21 maio, 2005

 

Comentário "cri-cri" da semana


 

Hoje o Jornal Nacional estava falando de uma competição dessas de ginástica artísticas em que uma das vencedoras era uma brasileira, nascida no Maranhão, mas que competia "com as cores da Bélgica". A menina foi adotada com 2 meses de idade por uma belga, que a levou para lá.

Esse tipo de coisa não é incomum no jornalismo esportivo brasileiro. Igual o tenista Fernando Meligeni: quando vencia, era brasileiro, mas quando tomava um 3 a 0 e ficava em 284º lugar no ranking, virava "argentino naturalizado brasileiro". Ufanismo de conveniências.

Crianças (como diria Marcelo Tas): a nacionalidade de uma pessoa se refere ao país (ou os países) onde ela tem cidadania, e nem sempre, nem necessariamente, ao país onde ela nasceu. Se a ginasta tem nacionalidade belga, não importa onde ela nasceu. Não uma "desertora" competindo com "as cores" de outra bandeira. Na dúvida, o passaporte vale mais que a certidão de nascimento.

Talvez a idéia seja mostrar que o Brasil é um natural vertedouro de talentos por desígnio divino. Salve, salve. Sorte dos nossos vizinhos que não temos pretensões expansionistas (mas se o Uruguai der mole, tomamos os bois e os bancos deles...).

 

 

 

 

16 maio, 2005

 

Só pra não passar em branco...


 

Sempre atrasado, O SUBMUNDO DE NIKOLAS relembra o fim da Segunda Guerra Mundial. Pros desavisados de plantão, este mês completam-se 60 anos do fim da "Grande Guerra Patriótica", como os soviéticos preferem chamar a refrenga.

Como disse o blogueiro de quem copiei esta foto, "nada simboliza mais a derrota do que esta imagem: ter a bandeira do inimigo hasteada sobre sua capital destruída":



O que nem todo mundo sabe é que trata-se de uma foto "ensaiada". O Exército Vermelho chegou no Reichstag (Parlamento alemão) na calada da noite, mas a foto foi tirada na manhã seguinte, quando já havia um fotógrafo de prontidão. Li em algum lugar também que os soldados da URSS saquearam, no caminho, uma rejoalheria, e a foto teve de ser retocada pela propaganda oficial para maquiar uns 5 relógios que o cara da bandeira levava em cada braço...

EDIT: Achei justo dar um link pro blog do americano (ou será britânico, ou sei lá) de quem furtei essas fotos. Claro, tudo em inglês. Como já disse, a internet lusófona não vale os R$ 25,90 que você paga pro servidor de "conteúdo" para estar aqui.

 

 

 

 

07 maio, 2005

 

Óia o que que eu achei...


 



Alfabeto cirílico é a língua do mundo bizarro. Ainda vou arrumar uma russa loira e peituda pra me ensinar esse trem.

(Ôpa, a patroa tá olhando... disfarça...)

 

 

 

Três imagens valem mais do que 1984 palavras


 

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Isso ainda pode melhorar. Sugestões aí embaixo.

 

 

 

O Show de Horrores dos Colégios de Elite


 

Por conta desse artigo aí tá rolando uma discussão ferrenha entre a besta aqui e 3 ex-colegas de faculdade: Florêncio, Rodrigo Frodo e o antigo companheiro de desventuras H. Milen.

Trechos do artigo:

"(...) A observação tem certo espírito sofístico, mas em todo caso me parece verdade que, num ensino tão preocupado com o desempenho em provas objetivas, é natural que vá desaparecendo o espaço dedicado à discussão, ao pensamento independente. E cresce para os alunos a obrigação de regurgitar no papel o que lhes foi enfiado pelos ouvidos na véspera.

A monstruosidade do sistema se revela a cada reportagem do caderno. Determinado estabelecimento de ensino tem salas com capacidade para até 600 alunos, com baias individuais, disponíveis até às 22h, para que os alunos se exercitem. Qualquer semelhança com a criação de gado confinado fica por conta da imaginação deste articulista.

Mas até que esse colégio tem um mérito; não desliga o aluno que repetiu de ano. Outras instituições de ensino “top” adotam essa política. Imagino que considerem mais importante manter os altos escores de sucesso do colégio do que dedicar atenção individual ao aluno que se adapta à linha de montagem.

Sim, porque os próprios colégios estão entregues a um mecanismo concorrencial destrutivo e perverso. Basta ver seus gastos em publicidade, mostrando quantos jovens prodígios “emplacaram” na Politécnica ou na Medicina.

(...)

Com essa rotina de estresse, de massificação, de treinamento frenético, de atenção opressiva a “resultados” no vestibular, logo haverá outras estatísticas a fazer. Se olharmos para a outra ponta do processo – não a dos “bem-sucedidos”, mas a dos triturados pelo sistema -, chegará o dia em que teremos de levantar qual o colégio com menor taxa de suicídios. Ou com menor número de casos de depressão. Ou de alcoolismo. Ou – nem preciso dizer – de consumo de drogas.

(...)

