30 outubro, 2004

 

Educação de Griffe e Pedigree


 

Este texto aí embaixo é da Sílvia Amélia, jornalista formada na UFMG (como o paquiderme aqui) mas que continua dando o ar de sua graça no e-zine "Carol". Para quem não conhece, o "Carol" é um não-períodico criado em 2001 por Henrique Milen, então aluno de Comunicação Social da UFMG, e desde então tem entupido as caixas de e-mail de alunos e ex-alunos do curso, através das gerações. Revelou para o mundo (quer dizer, "nosso" pequeno mundo) talentos como o próprio Milen, Breno Lobato, a poesia de sacanagem dos FDD's, os desconexos relatos da eterna "ave" Inês Sadala, entre outros ainda menos cotados. Embora atualmente esteja mais limitado ao "foro íntimo" dos comunicólogos da Fafich, de vez em quando surge uma discussão que interesse os "de fora", como essa:

"Tem uma camiseta do curso de Medicina circulando por aí. Na frente está escrito o nome e o preço das mensalidades de vários cursos médicos de faculdades privadas. Nas costas, a grande sacada, “Medicina UFMG não tem preço” e completa com “tem coisas que seu pai não pode pagar pra você!”, no estilo daquela campanha da Credicard MasterCard.

A idéia antipática parece que surgiu no curso de Direito (ôôô!). A primeira sensação que ela passa é de uma arrogância infantil, do tipo “uiuiui, eu não pago, você paga, lálálá”. Mas o que dá um nojo danado é a pretensão de acusar o interlocutor (no caso, quem estuda em faculdade particular) de ser um “filhinho de papai”, que tem tudo na vida comprando.

Até parece que não existe dinheiro, e muito dinheiro, no processo que levou alguém a ocupar uma vaga em um curso de elite da UFMG. Bons colégios, cursinhos integrados, viagens internacionais, cursos de línguas, aulas particulares e por aí vai. Claro que teve esforço por parte do aprovado. Assim como também existiu esforço da parte de muitos que não entraram aqui.

Imagina quanto é investido para formar um médico na UFMG! Quanto é gasto num curso de Direito ou de Comunicação? Sim, a gente concorda que deveria ser investido muito mais. Mesmo assim, certamente é muita grana. Dinheiro público, dinheiro de todo mundo, dinheiro de quem estuda na Ciências Médicas, dinheiro de quem paga financiamento de um curso “de menos prestígio” na Puc- Contagem, à noite, dinheiro de quem não fez vestibular porque sabia que não tinha a menor chance de passar na universidade pública, dinheiro de quem é analfabeto.

Então eu me torno um baita privilegiado que estuda na UFMG e já dou logo uma banana pro mundo, usando uma brincadeira sem graça como essa camiseta. Pode? Não pode. Mas tem gente que acha muito “legal”... Ontem li um artigo sobre um livro que avalia o investimento feito na formação das elites intelectuais brasileiras. Além da universidade pública, tem ainda as bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado que um bocado de gente recebe do governo brasileiro para estudar no exterior.

O que me intriga nesses casos, tanto dessas bolsas, quanto da vaga na universidade pública, é que muitos devem acreditar que esses benefícios premiam um mérito próprio, a “inteligência” de passar em complicadas seleções... Não! Isso tudo é investimento público que deveria sempre render algum retorno para a sociedade e blábláblá; vocês conhecem o resto da história.

Ouvi dizer que Comunicação Social será o curso mais concorrido do vestibular deste ano. Tomara que esse fato não acabe rendendo idéias ridículas como a camisa do Direito e da Medicina. Tomara que cada caboclinho, que passar, se preocupe mais em contribuir com os projetos de extensão universitária do que “tirar onda” com quem, infelizmente, não teve essa grande oportunidade de “incipit vita nova”."


Dito isso, cabe-me dizer que, embora concorde com a moça, acho que a cantilena "pobre estuda na particular e rico na pública" não passa de demagogia de mal-informados alimentada por mal-intencionados que querem mesmo é privatizar tudo. No fim das contas, são todos filhos de uma mesma elite, pelo menos nos cursos mais badalados e concorridos. Os realmente pobres são raros no ambiente acadêmico, mas as estatísticas mostram que há mais deles nas faculdades públicas, só que em cursos menos concorridos.

