30 abril, 2005

 

Seus anos de vacas gordas estão contados!


 



Não deixem de ver esse filme.

Depois a gente comenta (numa mesa de boteco, de preferência.

 

 

 

 

28 abril, 2005

 

Não confundir Nabucodonosor com...


 

1. O Papa é Bento, mas poderia ser também Benedito. Estas são duas formas para o mesmo nome em Latim (Benedictum ), do mesmo jeito que Lênin ou Lenine, Stálin ou Staline, Washington ou Uóxinton, são o mesmo nome, só que escrito diferente. Como o Bento I veio antes de Guttemberg, e naquele tempo era tudo escrito à mão, na certa escolheram "Bento" para dar menos trabalho aos monges copistas...

Benedictum virou "Bento" depois de uns 2 mil anos de variações de pronúncia, contrações e corruptelas populares: Benedictum, Benedito, Bendito, Bento. A língua é viva. O que ninguém consegue explicar é como "William" e "Guilherme" são o mesmo nome. Isso não tem lógica!

2. O time do Figueirense não manda seus jogos em "Figueiras", nem em "Figueiras d'Oeste", como sugeriu um imaginativo ex-companheiro de república. É em Florianópolis mesmo. Aliás, existe um movimento (anêmico, é verdade) para mudar o nome da capital catarinense: Florianópolis chamava "Desterro" antes de uma revolução dessas aí, Farrapos ou Farroupilha (esse povo do Sul costumava gostar de uma guerrinha, deve ser o sangue alemão). Virou "Florianópolis" em homenagem ao Marechal Floriano, o mesmo que mandou fuder com a cidade nessa guerra. O foda é que "Desterro" é um nome tão feio que talvez seja melhor manter o nome do algoz mesmo.

3. O estádio do Atlético Paranaense agora chama "Kyocera Arena" (por causa do patrocinador), mas acho que a Globo vai continuar se referindo a ele como "Arena da Baixada", porque não é do padrão Globo de qualidade fazer merchandising (de graça). Pelo mesmo motivo, a Globo nunca se refere aos times nacionais de vôlei pelo nome certo (o do patrocinador), mas pelo da cidade. A esta altura você está se perguntando "por que os times de vôlei não mantém próprio nome (como os de futebol), ao invés de serem 'rebatizados' pelo patrocinador?" Justamente porque senão o patrocínio não vale a pena, afinal, quem liga pra vôlei nacional? Os patocinadores pagam para aparecer no nome. Toda a imprensa esportiva dá os resultados do vôlei assim: "o Banco Ladrão venceu o Papel Higiênico Pacu por 3 sets a zero", enquanto a Globo dá "o Pindamonhangaba venceu o Limeira por 3 sets a zero". Valeu, Globo, pela ajuda ao esporte.

4. Desde 1997, há dois Congos na África. Um é o Congo mesmo, ao norte do Rio Congo, cuja capital é Brazzaville, de colonização francesa. Nome oficial: República do Congo. O outro é o antigo Zaire, ao sul do Rio Congo (que antes era chamado no Zaire de "Rio Zaire"), capital Kinshasa, colonização belga, nome oficial "República Democrática do Congo". Aliás, o "Zaire" antes da independência era "Congo Belga". "Congo" é o nome que os europeus deram pro rio que batiza os dois países, mas o antigo ditador do Zaire (o Congo "de baixo"), Mobutu Sese-Seko, achava que fazia mais sentido batizar os lugares com o nome que os africanos usavam. Foi por isso que o Congo virou Zaire, e a capital "Leopoldville" (homenagem ao Rei Leopoldo, da Bélgica) virou Kinshasa. Depois de deporem o ditador em 1997, os rebeldes entraram numa de "revisionismo" e rebatizaram o país, mas mantiveram o nome da capital, mesmo porque não faz o menor sentido ter uma "Leopoldville" no meio da floresta africana, do mesmo jeito que não tem sentido uma "Milwaulke" no sertão do Ceará.

