25 janeiro, 2005

 

Bem-vindo à Colômbia


 

Rua Rio de Janeiro, em frente à C&A, sábado à tarde. Pára uma Blazer da polícia com as luzes acesas; dela desce um policial, arma apontada para dois "elementos" - rapazes negros de blusas coloridas, um de azul outro de vermelho.

"É, vocês dois mesmos! Já pra parede! Mão na cabeça!"

Não sei se os dois levaram baculejo por serem realmente suspeitos, ou só por serem negros. O policial não parecia muito preocupado em sacar uma arma em pleno Centrão de BH; um disparo acidental ia ser difícil de explicar pra Corregedoria, com tantas testemunhas.

O que mais espanta é que essas coisas já nem chamam muito a atenção. Estamos assistindo "Cidade Alerta" demais...

 

 

 

 

23 janeiro, 2005

 

Pergunta bumerangue


 

Muito cuidado com as perguntas que podem se voltar contra você mesmo:



"A Veja deixou o Brasil mais burro?"

A propósito: a classe média reclama de imposto de renda, mas quem paga R$ 7,30 nessa porcaria só pode estar com dinheiro sobrando.


 

 

 

Na boca, não!


 

Não me lembro exatamente qual foi a "indignação nacional" da vez que motivou o Veríssimo a escrever uma crônica na extinta "Bundas" com o título acima. Acho que foi o "Éfe Agá" apoiando o Joaquim Roriz contra o Cristovam Buarque para o governo do DF, ou aparecendo em cartazes em Sampa apoiando Maluf contra a Marta no segundo turno. Foram tantos vexames do Príncipe Sociólogo que a gente acaba se perdendo.

O mote do Veríssimo era o seguinte: até as putas têm seus limites, seu "ponto de resistência", que é o beijo na boca (estamos aqui falando de putas de verdade, da Guaicurus, da Afonso Pena; não essas modelos em ascenção, ou aspirantes a um papel secundário em "Malhação": estas fazem de tudo). As putas reservam o beijo na boca só para seus amores, nunca para o vil metal. Aí o Veríssimo queria saber até onde o Éfe Agá poderia se vender, quando é que ele iria bradar o seu "na boca, não!"

Hoje, guardadas as devidas proporções, podemos dizer o mesmo do Lula. A cada dia ele derruba um escrúpulo, um princípío que achávamos, até então, "sagrado". Começou com a aliança com o PL, passando por abraços e afagos com ACM, chegando ao (conveniente) arquivamento da CPI do Banestado. Agora, Lula-light está prestes a quebrar mais uma "barreira": nomear Roseana Sarney para o Ministério das Comunicações.



Já posso ouvir os lamentos incrédulos: "porra, logo o PT, que tanto apoiou a democratização dos meios de comunicação, e agora põe uma filha de coronel lá?"

Claro que metade da culpa é do eleitorado, que foi corajoso no voto para o Executivo mas manteve o atraso de sempre na hora de eleger o Legislativo. Afinal, como governar com esse Congresso sem sair enlamaçado?

Mas esperávamos mais do Lula. Que fosse ousado. Que investisse mais no embate que nas alianças. No dissenso que no consenso. Que falasse grosso com estas oligarquias mesquinhas e com a elite-filha-da-puta-que-sempre-mandou-neste-País, pelo menos uma vez.

Ficamos daqui esperando o "na boca, não!" do Lula.


 

 

 

 

18 janeiro, 2005

 

"Malando é malandro, mané é mané"


 



Foto Agência Estado / Maria Eliza Franco

Singela homenagem do SUBMUNDO DE NIKOLAS a Bezerra da Silva.

 

 

 

 

17 janeiro, 2005

 

Ainda nossos amigos portugas...


 

A gente fica aqui achando que Jabor e Mainardi são dois gênios e fazendo piadinha de português...

Óia a campanha publicitária da revista "Grandes Reportagens" (é, eles tem uma revista dedicada a grandes reportagens, e nós temos a Veja e QuantoÉ). O slogan é "Conheça o mundo em que vive":







essa aí em cima é a bandeira de Angola, pra quem não sabe

Tem também uma sacanagenzinha com o famoso "listras e estrelas", mas achei pouco imaginativo:


E nossos publicitários inventam "Nã-nã-nã-nã" e acham que merecem um lugar no Olimpo.