Quem quiser receber o Carol, é só pedir pro atual editor Rafael (rcruzesilva@uol.com.br); quem quiser falar diretamente com a Sílvia Amélia, é silvias_araujo@hotmail.com .


 

 

 

 

29 outubro, 2004

 

Marta Suplicy perdeu a batalha midiática


 

Quem disse não fui eu, e sim o Le Figaro: a administração de Marta foi a melhor, sem dúvida, dos últimos 20 anos, mas a muié perdeu devido à sua postura arrogante, ao botox e ao marido argentino. O conteúdo perdeu para a embalagem. A Folha de São Paulo também deu uma "mãozinha", dizem os franceses. Eu acrescentaria o IBOPE na lista de fatores, apesar de secundário.

Tradução horrorosa cortesia de Babelfish

A vitória de Serra, contudo, tem dois pontos positivos:

1 - "Sugere" ao núcleo-duro do PT, sediado precisamente na capital paulista, uma mudança de rumo, pois Duda Mendonça por si só pode não ser suficiente para garantir a longevidade petista - muito embora 2006 já esteja mais ou menos garantido, exceto por uma crise cambial aguda ou outras intempéries da natureza.

2 - A administração Serra não vai, obviamente, consertar São Paulo. Vão continuar morrendo os mesmos 50 por final de semana, o trânsito via continuar ruim, a cidade vai continuar sendo um lugar de bosta para se viver e a prefeitura não vai sanar seus débitos. Isso porque São Paulo não tem conserto, pelo menos não a curto prazo. O tucano vai tentar disfarçar com marketing, mas vai virar mais teto de vidro que vitrine.

Me procurem em 2008 para dizer que eu estava certo.


 

 

 

 

26 outubro, 2004

 

Schopenhauer


 

Nunca li essa porra, mas gostei dessa frase do sujeito:

"As mulheres permanecem crianças ao longo de toda a sua vida, sempre vêem apenas o que está próximo, prendem-se no presente, tomam a aparência das coisas pelas coisas em si e antepõem ninharias aos assuntos mais importantes."

Depois dizem que EU sou chauvinista...


 

 

 

Fórmula Repetida


 

Outra vez, a vilãzona da novela das oito (Renata Sorrah) tomou um pau da heroína Suzana Vieira. Surra digna de Eliminatórias da Copa do Mundo na Oceania.

Depois vem essas porra de campanha "Sou da Paz", made in Zona Sul do Rio e patrocinada pela Globo. Faça o que eu digo, não faça o que eu faço.

E o Aguinaldo Silva acha que quarenta pontos de IBOPE lhe garantem o status de "gêncio da dramaturgia". Mas que alternativa de lazer há para a maioria da população brasileira? "Ler um livro" não serve, porque a Rede Globo e nosso péssimo sistema educacional fizeram um ótimo trabalho em analfabetizar nossas massas.


 

 

 

 

25 outubro, 2004

 

Por falar em televisão...


 

Só pode ser sacanagem, forçação de barra pra neguinho instalar TV a cabo. No último sábado, no sagrado horário do futebolzinho do Campeonato Brasileiro - e do clássico Atlético e Cruzeiro, de ótimas lembranças - a Rede Globo me arruma um filmeco japonês de quinta, B mesmo, um tal de "Godzilla 2000". Não, não é o blockbuster milionário "Godzilla" de uns anos atrás - e mesmo que fosse, seria uma merda do mesmo jeito - mas um troço muito mais tosco, do nível do "Jaspion" para baixo. Digno de RedeTV!, ou da Record, de madrugada, depois da Sessão do Descarrego.

Para quem não foi apresentado, o Godzilla (que os japas chamam de "Gojira") é um largarto verde radioativo que sai de dentro do mar, cuja carapuça resiste a mísseis disparados por helicópteros. Neste filme, ele fica bonzinho e salva Tóquio de um bicho chamado "Orga" - não, não é a muié do Luís Carlos Prestes - que sai de dentro dum disco voador. Claro que no fim rola aquelas batalhas com cenários feitos em maquetes, tipo Robozão do Jaspion versus Satan-Ghost.