 

 

 

 

26 abril, 2005

 

Curtas de Brasília (ou: a politicazinha mesquinha de sempre)


 

1. Sou a favor de que os ex-presidentes tenham cadeiras vitalícias no Senado, porém sem direito a voto (só pra participar dos debates e discursar), como está sendo sugerido por aí. Mas uma condição: que não tenham direito a salários, auxílio-terno, assessores, nada, só discursar e debater. Ou melhor, duas condições: QUALQUER ex-presidente vivo teria o mesmo direito, inclusive o Collor, aquele do supositório de cocaína. Afinal, como já disse em outra ocasião, um povo deve assumir as cagadas que faz, ao invés de fingir que é tudo culpa dos alagoanos analfabetos e da Rede Globo.

Aliás, acho que todo cidadão deveria ter o direito de discursar no Senado pelo menos uma vez na vida, por uns 5 minutos, e ter seu discurso transmitido nas TVs Senados e "Voz do Brasil" da vida. Como ninguém assiste a essas porras, as TVs abertas deveriam transmitir pelo menos os melhores momentos no horário nobre. Tipo o "fala-povo" dos telejornais, só que sem censura e com pauta livre. Muito mais interessante que o Horário Eleitoral Gratuito, ou que o noticiário cotidiano de Brasília (quem ainda tem saco ouvir o Arthur Virgílio do PSDB criticando dia após dia os "juros altos" e o "desemprego" do governo Lula?).

2. Sou a favor do nepotismo. Quer dizer, não exatamente "a favor", mas contra essa cruzada hipócrita da mídia que elegeu este como "o mal" da política brasileira, cuja personalização é o coitado do Severino. O buraco é mais embaixo. O problema é a Dona Maria Lavadeira comentando com a comadre: "é, o 'hômi' emprega os parentes, com tanta gente precisando de emprego, que 'bsurdo..."

Simplesmente proibir o nepotismo é dizer que um filho do Severino, mesmo formado, mesmo experiente, não pode ocupar um cargo público, enquanto um outro afilhado qualquer, talvez um sobrinho semi-analfa de 24 anos do prefeito de Caruaru, pode. O eleitor brasileiro acha que a função do parlamentar é "ajudar", distribuindo empregos e dinheiro público pra pobraiada. Ninguém questiona o porquê de um cargo de terceiro escalão da Petrobrás ser considerado "de confiança" e depender de nomeação, ao invés de ser disputado a tapa entre os concursados mais qualificados da estatal. Em qualquer lugar civilizado, o número de "cargos de confiança" é uma fração do que é praticado aqui. Tirando os ministros e assessores diretos do presidente, o resto é na base do mérito, e não da "ajuda" parlamentar.

A propósito, a Rede Globo não é presidida por um filho de seu fundador? E a Veja? E a Folha?

3. Em todas as pesquisas antecipadas para as eleições do ano que vem (ô povo apressado!), o que mais me chama a atenção é a presença da Heloísa Helena com seus 5% de intenções de voto. Claro que a "professorinha" arretada não tem a menor chance, mas 5% é um número animador para quem anda tão sumida (ou boicotada?) da mídia nacional. Longe dos holofotes, o seu PSol (é assim que escreve?) vai ganhando força. Quem sabe em 2010?

4. O Lula tem razão: quem faz compra parcelada em cartão de crédito para pagar juros de 10% ao mês só pode ser retardado. Ou isso, ou consumista compulsivo (leia-se: muié), o que dá no mesmo. E quem passa o mês inteiro pendurado em cheque especial também tem mais é que se fudê. Qualquer banco tem linha de crédito parcelada com juros bem menores (ainda estuprantes, mas melhores).

Só falta o Lula avisar o Henrique Meireles, aquele que paga os juros reais mais altos do mundo. Se fosse na Argentina, já teriam linchado esse tucano.

 

 

 

 

19 abril, 2005

 

HABEMVS PAPAM


 



Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI

Algumas coisas sobre o novo velho:

1 - Com 78 anos, apenas 2 a menos que o limite de idade para ser eleito, esse Ratzenberger aí não vai muito longe. Talvez vai servir como um "tapa-buraco" enquanto o Vaticano fervilha em discussões sobre "modernizar" ou não. Fazia-se muito isso na União Soviética nos anos 80: na falta de uma definição política sobre o futuro do país, nomeava-se um pé-na-cova qualquer para ganhar tempo. O Konstantin Tchernenko, último secretário-geral da URSS antes do Gorbatchov, fazia o João Paulo II dos últimos anos parecer um atleta, em comparação.