Acho que todo país civilizado tem uma coisa chamada sistema público de ensino. E isso representa mais do que garantir minimamente a igualdade de oportunidades que está em falta no nosso país. A existência de escolas particulares, embora justificável, já é quase uma distorção em si mesma.

Quando um aluno rico está na mesma classe de um aluno remediado ou pobre, como acontece num país como a França ou na Itália, é um senso de cidadania que se estabelece. Não falo nem sequer de igualdade, mas de republicanismo. Sem contato com as instituições públicas, as classes médias e altas vivem, desde o início da vida escolar, uma realidade de apartheid."


Como disse para eles, discutir pedagogia é discutir que tipo de futuro se espera para um país. O Florêncio e o Frodo parecem achar que está tudo bem - exceto pelo ensino público, mas isso é culpa do governo - e que vestibulando não tem que ter moleza não. Já eu e o Milen achamos que escola tem que ter massinha, terreiro e galinha.

Já tem nêgo chamando o outro de filho da puta e tudo mais. Depois vou postar aqui a conclusão a que chegamos (provavelmente nenhuma).

Ah, quem quiser entrar na porradaria, é só falar.

 

 

 

O Direito e a Esquerda


 

Tudo bem, reconheço que o relato abaixo, obtido no site da "Caros Amigos", seção "República", é suspeito em termos de parcialidade, além de contar apenas uma versão dos fatos. Mas não duvido nada que tenha acontecido mais ou menos do jeito que se segue:


Direito de quem? (Um relato indignado e duas renúncias.)

Durante os dias 24 a 27 de março realizou-se em Ouro Preto o XX Encontro Mineiro de Estudantes de Direito (EMED), organizado pelo Centro Acadêmico Pedro Paulo, dos estudantes de direito da Universidade Federal de Ouro Preto. Pela primeira vez em vinte anos, a temática do encontro abordou temas, os principais debates focaram os direitos do trabalhador, opressão de gênero, reforma universitária e principalmente a reforma agrária. Logo no primeiro dia, a luta de classes se evidenciou, durante a fala do dirigente nacional do MST, João Paulo Rodrigues.

Enquanto ele denunciava a violência no campo, a esmagadora maioria dos estudantes revelava o retrocesso, o preconceito e a ignorância, vaiando e insultando o líder do MST com frases do tipo: “Cala a boca!” “Eu sou estudante de direito, não tenho que ouvir um sem-terra.” “Eu sou a favor da chacina.” E outras do mesmo nível. Ao ouvir a exposição do professor Valério Arcary argumentando que os direitos sociais na história só foram alcançados pela luta do povo, os estudantes da Faculdade de Direito da UFMG levantaram um cartaz que dizia: “Mentira”.

Outro elemento polêmico foram as bandeiras de Cuba e Venezuela expostas na mesa dos palestrantes. Mais uma vez, a ignorância se mostrou presente. “Por que a bandeira da Colômbia?”, perguntava a líder de um centro acadêmico, sem saber que as duas bandeiras representam as maiores resistências populares da América Latina: as revoluções Cubana e Bolivariana. Mas o pior estava por vir, no segundo painel do dia 25. Quando iria falar a representante da Marcha Mundial de Mulheres, Nalu Faria, a representante do Centro Acadêmico Pedro Paulo nem sequer conseguiu abrir o painel. Dezenas de copos foram arremessados e a platéia urrava para que as bandeiras fossem retiradas da mesa. Diante da resistência da organização, sucederam-se atos de vandalismo e selvageria, cadeiras voaram, um grupo de estudantes tentou queimar as bandeiras do MST, outros subiram no palco, arrancando as bandeiras de Cuba e Venezuela e, mais à frente, um bando de primatas vorazes atacou as faixas de “Reforma agrária já”, “Por um Brasil sem latifúndio”, “Punição aos assassinos do campo”, rasgando-as.

Este foi o triste balanço do EMED: a constatação de que os estudantes de direito do país, futuros “operadores da justiça”, defendem o latifúndio improdutivo e assassino, a concentração de renda, a miséria e a exploração do povo brasileiro por uma pequena elite da qual eles fazem parte. Gostaríamos de ressaltar nosso respeito e de manifestar nosso agradecimento ao Centro Acadêmico Pedro Paulo, que permaneceu idôneo nesse processo; no entanto, o nosso ideal revolucionário não nos permite fazer parte de qualquer órgão que represente a pequena burguesia exploradora do povo brasileiro, por isso renunciamos aos cargos de presidente e vice-presidente deste centro acadêmico.

Maria da Glória Ferreira Trogo, presidente, e Jarbas Ricardo Almeida Cunha, vice-presidente, do Centro Acadêmico Pedro Paulo.


(Aviso: a leitura constante de "Veja" pode provocar reações violentas)

Os estudantes de Direito da UFMG que venham aqui mostrar a sua versão.

 

 

 

 

06 maio, 2005

 

Notícia ruim pra terminar a semana


 



Os britânicos reelegeram o Tony Bruxa de Blair.

Minha desconfiança sobre a democracia burguesa cresce a cada dia. Quando é que as massas vão se rebelar?

 

 

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