23 dezembro, 2004

 

Piadinha fácil para não perder o dia


 



Só não faço uma camisa igual essa pra mim porque minha muié ia me encher de cascudo. Sem falar que ia ter sempre alguém insinuando veadagem - "comé que é? vai dar o bútas por cerveja?"



 

 

 

 

22 dezembro, 2004

 

Meios de desinformação em massa


 

Tudo bem que a onda agora é valorizar os "heróis" brasileiros anônimos e a "superioridade" de nossa raça mestiça. E que esculhambar pobre e demerecer seus pequenos feitos pega mal. Mas a babação de ovo em torno desse menino - que "fez o parto da mãe", dizem - é completamente injustificada.

Gozado que, quando você entende um pouquinho que seja de qualquer assunto, já começa a se irritar com a imensa quantidade de informação totalmente equivocada publicada pelas televisões, jornalões e portalões de internet. Confundem milhão com bilhão no caderno de Economia, ou Eslováquia com Eslovênia nas notícias internacionais. Dizem que uma vez, na Copa de 74, o Galvão Bueno narrou Alemanha Ocidental X Alemanha Oriental ao avesso. Se você implica com estes deslizes, acaba passando por "caixião", "certinho" demais, por não ser ignorante o suficiente.

Não sou parteiro e seria incapaz de ajudar uma galinha entupida a botar um ovo. Mas por algum motivo sempre me interessei pelo assunto, li alguma coisa na internet, ví várias fotos e não perdia um documentário sobre partos quando tinha TV a cabo em casa. Do pouco que sei, posso dizer duas coisas sobre esse "menino herói que fez o parto da mãe":

1 - Não existe esse negócio de "fazer parto". O parto é um evento natural e espontâneo, que depende antes de mais nada e acima de tudo da própria mãe. Segundo a OMS, só uns 15 a 20% dos partos precisariam de alguma intervenção médica. Nos outros 80 e tantos por cento dos casos, a mulher é capaz de parir até em cima de uma árvore - aconteceu uma vez durante uma enchente em Moçambique.

2 - Claro que a maioria das mulheres prefere dar à luz com a assistência de alguém. Pra assistir uma parturiente, a pessoa tem que ter algum conhecimento empírico - como as parteiras véias do interior que já viram mil partos - ou científico - o médico, ou enfermeira-obstetra. Mas assitir não quer dizer "fazer" no lugar da mãe. Assistir, em 80% dos casos, é literalmente assistir. O tal moleque-herói fez exatamente aquilo que não se recomenda - ficou puxando a cabeça do feto, em tempo que aleijar o irmãozinho ou rasgar de vez a xavasca da mãe.

Quem quiser ajudar e doar cesta-básica - se bem que a tal mãe precisa mais é de anticoncepcionais e/ou camisinha - que ajude. Mas herói o pirralho não é.

 

 

 

Um aborto de idéias


 

Coloquei esse comentário aí embaixo num fórum da AOL, sobre um texto duma muié aí (clica aí em cima que fizer questão) sobre o sempre recorrente tema do aborto. Mas parece que o tal fórum, como sempre acontece, foi tomado pelos profetas do apocalipse de sempre, de modos que trouxe meus bostejos para cá:

"A criminalização do aborto, efetivamente, não existe mais. Está na lei, mas nenhum juiz com o mínimo de sensatez a aplica. Botar uma mulher na cadeia por causa de um aborto é ridículo. A descriminalização vai apenas 'atualizar' a lei ao que já é aplicado.

Por outro lado, a descriminalização não pode resultar em uma banalização do aborto. Alguns movimentos feministas acham que o aborto é apenas uma questão de escolha, e que as mulheres deviam ter 'liberdade' para abortar quando bem quisessem, inclusive gastando dinheiro do SUS. Sobre isso, tenho a dizer o seguinte:

1 - O aborto é um péssimo e caríssimo meio anti-concepcional, devendo ser aplicado apenas em casos extremos. A banalização do aborto pode resultar em um (ainda maior) descuidado com a anticoncepção, resultando em um número maior de abortos, com maior sofrimento e custos (para não entrar no mérito moral da coisa).

2 - Uma mulher que quer ter 'liberdade' de escolha deveria ter, primeiro, a responsabilidade de se prevenir. Existem hoje dezenas de meios anti-concepcionais muito eficazes. A mulher que aborta simplesmente porque 'não quer o bebê' demonstra não ser responsável o suficiente para cuidar do próprio corpo, quanto mais do dos outros)."

Não sou fundamentalista, mas nunca fui fã dessa história de "pro-choice". Quem faz besteira, tem que assumir. Essas muiés de hoje não são tão fodonas? Cadê a tal "maturidade"?

Mas estou disposto a ouvir a oposição. Quem não gostou, que comente!