2 - Por outro lado, um papa não precisa de muitos anos para fazer barulho. O João XXIII só durou uns 5 anos, mas deu início ao II Concílio do Vaticano, responsável pela modernização da Igreja no século passado (é, porque a Igreja costumava ser BEM mais "antiga"...). Se o Ratzinger tiver saúde e liberdade para "governar" pra valer, vamos assistir a um endurecimento das posições já moralistas da Igreja Católica. Ruim, para quem deseja mais tolerância e sensibilidade às questões modernas; excelente, no aspecto comercial (é dos conservadores que "elas", as carolas, gostam mais).

3. Talvez a idéia de nomear papas já velhinhos seja justamente a de evitar papados longos demais, com a perpetuação de um mesmo grupinho no poder clerical. Como a Tradição impede o Vaticano de trocar regularmente de mandatários, como acontece em grandes empresas e democracias, a solução é escolher quase-octagenários e esperar que a natureza faça o seu papel. No passado, os grupinhos rivais iriam simplesmente envenenar o Papa, mas os tempos são outros...

4. O novo Papa, como já notou o Carlos Reiss e o Fernando Lara, é a cara do Willy Gonser da Itatiaia.

Fico por aqui, mesmo porque para "malhar" devidamente o papa alemão, eu deveria pelo menos pagar o dízimo regularmente...


P.S.: O site da CNN destacou a opinião negativa de um bispo brasileiro ("Jurandir Arauj", certamente Jurandir Araújo), da Confederação dos Bispos Afro-Brasileiros, sobre a nomeação do Ratzinger. Um instante de breve celebridade contrastando com nossa usual insignificância...

 

 

 

 

17 abril, 2005

 

Quero ser o primeiro a dizer...


 





OS CRUZEIRENSES VIVERAM HOJE UM DIA DE ATLETICANO...


 

 

 

O Grande Jornal dos Tucanos


 

O jornal Estado de Minas, talvez por falta de assunto melhor nessas "pacatas" Alterosas, foi lá em São Bernardo do Campo (SP) entrevistar os vizinhos do Lula em seu condomínio milionário. Óia o nível (chamada da primeira página):



VIZINHOS DE LULA



No edifício Hill House, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, onde mora a família de Luiz Inácio Lula da Silva, os vizinhos do presidente enfrentam dificuldades financeiras comuns da classe média brasileira. Com problemas de inadimplência no condomínio, desemprego e instabilidade nos negócios, muitos criticam o desempenho do governo chefiado pelo ilustre morador de uma das coberturas. Mas há os que defendem, como o zelador Mário Amadi (foto), ex-companheiro dos tempos em que ambos eram metalúrgicos.



Pô, "dificuldades financeiras comuns da classe média"? E desde quando morador de um apartamento desses aí é considerado "classe média"? Quem me dera se minhas dificuldades financeiras se limitassem a não conseguir pagar em dia um condomínio de 2 mil contos, ou a "instabilidade nos negócios" de minhas 5 empresas.

Além do quê, qual a relevância, o "valor-notícia", da opinião dos vizinhos milionários do Lula sobre a condução do governo federal? Esses caras estão para o Brasil assim como a Regina Duarte "tenho mêda" está para os eleitores do Serra. São alienígenas vivendo em um País onde se cata comida no lixo. "Classe média" uma pinóia!

Ou talvez a "mensagem subliminar" seja mostrar para o populacho que Lula, afinal, é um rico, um "burguês" como qualquer outro. Posso até imaginar o espanto das comadres na banca do jornal: "geeente, olha o prédio do Lula!" Como se fosse um grande absurdo o Lula morar bem, comer caviar e beber vinho francês. Apelação para o espírito preconceituoso dos ricos deste País: queremos que os pobres melhorem de vida, mas continuem no sertão/favela que é o seu lugar.