Foi isso que a BOSTA da Rede Globo nos ofereceu como alternativa à pelada no Mineirão. Enfim, achei bom que o empréstimo do BNDES não tenha saído - tomara que essa porra vá à falência com Globosat e tudo e que aqueles irmãos Marinho sejam, por uma vez na vida, forçados a TRABALHAR, coisa que nunca fizeram.


 

 

 

 

24 outubro, 2004

 

Confissões de um Domingo à Tarde


 

- O Rubinho, de tão loser, atrai uma certa simpatia. É o Charlie Brown (o bom e velho "Amendoim", qualquer relação com uma banda de skatistas domesticados é mera coincidência) da Fórmula 1, principalmente em Interlagos. Esse ano, além de ter novamente frustrado às expectativas infladas pelos Galvão Bueno de plantão, levou uma garrafada de champanhe na cabeça, no pódio, dada acidentalmente pelo vencedor Montoya. Fingiu que não foi nada, mas esse galo vai doer mais à noite...

- Não sei se é culpa de anos de propaganda subliminar da Globo, mas embora eu ache o Domingão do Faustão até "tolerável", não suporto a 5 minutos do "Domingo Legal", concorrente essencialmente semelhante. O "Domingo Legal" não parece ter propósito algum além de manter a audiência entre um intervalo comercial e outro, e o Gugu - que minha mãe definiu certa vez como "uma bustica de homem" - passa exatamante essa impressão. Fico imaginando os homens nos bastidores de olho pregrado no IBOPE, como os engenheiros da NASA monitorando suas missões espaciais: "Quinze pontos... Treze pontos... Dez pontos... As video-cassetadas não estão dando audiência! CHAMEM AS DANÇARINAS DE AXÉ/FUNK/PAGODE SEMI-NUAS, RÁPIDO!"

- Já o programa da Márcia Goldsmitch rende fácil, fácil uma cassação da concessão da Bandeirantes. Sim, porque as TVs e rádios precisam de uma concessão pública para irradiar suas ondas pelo ar numa determinada freqüência, e espaço aéreo não é penico, viu, dona Márcia? Hoje ela levou lá o sujeito que teria invadido armado seus estúdios no domingo passado, mas teria sido contido pelos seguranças antes que pudesse fazer qualquer estrago. Exibiu uma reportagem onde o maluco expôs todo o seu problema: parece que ele brigou com a muié e a megera não deixa ele ver os filhos, coisa assim. Quer dizer, se levarmos a sério a questão de que o cara invadiu os estúdios da Band armado, a Márcia Goldsmitch ofereceu-lhe exatamente o que queria: visibilidade. "O crime compensa", bela lição. Não me admira se outro pinel invadir algum estúdio de programa de auditório para disparar pipoco ao vivo, já que o que não falta neste País é desesperado e três-oitão.


 

 

 

Detê ruim de conta


 

Eu sei que tenho amigos trabalhando por lá e não devia pegar pesado, mas óia a manchete principal do Diário da Tarde deste sábado:

"Belo Horizonte, sábado, 23 de outubro de 2004
BEIRANDO O Nº 1000
Dois menores executados; em poucos dias BH registra o milionésimo homicídio do ano"

É, Beagá-Auschwitz é isso aí. Ou melhor, acho que em Auschwitz demoraram mais de um ano para passar de um milhão. E depois dizem que o Rio é que é violento...

Na página de opinião, os editores da porra, preterindo a tantas urgentes questões do mundo a serem debatidas, resolveram fazer média com a família de aristocratas locais que perderam a filha recentemente. Aquela mocinha que espatifou um Audi a trocentos por hora na descida da Afonso Pena, semana passada. Acham que o tobogã de asfalto liso é um perigo para motoristas afoitos. Os fudidos que diariamente se fodem em seus Fusquinhas e Brasílias - quando não a pé, mesmo - naquela roleta russa de caminhões e buracos que é o Anel Rodoviário bem que gostariam da mesma solidariedade. E ainda tentam encaixar uma polemicazinha:

"O airbag do Audi, um carro caro, moderno, não funcionou. Como a fábrica vai explicar isso?"

Esperam do dinheiro, além de tudo o que ele nos proporcina, que nos torne Highlanders ou coisa parecida. Aí também já é demais.


 

 

 

Tinha que ser mulher...