País ridículo (mas quem não é?)...

(É, a legenda ficou meio pequena, mas foi o melhor que eu pude fazer. Pra quem é vesgo, basta clicar na bandeira que ela abre.)

 

 

 

 

16 janeiro, 2005

 

Adeus, Lênin!


 

É, o Lênin lá em cima tava me dando muita canseira. Toda hora vinha um mané implicar: "e esse Lênin aí?", ou "o muro de Berlim caiu, mané!" As muiezinhas eleitoras de José Serra e Ciro Gomes quase desfaleciam ao ver o barbudo careca. Sem falar num velho amigo meu, ex-boêmio, agora militando na esquerda estudantil, que achava que "um burguês" como eu não podia usar a imagem do Lênin. Como se o defunto fosse monopólio do proletariado...

Uma fonte segura me disse que a CIA quase mandou fechar este SUBMUNDO, só por causa do Lênin (sério). Mas meus pistolões lá dentro conveceram os ianques de que o inimigo agora são os árabes, e que os "commies" eram gente fina.

Claro que a nova "embalagem" não vai me livrar de problemas. Daqui a pouco vem neguinho dizendo "o quê? Você é comunista? Não leu na Veja que o comunismo acabou e virou dinossauro?" A vantagem é que nem todo mundo associa a foice-martelo ao "império do mal", da mesma forma que muitos leitores achavam que o Lênin era na verdade uma foto de meu pai, ou sei lá. Tenho a ignorância ao meu favor.

O fato é que as pessoas não conseguem entender que meu apreço à propaganda soviética e seus símbolos é mais estético que ideológico (embora também, até certo ponto, seja ideológico). Do mesmo jeito que você não precisa ser anti-semita ou psicopata para admirar a beleza e a simplicidade de uma suástica, por exemplo.

Eu e o Príncipe Harry somos dois incompreendidos...

 

 

 

Voto de Macho


 

Lembro-me de uma conversa de boteco com um amigo lá de Conceição do Mato Dentro, o Beto Cassi, colega do Banco. O assunto era política, porque as eleições municipais se aproximavam. Corria o ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil novecentos e, digo, dois mil. Beto Cassi estava indignado com o advento do voto secreto. Não entendi sua birra:

- Pô, Beto, o voto secreto é bacana porque assim evita que o sujeito seja discriminado, sofra retaliações por ter votado em fulano e tal...

- Não! Qué isso! O cara tem que ser macho pra assumir sua posição! Senão, é melhor nem votar!

Apesar do estilo bronco do Beto, é perigoso um Habermas da vida (pelo menos o bom Habermas, dos anos 60, não a bicha decrépita que temos hoje) lhe dar a razão. A idéia de democracia foi reduzida a uma escolha plesbicitária, secreta, íntima, coisa de muiezinha, quando na verdade o ideal seria termos um debate de idéias, aberto, livre, todo o poder ao melhor argumento (a famosa "esfera pública"). Hoje, compartilho do fundamento do nosso Beto Cassi - acho que o sujeito tem que ser macho, sim, para assumir seu voto, sua opinião, inclusive ser responsabilizado por ela. Nenhum poder pode ser impune.

Por outro lado, isso não funciona para politicazinhas mesquinhas. Neguinho ia perder o emprego fácil, fácil. O voto aberto ia acabar sendo um retorno ao voto de cabresto.

Minha solução é que a relação de eleitores e seus votos (e suas opiniões), ficasse arquivada num lugar secreto, sendo acessada somente na hora de apurar as responsabilidades. Por exemplo: no dia em que os iraquianos tomarem o poder de volta e tentarem invadir a América, iriam remexer estes arquivos secretos para executar e escravizar somente quem apoiou Bush - e, por tabela, o extermínio e a submissão dos iraquianos. Convenhamos, seria muito mais justo do que foder todo mundo.

Em tempo: em 2006, vou de Heloísa Helena no primeiro turno, a menos que precise apelar ao "voto útil" para salvar o Lula. No segundo, Lula-lá na cabeça contra o Serra (ou seja lá quem for o tucano escolhido pra perder).


 

 

 

Blog Patrício D'Além Mar


 

Europeu é outro nível...