Gozado que o único satisfeito com o governo Lula é o zelador, cuja renda mensal deve ser umas 20 vezes menor que a dos "vizinhos" das coberturas. Se for assim, então bom sinal!

 

 

 

 

14 abril, 2005

 

Jogador do Quilmes é preso em São Paulo por insultar adversário negro


 

Não sou nenhum adepto de Ku-Klux-Klan nem fã dos argentinos, mas desta vez acho que a turma do "politicamente correto" foi longe demais. Uma palhaçada isso. Macaquice (sem intenção racista) de sul-americanos querendo mostrar para os europeus que também estamos nessa "cruzada contra o racismo no futebol". A diferença é que por aqui os jogadores argentinos xingam os brasileiros de "macaquitos", trocam-se uns sopapos e fica por isso mesmo. Lá, a torcida quebra o carro e ameaça a família dos jogadores negros ou latinos, inclusive os do próprio time.

O futebol sempre foi esporte "para homem", como se diz. Xingar o juiz, principalmente sua mãe, sempre fez parte do espetáculo. Provocação e humilhação da torcida adversária é essencial em todo clássico que se preze. Como um amigo meu costuma dizer, "estádio de futebol é o lugar onde você esquece todas as normas de boa educação que sua mãe te ensinou".

Hoje se escandalizam quando o jogador faz "aviãozinho" pra torcida, ou chama os cruzeirenses de "babaca" depois do jogo. Pois bem: um outro amigo, mais antigo, lembra-se de um caso de um jogador que, após passar o jogo todo sendo vaiado e hostilizado pela torcida, fez o gol, foi em direção da arquibancada e abaixou o calção, balançando o dito cujo. Este era o ambiente futebolístico, eternizado nas crônicas de Nélson Rodrigues e Armando Nogueira.

Hoje querem "pasteurizar" o futebol, torná-lo palatável, elitizado, limpinho, feito pra TV. O fim das "gerais" (arquibancadas populares), a instalação de "cadeirinhas" de plástico, diminuindo a capacidade dos estádios, o hediondo "pay-per-view", todos estes são arautos da "boiolização" do futebol. Agora, o jogador que xinga o outro, ao invés de simplesmente ser expulso, vai pra cadeia. Só falta mesmo proibir o torcedor de gritar "nome feio" e substituir o "tropeirão do Mineirão" por uma lanchonete McDonald's, e a boiolização estará concluída.

Claro que ninguém aqui quer o retorno dos "hooligans", nem acha que os fanáticos da Lazio dariam bons genros, mas é bom parar por aí.

 

 

 

 

13 abril, 2005

 

Semeai a discórdia e colhei belas palavras


 

Fiz um comentário meio besta no "Blog do Bean" aí em cima, e o judeu-brasileiro-atleticano Carlos Reiss me responde com um texto bastante esclarecedor sobre a política em Israel. Esse menino vai longe.

Quem quiser acompanhar a discussão, é só clicar aí em cima.

 

 

 

"Passarinho me contou"


 

Bom, pessoal, como eu venho escrevendo muito pouco, tomado pelo trabalho, jogatina e mulheres (bem, na verdade só uma), hoje vamos no velho Ctrl+C / Ctrl+V.

O texto é do poeta Ferreira Gullart, saiu na Folha e no UOL, e acho que diz mais sobre o assunto do que muita bobagem que vocês vão ouvir de Arnaldo Jabor e Luís Datena.




Encontrei-o no calçadão do Leme, sentamos para tomar um chope e falamos, entre outras coisas, da violência no Rio. Cláudio -não é esse seu nome- disse-me que, hoje, não sabe se tem mais medo do bandido ou da polícia. Devo acrescentar que ele nasceu na Baixada Fluminense e ali morou até pouco tempo. Um parente seu, que serve na Polícia Militar, contou-lhe coisas que agora passo a vocês, sem poder atestar sua veracidade.

