho que tem centenas de políticos "bem-apresentados" do Sul e Sudeste fazendo coisa pior e passando despercebidos, se escondendo sob uma retórica de "modernidade" e "ética".

Fica a impressão de que os doutos senhores editores da "Folha" e "Estadão" não estão tão preocupados em ter um corrupto, mas sim um nordestino com nome de porteiro dirigindo nosso Parlamento.

 

 

 

Olha só quem está falando...


 



José Janene, presidente nacional do PP


Este bonitinho aí em cima está sendo acusado pelo Ministério Público do Paraná de receber mais de R$ 7 milhões de reais em propina de empresas de prestação de serviços de Londrina. Virou capa da IstoÉ desta semana.

Procurado pela revista, saiu-se com a seguinte declaração: "o Ministério Público é uma quadrilha!"

Isso vindo de alguém que chefia a maior quadrilha partidária do País - e olha que a competição não é pouca. O Partido Progressista, que antes era PPB, e que antes disso era PSD e PP, e que antes ainda, juntamente com o PFL, formava a famigerada Arena - partido de sustentação da ditadura militar - reúne gente como Paulo Maluf, Severino Cavalcanti, Eurico Miranda e muitos outros de extensa ficha criminal.

Se tivesse algum macho no Ministério Público do Paraná, pedia retratação imediata. Ser chamado de "quadrilha" pelo presidente do PP é como ser chamado de "canastrão" pelo João Kléber, ou de "puta" pela Luciana Gimenez.

Meu consolo é saber que ainda vou viver o suficiente para ver esse povo todo na cadeia. Bom, não custa nada ser um pouco otimista...

 

 

 

Post de um domingo à noite


 

Fiz algumas mudanças puramente estéticas no SUBMUNDO nos últimos dias; atualizei os links do lado direito, e inclui alguns blogs que já me "linkam" (seguindo as regras da diplomacia blogueana) e alguns "inimigos de classe", para servir como referência negativa e serem devidamente achincalhados.

O que não mudou foi o autor, seu eterno dilentantismo, preguiça e indecisão. Às vezes olho pra isso aqui e penso ser uma perda de tempo. Outras vezes, sou assolado por um turbilhão de idéias na hora do almoço, passo em frente a uma banca de jornal, e me desespero por estar deixando passar um momento tão crucial na vida brasileira num silêncio de cemitério.

Um blog é uma ferramenta fantástica. As gerações anteriores à nossa não compreendem o valor jornalístico da internet, a possibilidade das pessoas se contactarem diretamente, desfazerem mitos, quebrar barreiras. No passado, governos autoritários mandavam retirar das bancas edições inteiras de jornais e revistas; cortavam o sinal de rádios e TV's. Prevalecia, assim, a versão da mídia oficial.

Mais do que isso: até o advento da internet, publicar opiniões custava uma nota preta. A censura política é sobrevalorizada, se você comparar com a censura econômica inerente aos meios tradicionais de comunicação capitalistas. Só o dono do jornal é que realmente goza da liberdade de imprensa. Mesmo durante a ditadura, o que um dono de jornal subversivo mais temia não era o pau-de-arara, ou o "desaparecimento", e sim ir à falência por falta de verba publicitária, estatal e privada.

Um dos temas que sempre me interessou, desde minhas já longínquas desventuras com Henrique Milen, é a crítica de mídia. Hoje, a mídia está no centro das atenções, com um publicitário (Marcos Valério) no olho do furacão, revistas sendo acusadas de receber "mensalinho" (a palavra da moda) pra guardar segredo, reportagens pagas, táticas espúrias. A cada dia aparece um escândalo novo. E eu aqui, calado.

Não queria ter um diploma de jornalismo apenas mofando numa gaveta. Estou feliz no meu trabalho, mas não plenamente satisfeito. Sinto que poderia estar fazendo mais, que poderia dar uma satisfação ao irriquieto Nikolas de 19 anos que persiste dentro de mim. Mas me falta a dedicação, ou talvez a pressão de alguém, cobrando por resultados.

Toda vez que o SUBMUNDO alcança um nível de periodicidade e de visitas razoavelmente aceitável, é subitamente interrompido. Daí, tenho que correr atrás, mandar e-mails, fazer jabaculê no orkut, avisar os amigos. Já "ressucitei" isso aqui umas 8 vezes em pouco mais de um ano. Embalo, depois torno a empacar.

Um dos problemas da maturidade é que você começa a ser mais crítico consigo mesmo. Há uns 3 anos atrás, me achava o rei da cocada preta bradando aos mundos e fundos que "Bush e Blair são terroristas", que os EUA são uns fedaputa, e que FHC levou o país pro buraco porque era metido a besta e aliado com o PFL. Qualquer artigo mal escrito numa "Caros Amigos" resolvia minha sede de saber sobre qualquer assunto e me transformavam num expert. Um dia, entrei num fórum da internet, com gente de todo lugar, e comecei a despejar as teses que defendia no "Carol", no "Submundo" e em mesas de butecos por aí. Foi aí que eu descobri que havia gente que sabia muito mais do que eu, que zombava dos meus argumentos e ridicularizava minhas teses. Olhei pro espelho e de repente não era mais tão genial e tão certo de mim mesmo. A internet permite que a gente exponha opiniões livres, mas muitas vezes opinião livre é opinião infundamentada. E quem lê é livre para te responder.

O Milen outro dia estava relendo um texto do velho "Carol", escrito na esteira do Onze de Setembro, e reconheceu: "estava sendo um babaca naquele Carol: repetia o que lia na Folha e falava sobre EUA com grande autoridade, sem nunca ter estado lá."

Quero ser jovem de novo: não me preocupar com os fatos de meus artigos, apenas causar frissom, ser um Wunderkind admirado e inconseqüente. Por outro lado, ser jovem não tem mais graça, depois que você cresce.

Enfim, é mais ou menos isso... Credo, acho que estou precisando de uma cama.

 

 

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