Clica aí em cima para cair no "Blogue (é, em português) de Esquerda", editado por uma meia dúzia de portugas. Nada de palavrões, besteirol ou putaria, só questões da alma e do mundo. Relmente, me deu inveja.

Trecho:

"Tudo isto para ilustrar uma verdade algo inesperada: a disseminação de informação sobre uma dada doença mental pode bastar para a espalhar; reforçando disposições anómalas mas reprimidas, deformando ligeiramente outros sintomas, validando ideias que nunca passariam disso se não fosse a leitura de relatos de casos 'semelhantes'.

E hoje, com um manancial inesgotável de taras, comportamentos auto-destrutivos e novas modalidades de loucura ao alcance de um click, que inauditas epidemias estarão a incubar nos meandros da Web?" - do post "Apanham-se doenças na Internet? (2)"


Parece que eles aceitam colaboradores. Dia desses vou ver se eles aprovam um de meus submúndicos. Mas para isso vou ter de contratar um tradutor "Português-Português".



 

 

 

 

15 janeiro, 2005

 

Não sei se vocês já viram isso...


 

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"Os Malvados", de André Dahmer. Conteúdo que precede a forma.



 

 

 

República dos reclamões


 

Li um troço no site do Arnaldo Branco muito interessante. Já tinha pensado sobre isso, mas acho que esse carioca safado escreveu melhor do que eu faria:

"Somos um país de indignados. Não consigo ficar dois minutos na fila de "frios" no supermercado sem que alguém venha tentar conseguir minha solidadariedade para com seus protestos pela demora (já fui balconista e sei que a maior mentira de todos os tempos é "o cliente tem sempre razão"). Não dá para ler nenhuma revista sem achar uma carta de um "cidadão que paga seus impostos" puto com alguma coisa. E o número de comunidades "Eu odeio..." no Orkut? Coisa de louco."


Coberto de razão. Gozado que, em contraste com a latente "indignação de fila de padaria", o brasileiro é um dos povos menos politizados do planeta. O sujeito que é sindicalizado é mau visto até pelos colegas. Grevista, então, é sinônimo para vagabundo. Se você disser a alguém que é filiado a algum partido político, o cara fecha a cara e esconde a carteira. Estamos entre os mais ardorosos adeptos da ideologia de mercado, disfarçada de senso comum, muito embora nossa versão de capitalismo tenha produzido uma sociedade vergonhosamente desigual. A tese corrente é de que o capitalismo é bom, o problema é o Estado ladrão e comilão que fode tudo. Se o Diogo Mainardi diz, deve ser verdade.

A ditadura fez o seu trabalho muito bem. Marinhos, Civitas, Frias e Mesquitas deram uma mãozinha. Mas a culpa não é só deles...

 

 

 

 

12 janeiro, 2005

 

Três perguntas de respostas óbvias:


 

1. O Lula vai ser reeleito em 2006?

Vai. Mole mole. Como eu já disse, o povão quer é consumo, não o poder, soberania, essas coisas complicadas. E no fim das contas, esse governo Lula não é tão ruim; o problema é que ele é "tucano" demais. Eu trocaria o Henrique Meirelles pela Heloísa Helena sem pensar duas vezes. Mas o Zé Dirceu nunca permitiria uma coisa dessas. Muito menos o tucanato.

2. E o Galo? Agora vai?

Euler fí do vento, Marques... Como diria minha sábia cunhada de Conceição do Mato Dentro, "figurinha repetida não enche o álbum". Aliás, os times de BH estão tão feios que eu não duvido nada se um Valeriodoce ou Mamoré vencer o Estadual.

3. Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?

Do ponto de vista do evolucionismo, o ovo, porque as aves descendem de outros animais ovíparos, os répteis. Basicamente, em algum momento da cadeia evolutiva, um jacaré botou um ovo e nasceu uma galinha.

Do ponto de vista do criacionismo, a galinha, porque Deus criou todos os animais em 7 dias e ordenou "crescei-vos e multiplicai-vos". Foi só então que o galo "botou uma sementinha" na galinha e ela começou a botar ovo.



 

 

 

 

11 janeiro, 2005

 

Filmaço para começar bem o ano


 



Um Estranho no Ninho (1975), filmaço do Milos Forman, estrelando Jack Nicholson. Quem é "Bicho de Sete Cabeças" e Rodrigo Santoro: fique com o original!