Contou, por exemplo, que policial militar que trabalha na rua tem de descolar pelo menos R$ 60 por dia para pagar suas refeições e a gasolina que consome para ir trabalhar de carro, já que, se tomar um ônibus, está arriscado a ser morto. Por isso mesmo, todos querem ser escalados para trabalhar na fiscalização de veículos, mas só é escalado quem der R$ 200 ao encarregado da escalação. Como cada patrulha tem uma cota mínima de multas e apreensão de veículos por dia, completada a cota, começa o achaque. Há cotas igualmente para a apreensão de drogas e armas: cumprida a exigência, tudo o que for apreendido numa favela é vendido aos traficantes de outra favela. No fim do mês, o comando do batalhão chama a imprensa e mostra as armas e drogas apreendidas graças à ação da polícia militar.

Segundo Cláudio, seu parente PM contou-lhe que, certa noite, na Barra da Tijuca, a patrulha em que estava parou um carro suspeito e encontrou dentro dele fuzis, revólveres e até um maçarico. Os ocupantes do carro, ao serem apertados, confessaram que iam assaltar um bingo da Barra, cujo segurança lhes havia informado haver no cofre uns R$ 250 mil. E propuseram rachar a grana com os policiais se estes os liberassem. "Está nos achando com cara de otários? Vocês com essas armas e com o dinheiro vão é se mandar. Nada feito."

Então os bandidos fizeram outra proposta: dariam aos policiais dez milhas ali, na hora. Os policiais contrapropuseram 20 milhas. Os bandidos toparam, começaram a telefonar para tentar conseguir a grana, mas, como não conseguiram, foram levados presos para o quartel juntamente com as armas e o maçarico. As armas foram completar a cota de apreensão do mês e exibidas aos jornalistas que noticiaram o fato: "PM impede assalto a um bingo da Barra".

Se a PM faz uma incursão numa favela e apreende grande quantidade de dinheiro, drogas e armas -teria contado o primo dele-, parte das armas e da droga é levada para o quartel; a outra parte será vendida e o dinheiro, dividido entre os integrantes da patrulha.

Acrescentou que, certa vez, participou da incursão numa favela sob o comando de um aspirante a oficial, que fazia sua estréia. Terminada a operação, ele deu ordem para que todas as armas, drogas e dinheiro fossem postos em sua viatura e levados para o quartel.

- Essa não!, protestou um dos policiais.

- Quem comanda sou eu, reagiu o aspirante. Vai tudo para o quartel.

- Mata ele, falou outro soldado. Mata logo esse babaca!

O jovem oficial, embora assustado, manteve-se firme. Foi aí que um outro soldado o chamou à parte e lhe explicou que o pessoal ganhava pouco para arriscar a vida naquelas operações. A compensação era ficar com parte do que apreendiam.

- Mas isso é crime, respondeu o aspirante.

- Então você escolhe. Para nós, não custa nada te dar um tiro na cabeça e dizer que foram os bandidos.

O tenente cedeu e foi advertido de que, se os denunciasse, seria executado. Não há muita escolha, afirmou Cláudio, ou o cara se corrompe ou morre.

Mal podia acreditar no que ouvia e, por isso, perguntei se achava que tudo aquilo era de fato verdade.

- Por que ele iria inventar tudo isso se também se confessa envolvido na coisa?

- Para você, isso é exceção ou é a regra?

- Pelo que ele me disse, é a regra, embora dependa da ocasião.

- Não acredito que toda a PM seja corrupta.

- Bem, há uns tantos, como os evangélicos, que pedem para trabalhar no quartel, porque sabem que, na rua, é difícil não entrar no jogo dos outros.

E me contou outra história que ouvira de seu parente. Uma patrulha saiu para uma operação levando dois fuzis que pertenciam à corporação. Ao chegarem à favela, o sargento que comandava a patrulha ordenou que as armas fossem postas em sua viatura, mas um soldado protestou, alegando que os fuzis tinham sido retirados do paiol sob sua responsabilidade. De nada adiantou e, ao terminar a operação, os fuzis haviam desaparecido.