 

 

 

Bi-bi!


 

Em poucos dias me tornarei mais um feliz poluidor de atmosfera e congestionador de trânsito de BH.



As futuras gerações que me perdoem.

 

 

 

 

18 dezembro, 2004

 

Animação tosca (cortesia de www.cocadaboa.com)


 

Isso é muito hilário! Quem cresceu nos anos 80 assistindo aqueles desenhos japoneses da Manchete (Jaspion, Changerman, Jiraya, etc.) tem a obrigação de clicar no link acima.



Os anos 80 eram uma época legal. Quer dizer, exceto pela falta de democracia, o monopólio da velha mídia (não havia internet nem TV a cabo), a guerra suja dos EUA na Nicarágua, miséria, hiperinflação, o massacre da Praça da Paz Celestial, a Cindy Lauper e os Menudos.


 

 

 

 

17 dezembro, 2004

 

Momento Fúria Assassina da Semana


 

Se algum de vocês passar em frente a uma loja Ricardo Eletro, por favor joguem um coquetel molotov naquela porra, de preferência na seção de roupas ou líquidos inflamáveis pro fogo espalhar mais. Digam que é uma lembracinha minha.



Porque os desgraçados filhos da puta donos dessa bosta de loja pra pobre botaram, sábado passado, um carro de som (na verdade um "caminhão de som") circulando pelo Centrão anunciando as "ofertas do Ricardo Eletro" no último volume. Como se não bastasse a tortura que já é andar nas imediações da Tupis em época de Natal, tenho que ter meus tímpanos estourados por promoção de liquidificador. Uma palhaçada.

Dá vontade de pegar o peito mole da mãe desse Ricardo Eletro, enfiar no copo do liquidificador da promoção, ligar e fazer picadinho de mamilo de véia. Servir acompanhado dos testículos do próprio, devidamente triturados no processador Arno de múltiplas funções que também está em oferta.

 

 

 

Três Excelentes motivos para proibirem propaganda de cerveja


 

1 - O mais óbvio: cerveja é uma droga como qualquer outra: vicia, faz mal e pode até matar (principalmente se você for dirigir ou brincar de roleta russa depois dum porre). Se proibiram propaganda de cigarro, por que permitir a associação cerveja = festa e muié de biquíni? E não me venham com essa de que isso seria "um abuso stalinista (essa é a palavra da moda) às liberdades individuais", porque proibir propaganda não é proibir o consumo. Eu, por exemplo, vou continuar enchendo a pança de suco de cevada, independentemente dos dólares investidos em marketing. Talvez alguns adolescentes pensem diferente. Bom para eles.

2 - Isso vai provocar uma crise fudida no mercado publicitário e nas (já quebradas) emissoras de TV do País. Vários publicitários, marketeiros e Marinhos podem ter que procurar comida no lixo com uma medida dessas - porque as cervejarias respondem por uma boa parte da receita deles. Um Brasil sem Nizan Guanaes e (não custa sonhar) Rede Globo. Quer coisa melhor?

3 - O "Nã-nã-nã-nã", o paraíba do "Seráááá" e a "Nova" Schin do ano passado. Se todos os garotos propaganda de cerveja fossem mudos como o velho baixinho da Kaiser, dava pra tolerar. As campanhas atuais me fazem sentir saudades da tartaruga que fazia embaixadinhas.


 

 

 

 

13 dezembro, 2004

 

Um novo sentido para a palavra "cretino"


 



Hoje umas seiscentas e poucas bichas cruzeirenses desocupadas foram ao Mineirão assistir o jogo de seu timeco, que há umas 20 rodadas está apenas fazendo figuração nesse Brasileirão de pontos corridos (não precisava ser tão demorada essa porcaria), contra o Vitória da Bahia, ameaçado de rebaixamento (como o nosso Galo).

As bichas azuladas pagaram ingresso para torcer contra! Vaiaram quando o time fez os gols! Ficaram decepcionadas porque venceram por 4 a 0.

Gozado é que, quando o Cruzeiro disputava títulos nacionais e internacionais, os cruzeirenses reclamavam dos atleticanos que ficavam secando. "Porra, o Cruzeiro está representando Minas, cara! Cadê seu patriotismo de mineiro (sic!)?"

Agora pagam ingresso para torcer contra e pedir pro time deles entregar o jogo, só para curtir com a desgraça alheia.

Se eu fosse jogador do Cruzeiro, e fosse entrevistado depois do jogo, mandava essas bichas tomar no cu, ao vivo na Itatiaia. Uma vergonha.

Do lado de cá, vamos nos livrando e a sorte vai nos ajudando. Pelo menos até agora.


 

 

 

 

08 dezembro, 2004

 

Será a sina de toda a revolução trair a si mesma?