Claro que, 30 anos depois, algumas coisas parecem meio clichês: o indiozão caladão, a enfermeira fria, o adorável gaguinho... Além do que, como disse um leitor gaúcho, todos os filmes antigos, feitos com menos de 1 zilhão de dólar, parecem meios decadentes, "baratos demais" para os nossos padrões.

Vide "O Iluminado", por exemplo. O Kubrick alugou uma casa na montanha, pagou o cachê do Nicholson, comprou aquele fusquinha amarelo, e o que sobrou é lucro. Os filmes antigos cheios de efeitos especiais, caros para sua época, envelheceram terrivelmente. "Tubarão" chega a ser ridículo. E é impossível assistir o "Terremoto" sem dar risada.

Mas não deixem de assistir. Se só o Jack e o Milos não te convencem: ganhou os 5 principais Oscars de 76 (Ator, Atriz, Diretor, Roteiro Adaptado e Melhor Filme) e
revelou Christopher Lloyd (Tio Funério, da "Família Addams", e o cientista de "De Volta Para o Futuro") para o mundo.


 

 

 

Jogador sofre piripaque em jogo do Democrata


 

Só assim mesmo para eu ouvir falar do meu timeco do coração...

No jogo entre o Democrata de Valadares e Vila Aurora do Mato Grosso, pela Copa São Paulo de júniores, o atacante André Ferreira, do time "deles", sofreu convulsões, tremedeira, um trem esquisito. Mas não foi nada. Talvez foi só macumba da imensa torcida democratense...

O negócio é que deixamos essa Copinha com 1 empate e 2 derrotas. Mas participar de um torneio nacional já está bom demais prum time que nem sabe se vai ter capilé pra disputar a Segundona do Mineiro. Nem se for pra viajar de Kombi.

Torcedor de timeco sofre...




 

 

 

A propósito...


 

- Essa imagem aí embaixo é um pôster do filme "1984", adaptação do conhecidíssimo livro homônimo de George Orwell.

- E eu fui achar essa imagem, graças ao Google, num site dedicado a George Orwell hospedado na... Rússia! orwell.ru! Parece que nesse site tem jeito de baixar várias obras do Orwell - incluindo 1984 - em inglês, russo, ucraniano, bielo-russo, estoniano... Esse mundo dá voltas mesmo.


 

 

 

BBB - Assunto Proibido


 



Seguindo aos preceitos estabelecidos pelo grande Henry von Mittus - ou seja lá qual for seu nome atual (dizem que é um símbolo igual o que o Prince usou uma vez) - durante nossa inestimável parceria, este blog não vai emitir qualquer linha - exceto essas - sobre o tal Big Bronha Brasil. Nem fotos, nem links, nem referências subliminares. Nada. E qualquer comentário de leitor sobre o assunto será sumariamente deletado - sim, há uma forma de deletar os comentários, só não sei exatamente como...

A resposta para a inevitável pergunta "por que não?" é: por que sim? Por que do dia pra noite uma dúzia de zé ninguéns, sem nenhum talento, habilidade, cargo ou mérito especial, têm de virar assunto de mesa de boteco e ocupar nossas atenções? Por que, de repente, a maior humorista do Brasil é uma nêga que não sabe cantar "We are the World?"

"Reality show" é igual medusa: se não olharmos pra eles, anulamos seu "poder". Se alguém vier pra cima de mim com papo de "cê viu ontem no bígue bróder?", saio correndo e começo a gritar. Portanto, estou encabeçando a "frente da recusa". Quem quiser entrar é bem vindo. Se juntarmos um número suficiente de participantes, vamos mandar fazer uma camisa com o lema "não sei, não quero saber, tenho raiva de quem sabe!"

 

 

 

Coisa feia...


 

Realmente um absurdo esses jornalistas profissionais e amadores que simplesmente tiram férias no final do ano e deixam que os tsunamis e incêndios em discotecas aconteçam, para horror dos estagiários que ficaram de plantão.

Não duvido nada se um jornalão desses tenha confundido cem mil com cem MILHÕES de mortos numa manchete dessas.

Além de tudo, um descaso com os leitores que não tem família nem amigos, cujo melhor momento do dia é ler um "Istadiminas" no banheiro e um "Submundo" na internet.

Uma sacanagem.

 

 

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