O sargento então acusou o soldado que protestara de ter se apossado das armas. Armou-se uma discussão que terminou na denúncia levada ao comando pelo soldado. Foram todos detidos para averiguação e aberto um inquérito que concluiu pela culpabilidade do sargento. Ficou demonstrado que ele dera sumiço nos fuzis para vendê-los a traficantes. Mas não foi nem preso muito menos expulso da corporação. Continua lá, trabalhando, e todo mês é descontado de seu soldo parte do valor dos fuzis.

- É como se ele tivesse comprado os fuzis a prestações, disse eu.

E ele, rindo:

- É mais ou menos isso.

Dois dias depois desta conversa, policiais militares mataram aleatoriamente 30 pessoas na Baixada Fluminense, ao que tudo indica para advertir o comando que ameaçou punir alguns deles.


 

 

 

 

09 abril, 2005

 

Eu costumava ser engraçado...


 

Ainda estou devendo a vocês, caros leitores (estou falando sozinho?) as 21 edições do SUBMUNDO DE NIKOLAS, versão e-zine, remasterizadas e digitalizadas. Prometi que iria expó-las à execração pública na lista de links aí do lado, e quase um ano depois, necas.

Parece meio besta, mas me divirto sozinho lendo trechos dos SUBMUNDOS antigos. Dizem que é impossível rir fazendo cócegas em si mesmo. Bom, tirem a prova se eu era mais engraçado no passado ou se estou só ficando maluco:

do SUBMUNDO DE NIKOLAS # XX

"Zapeamos e encontramos Márcia Goldsmith, com seu programa dirigido a mulheres de baixa instrução – como, aliás, todos os outros na TV aberta. Promete que vai mostrar algo que ninguém nunca viu no Brasil – um 'crossdresser'. Fica fazendo suspense, diz que não vai mostrar, fala pro auditório não se chocar com a aberração que vem aí, e 5 merchandisings depois, nos revela a 'novidade': 'crossdresser' é um homem que usa roupas de mulher.

Aí o telespectador murmura pra si mesmo: ' ‘crossdresser’ o caralho, na minha terra a gente chama isso de outro nome'.

do SUBMUNDO DE NIKOLAS # XVI

BIDÊ – Invenção de francesinho escravocrata para limpar o “derrièrre” com agüinha gelada e deixar os pedacinhos de merda lá pruma serviçal haitiana limpar depois. Escravocrata e porco, não é à toa que deu certo por aqui também. Felizmente, o bidê está morrendo, vítima da especulação imobiliária que produz esses nano-apartamentos modernosos. Apê com bidê hoje em dia é mais raro que vaga de garagem onde uma muié consiga estacionar em menos de 5 tentativas.


O pior é que fico gargalhando sozinho e o vizinho acha que eu sou maluco...

 

 

 

Necrofilia


 

Achei no Orkut uma comunidade de sujeitos que se ocupam em fuçar "profiles" de pessoas mortas, exibindo-os à "apreciação" pública.

Parece o quarto de uma pessoa que morreu de repente, cuja mãe se preocupa em mantê-lo como estava: a calça jeans jogada sobre a cama desarrumada, a foto na escrivaninha bagunçada. A única pista de que trata-se de um orkuteiro falecido são os "scraps", anotações que os amigos deixam, falando sobre "saudade" e "agora você está num lugar melhor". Versão moderna para as flores e homenagens deixadas nos cemitérios. Os mortos são sempre jovens e, pelo que disseram, suicidas.

Fiquei com a sensação de estar profanando uma catacumba de alguém que jamais conheci. Não recomendo pra ninguém.

 

 

 

 

02 abril, 2005

 

Enquanto isso, na redação de Veja, IstoÉ, Época...


 

"Morre, véio desgraçado, morre! Eu tenho que mandar a capa pra gráfica!!!"

Vai ser engraçado se o Papa morrer amanhã e a Veja sair com uma capa totalmente irrelevante tipo "Prisão de ventre: o mal que assola a humanidade". Sem falar na possibilidade de uma das três acabar "matando" o Santo Padre antes da hora.

Mas acho que eles não vão cair nessa. Vão acabar arrumando uma solução intermediária, tipo "João Paulo II, o Papa que entrou para a História", sem dizer se ele morreu ou não. Tipo a Veja fez quando o Arafat tava pra morrer.

 

 

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