 

Porra, meter o pau no Lula não é nenhuma novidade. Torcer contra a Marta Suplicy em São Paulo pro PT baixar a bola também não é algo que assusta muita gente. Pedir pela volta do PSDB ao poder já rende uma certa polêmica e o risco de ser taxado de ignorante. Agora, isso que essa Professora da USP anda dizendo já é sacanagem: a muié tá pedindo o retorno deLLe!

Isso pra mim já ultrapassa as arenas possíveis do debate democrático e entre nas raias da psiquiatria. Ou é burrice mesmo, porque ser professor universitário não é garantia de muita coisa - e isso qualquer débil-mental que passou mais de 4 anos na UFMG como eu é capaz de atestar.

O que me admira é que continuam fazendo piadinhas de português, enquanto o estereótipo da muié mal informada e metida a dar opinião (como a maioria) tem muito mais apelo humorístico...


 

 

 

Sete dias sem atualização? TRAGAM O DESFIBRILADOR!


 

Devido à passagem de um tufão no arquipélago de Tokelau, onde está hospedado O SUBMUNDO DE NIKOLAS, este blog esteve congelado nos últimos sete dias.

Voltamos agora à nossa programação normal.


 

 

 

 

16 outubro, 2004

 

Faça seu próprio Bush (ou Kerry)


 

Nosso amigo Othon Von de Villefort, jovem magnata do setor horti-fruti, mandou essa colaboração. É uma vingança mesquinha, mas ainda assim uma vingança.



Não requer prática, nem habilidade. Qualquer criança pode fazer.




 

 

 

 

14 outubro, 2004

 

Dado para você (e para a torcida do Flamengo inteira)


 

Sou um cara tolerante, até. Mas esse Dado Dollabela faz aflorar todos os meus instintos homofóbicos. Olha que desgraça:



O mais engraçado é que o Aguinaldo Silva arrumou um personagem para ele na novela das oito que corresponde exatamente ao Dado Dollabela da vida real: um merda que nunca fez nada na vida, além de ser filho de um pistolão. Como ator, é um ótimo cantor, e vice-versa. Muié gosta, mas muié vota em Bush e José Serra e compra CD do Felipe Dylon. Muito fácil de agradar, pro meu gosto.

Pelo menos a irmã dele tem um certo talento. O véio, lá na tumba, fica girando para um lado e para outro: "onde foi que eu errei?".


 

 

 

"The City of Cocaine and Carnage"


 




As zelosas autoridades cariocas estão de orelha em pé com a reportagem do jornal inglês "The Independent", que deu o título acima ("Cidade da Cocaína e da Carnificina") para a tal Cidade Maravilhosa. O manda-chuva da RioTur quer processar o jornal, porque "a reportagem pode causar prejuízos à indústria do turismo no Rio". Cadê os "paladinos da liberdade de imprensa" quando se precisa deles?

A reportagem (link acima, em inglês, ô seus fugitivo de CCAA!) não traz nenhuma novidade para quem está habituado ao noticiário nacional. Ano passado a polícia carioca matou umas mil pessoas nas favelas, a maioria pretos e pobres. Os traficantes, pelo menos os da "escola antiga", que construíam creches e ajudavam a comunidade, são mais respeitados em seus "guetos" do que a polícia, representante de um Estado opressor e ausente. Artilharia pesada é abundante nos morros. A polícia sobe os morros atirando a esmo. Mas a RioTur e o governo local querem manter a "farsa" de paraíso tropical (e sexual) para os turistas europeus. Dizem que "toda cidade tem seus problemas". Pois é. Bagdá e Mogadíscio também são ótimos lugares para passar o reveillón, não fossem alguns... "probleminhas".

De qualquer forma, vale a pena dar uma lidinha na reportagem do "Independent", que por sinal é muito mais bem escrita do que a maior parte de suas similares nacionais. Além do que, ver o Escadinha sendo chamado de "Stepladder" tem sempre um quê de prosaico, sei lá.


 

 

 

 

08 outubro, 2004

 

Mais um cartunista inepto...


 

Outro que não sabe desenhar, mas o que vale é a idéia:



André Dahmer é o nome da criatura. Depois eu vou organizar essa bagunça do meu blog e colocar os links direito.


 

 

 

 

07 outubro, 2004

 

Quem disse que blog eleitoral é coisa de americano?


 

Esse cara aí de cima até faz um trabalho decente, comentando as eleições de Sampa com relativa imparcialidade - embora eu desconfie que ele prefere a Marta.