 

Estive lendo nestas férias um livro do Marc Ferro, leitura obrigatória para quem gosta de História, ou apenas de boas histórias: "O Ocidente diante da Revolução Soviética", escrito em 1980 - mas já refletindo uma posição desiludida com a agora falecida URSS.

O trecho mais interessante é aquele em que o historiador reflete a posição dos esquerdistas europeus sobre o "Terror" bolchevique, na época da Guerra Civil (1918-1921). Neguinho tapava as orelhas e os olhos, dizendo que era tudo mentira da propaganda anti-revolucionária e dos "traidores":

(...)Quando, num comício da Liga dos Direitos do Homem, vários oradores - de regresso da Rússia - testemunhavam sobre o terror que se exercia não somente contra os "burgueses" (o que todos admitiam sem pestanejar), mas contra os próprios socialistas, mencheviques ou socialistas-revolucionários, os participantes apuparam os oradores, qualificando-os de traidores e renegados. "Calem-se; há apenas um revolucionário em quem acrediataríamos: Martov, ou ainda Trotsky; esses nós conhecemos bem, e sabemos que eles nos diriam a verdade".

Nesse momento, ouviu-se uma espécie de tumulto no fundo da sala, depois uma forte agitação. Um rumor percorreu toda a sala; tornou-se tempestade: "Martov acaba de chegar, está aí". Efetivamente, Martov estava lá, acompanhado de alguns camaradas; acabara de chegar da Rússia, reencontrara todos os seus antigos camaradas do tempo da guerra e da clandestinidade. "Dêem a palavra a Martov", "Martov, Martov", repetia a multidão. Ele aproximou-se, não sem dificuldade, da tribuna, pois todos queriam abraçar, tocar o líder internacionalista, a testemunha e participante dos grandes eventos que haviam iluminado o mundo. Houve aplausos, as pessoas se levantavam. Ele esperou um pouco e, então, falou, num silêncio religioso: "Ouvi o que acabam de dizer a vocês os camaradas da Rússia. Posso testemunhar que o que eles disseram sobre o terror é perfeitamente exato. Passam-se atualmente coisas horríveis na Rússia".

Ao silêncio de morte que acompanhou esse testemunho, sucedeu-se uma explosão, uma tempestade; a assistência se ergueu, urrando de cólera: "Não é verdade, mentiroso". Foi vaiado, e o rumor elevou-se a tal ponto que, sob ameaças e chistes grosseiros, Martov teve de deixar a tribuna.


Além de um hisotriador foda, o Ferro (pronuncia-se Ferrô) tem uma excelente narrativa. Prova que a realidade, quando bem trabalhada, sempre supera a ficção.

 

 

 

 

07 dezembro, 2004

 

Leiam Carta Capital


 

Fui obrigado a fazer esse jabaculê depois de ler essa do Mino Cartar, editor e chefão da única revista de macho desse País:

"Quem quebrou o País e praticou o maior engodo eleitoral da história brasileira ao liquidar US$ 45 bilhões de reservas para conseguir a reeleição, assume a ribalta e acusa o atual governo de 'incompetente', com o contorno de uma expressão embolorada: o rei está nu."

(Para quem não ficou satisfeito, ele também fala mal do Lula. E muito.)

 

 

 

 

06 dezembro, 2004

 

Governo despetizado, PT descafeinado


 

Carlos Lessa, vítima da reforma ministerial despetizante, saiu do BNDES metendo a boca no trombone. Disse que a burguesia usurpou o governo Lula do povão. Há um tanto de verdade e de mágoa nas palavras do véio.

Na verdade o próprio PT já vem se "despetizando" há um bom tempo, pelo menos desde quando o Campo Majoritário, de Zé Dirceu e Genoíno, tomou as rédeas do partido das tendências de esquerda, como a Articulação e Democracia Socialista, lá pelas metades dos anos 90. Com a popularidade de FHC despencando no segundo mandato, os caciques do Campo Majoritário proclamaram que a hora era agora, e que valia a pena deixar de lado algumas bandeiras e escrúpulos para chegar ao Planalto. De lá pra cá, tivemos que engolir o PL, Meirelles, Palocci, Sarney e Waldomiro, e abrir mão de Heloísa Helena, Gabeira, Cristovam Buarque e outros. Agora, para acomodar o PMDB, esse aglomerado de vagabundos em que salva-se uma meia dúzia, é preciso "despetizar" ainda mais. Lessa, Frei Beto e Kotscho já estão fora. Só falta mesmo a Marina Silva sair de seu posto simbólico e o Chico Buarque fazer uma música criticando o Lula, e a "despetização" estará consolidada.