Tem uma observação dele que eu achei muito pertinente, coisa que eu não tinha pensado antes:

Se eu fosse da campanha da Marta, tomaria o seguinte caminho:
1- Mirar desde já os eleitores do Serra. Não adianta a Marta querer o pessoal que votou no Maluf. Esses 12% que votaram no dr. Paulo são os caras mais malufistas que existem. Resistiram bravamente todos esses anos de ataque ao malufismo. Fogem do PT como o diabo foge da cruz. Já uma parcela dos eleitores do Serra, acredito, pode votar nela no segundo turno. São pessoas que votaram no tucano sem muita convicção.


Acho (achamos) que a Marta tem poucas chances, então deve pelo menos perder com dignidade. Esse negócio de ficar disputando o apoio de Paulo Maluf só joga mais lama na história do PT, e reforça a velha máxima popular de que "são todos iguais", tão danosa à manutenção da democracia - mas não necessariamente longe da realidade.

A Erundina já adiantou que não vai apoiar ninguém no segundo turno. Acha que é marketing demais e debate político de menos. E vocês, o que acham?

 

 

 

 

06 outubro, 2004

 

Para o alto, e avante!


 

O SUBMUNDO DE NIKOLAS, à sua maneira, se assemelha àqueles canais fracassados de UHF que dão traço de IBOPE enquanto esperam algum comprador milionário aparecer - quase sempre uma igreja evangélica em ascenção no promissor mercado da fé. Quando algum programa dá 1 ou 2 pontos de audiência, os caras estouram champanhe e fazem a festa. Somos os equivalentes ao Ameriquinha, no futebol, à Minardi, na Fórmula 1, ou ao PSTU, na política.

As estatísticas não mentem: temos uma média diária de 10 (é, só "dez") visitas, sendo que dessas umas 3 são minhas, pra ver se os posts saíram certos, se tem algum comentário ou erro de Português. O caminho para o estrelato é árduo e penoso para quem não apela para o humor imbecil ou a boa e velha putaria.

Os comentários são ainda mais escassos: apenas parentes, amigos e um adversário vil e traiçoeiro do Rio de Janeiro (de onde mais poderia ser?). Parece que as pessoas ficam com medo. Ora, ser esculhambado por mim não dói!

Felizmente, temos o fiel "Google" para ajudar-nos a espalhar a Palavra entre os infiéis. Vocês não acreditam no que as pessoas procuram no sabe-tudo e vêm parar aqui. Um depravado suburbano procurou por "putaria na Baixada" e veio parar aqui. Um sadomasoquista, ou talvez uma mãe à moda antiga, procurou por "surra de cinto". Parece que uma professora dessas mandou os alunos procurarem uma biografia do Roberto Brant, e o moleque, ao invés de recorrer às boas e velhas enciclopédias, não, veio cair nestas profundezas.

Um dia, contudo, O SUBMUNDO chegará à glória e ao Nirvana. Não sei se nesta vida ou na outra.


 

 

 

Lugar Nenhum na África


 



Assisti esse filme outro dia e, embora tenha gostado, não achei que merecia uma menção aqui no SUBMUNDO. É um filme despretencioso, preocupado apenas em contar a história de umas pessoas, e pronto. O que já é um mérito, em comparação com o que se vê nas prateleiras das locadoras ou nos Multiplex monopolistas: mega-produções disputando quem destrói o maior número de prédios, quem prega o maior susto em adolescente idiota, ou quem melhor imita "Ben-Hur" (que, apesar de ter sido produzido há uns 100 anos e sem viadagens de computador, é ainda superior a todas as suas imitações).

Mas aí vi a crítica dessa muié e acabei sendo forçado a concordar parcialmente, muito embora ela esculhambe a película:

O Lugar Nenhum é mais um filme sobre judeus que fogem da alemanha nazista. Já foram feitos tantos filmes sobre esse tema que para um se destacar na multidão precisa de ter alguma coisa muito, muito mesmo especial. Um Adrien Brody por exemplo.

A diretora Caroline Link conseguiu transformar a África em um lugar tão excitante quanto uma gôndola de repolhos num supermecado em Munique. Um cliché atrás do outro. O bom selvagem. A criancinha sensível. O homem angustiado. A mulher que não se adapta. O amigo que come a mulher enquanto o marido está cuidando da vida. Farofa de gafanhotos. Sabe aquela cena em que o bichinho de estimação da criança é comido pelos animais selvagens e ela encontra a carcaça? Nós já vimos isso trocentas vezes.


É, os clichês estão lá, embora eu não tenha percebido. Mas também, convenhamos: com mais de 100 anos de cinema e uns 4.000 de literatura, fica muito difícil pensar em algo que nunca foi pensado antes. Além do que, quando você ambienta sua história num lugar culturalmente diferente, vai ter sempre alguém pra denunciar os tais "clichês": se seus personagens africanos são gente fina, vão dizer que você apelou pro "bom selvagem"; se são hostis, vão te chamar de racista. Se seus africanos falam dialetos com sons de estalidos, bebem sangue de leão no café da manhã e acham que o radinho de pilha funciona à base de macumba, vão dizer que você os retratou como "exóticos demais" e negou-lhes a "feição humana"; mas se eles falam inglês ou francês fluentemente, dirigem automóveis e vestem-se como nós, vão te chamar de sem-graça: "porra, mas essse africano parece um londrino preto!"

Bom, assistam e tirem suas conclusões. Ou não assitam, sei lá.

 

 

 

 

05 outubro, 2004

 

A propósito...


 

Dizem que quem fuma maconha financia a violência do tráfico. Têm uma certa razão.

Mas podemos dizer também que:

- Quem come feijão financia o trabalho escravo em Unaí e os capangas dos Mânica;

- Quem come churrasco financia o trabalho escravo nas carvoarias - ao menos que você esquente a carne sem usar carvão vegetal;

- Quem compra automóvel financia indiretamente o trabalho escravo nas carvoarias - já que as carvoarias clandestinas vendem carvão para as siderúrgicas produzir aço, e estas vendem o aço pras montadoras de carros;

- Quem compra tênis da Nike financia o trabalho infantil sub-humano num Bangladesh da vida;

- Quem come McDonald's financia os anúncios publicitários nas TVs do mundo inteiro que vão induzir crianças a se tornarem gordinhos diabéticos e infelizes aos 12 anos de idade;

- Quem compra qualquer coisa produzida no Brasil está indiretamente pagando imposto, portanto ajuda a financiar os assassinatos cometidos pelos policiais em todo o Brasil, como este aí embaixo:



- Mas quem compra produtos importados em detrimento aos nacionais financia o desmantelamento da indústria nacional, o desemprego e o crime.

Sim, o dinheiro dos maconheiros vai ser usado para cometer um monte de barbaridades. Mas o seu e o meu também.


 

 

 

E o Troféu MOBRAL Eleitoral do Ano vai para ...


 


Unaí (MG) elege candidato preso por suspeita de assassinato


É aquele Antério Mânica, irmão de um dos maiores fazendeiros de feijão do mundo, Norberto Mânica. Ambos estão presos, suspeitos de terem sido os mandantes do assassinato de dois funcionários do Ministério do Trabalho, no começo do ano. Nas fazendas de Norberto, tinha gente trabalhando em regime de semi-escravidão. Mas os eleitores de Unaí parecem não se importar com estes "detalhes". Tampouco o PSDB, partido ao qual Antério é filiado.



Queria saber se o Aécio Neves e o José Serra vão dar um pulinho no Noroeste de Minas para empossar seu correligionário. Imagino até o FHC, arauto da "modernização" de nossas instituições antiquadas da Era Vargas, fazendo discurso na posse do fazendeiro escravocrata, elegendo-o como símbolo do "espírito empreendedor" do agronegócio.

Ah, e para não me chamarem de oportunista e tendecioso, o vice-presidente José Alencar também apóia os Mânica. Para quem esqueceu, a chapa Lula-Alencar em 2002 representava a aliança entre o povão e o empresariado, empregados e empregadores.

Os escravos do Século XXI plantando feijão em Unaí (MG) estão sozinhos. Depois perguntam porque os estrangeiros têm uma visão tão negativa de nosso País.