O governo Lula não é um governo de esquerda. Talvez nunca tenha realmente sido, e agora é ainda menos. Teremos mais 2 (eu aposto 6) anos de um governo federal que vai trilhar o caminho da coligação, e não mais da contestação e embate, com os velhos grupos oligárquicos de sempre. Socialismo e reforma agrária, necas. Quem estiver insatisfeito, é melhor voltar às ruas e protestar, sem essa de "dar um desconto" por ser um governo "dos nossos".

Mas daí a dizer que Lula "traiu o povo" são outros quinhentos. O eleitor brasileiro sempre se identificou mais com a ideologia capitalista, o sonho americano ("com trabalho duro se chega lá"), do que com bandeiras de esquerda tipo "justiça social", "distribuição de renda" e "taxação dos lucros dos ricos". É uma triste realidade. Lula venceu em 2002, é bom lembrar, prometendo crescimento econômico e o fim do desemprego e da miséria. Não havia menção a "socialismo" em seu programa de governo. Quando optou pelo discurso barbudo e a crítica ao latifúndio e banqueiros, perdeu 3 eleições.

E pragmático por pragmático, melhor um governo que seja eficiente. Lula conseguiu reverter um quadro de incertezas herdados de FHC e promover um razoável crescimento econômico sem hiper-inflação e sem estourar a dívida externa. Desarmou a bomba-relógio da dívida pública trilionária atrelada ao dólar, armada por Malan, Armínio e Gustavo Franco. O País está menos vulnerável a ataques especulativos.

O povão não quer o poder, quer emprego e DVD. Que Lula tenha sucesso e lhes dê o que pedem.


 

 

 

 

05 dezembro, 2004

 

Piadinha exclusiva para fãs do "Simpsons"


 

Biografia do Roberto Marinho escrita pelo Pedro Bial é o mesmo que uma biografia do magnata Montgomery Burns escrita por Waylor Smithers.

(Não, eu não acho que o Pedro Bial seja boiola. Não é por aí).


 

 

 

O Inferno segundo Nikolas


 

Imagine uma loja da C&A lotada, cheia de donas-de-casa gordas trombando em você, sem ar condicionado, sem lugar pra sentar, e com o sistema de som repetindo aqueles "jingles" horrorosos com participação da acéfala da Gisele Bündchen ("mo-da-mo-da-mo-da-mo-dá!"). E sua muié nunca escolherá a roupa certa. NUNCA!

Mal sabia Dante...


 

 

 

As favelas são o nosso Iraque


 

(Não sei se alguma outra besta já disse isso ou coisa semelhante. Caso contrário, os créditos são meus.)

- Escravizamos e exploramos os infelizes por uns trocentos anos e não conseguimos entender porque nos odeiam.

- Achamos que eles devem obedecer às nossas leis e tropas, mas não aceitamos que freqüentem nossos shopping centers e festas de Ação de Graças.

- Desprezamos suas origens (africanos raptados e escravizados/árabes colonizados) por não serem tão nobres quanto as nossas (europeus saqueadores e estupradores).

- Não nos comovemos com fotos de torturas e assassinatos de seus habitantes, mas organizamos passeatas com palavras vãs de protesto a cada vez que um dos "nossos" leva um tiro.

- Um deles só é aceito se devidamente submetido às nossas regras ("ele é favelado mas é trabalhador"), e ainda assim parcialmente (elevador de serviço).

- Achamos que as crianças deles "não são como as nossas", já que eles procriam como coelhos, e então podemos lidar numa boa com grupos de extermínios e chacina da Candelária.

- E achamos que a única solução para nos manter seguros é mandar mais gente armada para distruir tiro e porrada nos bandidos/terroristas.

Se alguém quiser colaborar com mais um "paralelo" desses, ou me esculhambar (sei de pelo menos um leitor que vai), é só clicar no comments aí embaixo.

E não me venham com essa de "o Iraque é aqui" e começar a mumunhar sobre "falta de segurança" e "pivete roubando celular", que isso é coisa de "O Globo" e JB. Somos um blog sério!

 

 

 

 

03 dezembro, 2004

 

all work and no play makes jack a dull boy


 

A recente falta de posts neste SUBMUNDO se explica de duas maneiras: falta de tempo livre e excesso de tempo livre.

Falta porque, durante as primeiras semanas de Novembro, minha energia vital restante foi impiedosamente sugada por empresa de economia mista até sobrar só o bagaço.

E excesso porque, do dia 20 para cá, estive gozando o privilégio getulista das férias renumeradas, e não sou do tipo que troca uma cerveja gelada na beira de uma praia ensolarada por um ilusório oceano cibernético.

E o SUBMUNDO, desde sempre, esteve sujeito a interrupções bruscas e sem aviso. Melhor não desenvolver dependência química ou psíquica, ou vão precisar de tratamento.


 

 

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