 

 

 

 

04 outubro, 2004

 

O Preço do Triunfo


 

O taxista na noite de ontem estava mais atento aos resultados da eleição no rádio do que no trânsito. Disse que era de uma cidadezinha do Norte de Minas e estava torcendo pro candidato do PT à Prefeitura de lá. Por quê? Para ter um representante do povo trabalhador no poder, ao invés das oligarquias tradicionais? Para promover a construção do "socialismo tropical"? Pelo bem da "Causa"? Pela moralidade na gestão pública? Necas. Torcia pro candidato do PT, porque este havia lhe prometido um emprego na prefeitura.

Ele também tem uma explicação para a baixa votação do João Leite, aqui em BH: o fato do candidato fazer parte da Comissão dos Direitos Humanos na Assembléia. "Onde já se viu, defender direitos de bandidos na cadeia, estes que matam os pais de família! Ninguém da Polícia Militar votou no João Leite, por causa disso", garante. Os taxistas e gambés parecem ter se esquecido que foi o PT um dos primeiros partidos a hastear a bandeira dos direitos humanos, dos "bandidos" inclusive, nos anos 80. E o PT parece não fazer muita questão em lembrá-los disso. Melhor ser reconhecido como "bom de serviço" do que pelas suas causas e ideais.

Com a ajuda de eleitores como esse taxista, o PT foi o grande vencedor das eleições de ontem, com 16 milhões de votos no Brasil inteiro. Mas será que valeu a pena?


 

 

 

Assembléia de Deus


 

Com tanto pastor eleito vereador aqui em BH, a Câmara Municipal vai virar uma espécie de ONU do Além ou coisa que o valha.

Isso me traz maus presságios...

Lá vem os decretos-lei banindo a mini-saia e as revistinhas de sacanagem...


 

 

 

 

01 outubro, 2004

 

Indignação de Zona Sul


 

Esse troço aí me deu asco. Não o evento em si, mas a repercussão dada:



Ao menos que você viva na Lua, ou em algum outro lugar onde não pegue a Globo, não é a primeira vez que você vê esta imagem. Foi veiculada ad nauseum no Jornal Nacional de quarta-feira pra cá, com o auê de "furo jornalístico" de uma Favela Naval, ou de um Xuxa-parto. Cá pra nós, assalto no Rio é o tipo de notícia que está mais para "cachorro morde homem" do que "homem morde cachorro". Não fosse pelo detalhe, cruel detalhe...

No noticiário da Globo, repetiu-se diversas vezes que o Bairro do Leblon - onde aconteceram os "ataques" - tem o IPTU mais caro da cidade. E o Jornal "O Globo", sempre subordinado à pauta dos telejornais globais, deu a seguinte manchete, no dia 30, logo acima de uma foto do arrastão: "À luz do dia, e no Leblon: o que mais falta acontecer?" O Leblon, este parece ser o personagem central do episódio, não a turista branquela ou os trombadinhas crioulos.

O que não falta neste País é barbárie. Todo dia tem uma chacina em Sapopemba, São Paulo, ou em Citrolândia, Betim. Policiais sobem os morros distribuindo tiros e sopapos em que aparecer na frente. Cinqüenta mil brasileiros são assassinados todos os anos, a extensa maioria pobres e jovens. E de pensar que o Michael Moore, no seu "Tiros em Columbine", fica espantado com a taxa de homicídio americana, segundo ele "a maior do mundo": meros 11 mil por ano. Mas presunto pobre só vira manchete em jornal "popular". Para os "padrões Globo de qualidade", o crime nas periferias não é considerado coisa "de bom gosto". A morte de um pobre não causa indignação na classe média, apenas aversão, nojo mesmo. Como um atropelamento de um vira-lata. Além do que, permanece a versão de que "se morreu, é porque devia estar metido em alguma coisa errada, drogas ou coisa assim."

Mas no Leblon, não! O Leblon é terra de "gente bonita", honesta, que paga o IPTU mais caro do Rio. E por pagarem mais impostos, seus moradores parecem merecer mais cidadania que os outros. Ora, como se atravem estes trombadinhas, invadir este solo sagrado da burguesia carioca e dos turistas? Meu Deus, que mácula na imagem de nossa nação, quantos euros e dólares perdidos na Alta Temporada!

Asco, é o que eu sinto. Não dos pivetes fazendo "turista à milanesa" na areia da praia, mas de nós mesmos. Acho que merecemos coisa muito pior.


 

 

This page is powered by Blogger. Isn't yours?